O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECISP) publicou um estudo relativo ao mês de janeiro de 2026, comparando os números obtidos nos mercados de venda e locação de casas e apartamentos com os de dezembro de 2025 na Baixada Santista e região.
Foram consultadas imobiliárias das cidades de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente.
O levantamento realizado pelo CRECISP junto a 129 imobiliárias da Baixada Santista revela que o mercado de imóveis residenciais usados iniciou o período analisado com queda significativa tanto nas vendas quanto nas locações. Dessa maneira, refletindo um movimento de cautela dos consumidores após o encerramento do ano.
Em janeiro, as vendas recuaram 26,25%. Enquanto, o volume de novos contratos de locação registrou retração ainda mais expressiva, de 54,74% em relação ao mês anterior
Vendas: predominância de apartamentos e dependência do crédito
O mercado de vendas foi fortemente liderado pelos apartamentos, que representaram 81% das transações. Enquanto, as casas responderam por apenas 19%, evidenciando a característica verticalizada da região litorânea.
O perfil predominante dos imóveis vendidos foi o de unidades de 2 dormitórios. Desse modo, com área útil entre 50 m² e 100 m², indicando preferência por imóveis compactos, mas ainda adequados para famílias. A média dos valores negociados ficou acima de R$ 500 mil, demonstrando tíquete médio elevado em comparação a outras regiões do interior paulista.
Do ponto de vista geográfico, as demais regiões (periféricas) concentraram 67,9% das vendas, seguidas pelas áreas centrais e nobres. Esse dado revela que, mesmo em uma região turística, a demanda por imóveis mais acessíveis continua predominante.
O financiamento imobiliário manteve-se como principal motor do mercado. As operações financiadas pela CAIXA corresponderam a 38,9% das vendas, somadas a 14,8% de financiamentos por outros bancos. Enquanto, as compras à vista representaram 16,7% e as negociações diretas com proprietários alcançaram 27,8%.
A pesquisa também indica relativa estabilidade de preços: 57,5% dos imóveis foram vendidos pelo valor anunciado, e a maior parte dos descontos concedidos ficou limitada a até 5%, evidenciando equilíbrio entre oferta e demanda.
Locações: domínio dos apartamentos e foco em imóveis compactos
No segmento de locações, os apartamentos dominaram amplamente, respondendo por 71% dos contratos assinados, enquanto as casas representaram 29%.
A preferência dos locatários concentrou-se em imóveis compactos: apartamentos de até 1 dormitório e área inferior a 50 m² e casas de até 2 dormitórios e pequenas metragens. Esse perfil evidencia a forte demanda por moradias voltadas a solteiros, casais e trabalhadores temporários, característica típica de regiões litorâneas.
As faixas de aluguel mais praticadas situaram-se entre R$ 1.250 e R$ 2.000, embora também tenha havido participação relevante de contratos entre R$ 2.500 e R$ 3.000, indicando diversidade de perfis econômicos na região.
Em relação às garantias locatícias, o depósito caução destacou-se de forma expressiva, presente em 82,9% dos contratos, muito acima das demais modalidades, o que demonstra preferência por alternativas mais simples e acessíveis para locadores e inquilinos.
Quanto à localização, diferentemente do mercado de vendas, as locações concentraram-se nas áreas centrais (59%), reforçando a importância da proximidade com comércio, serviços e mobilidade urbana para quem opta pelo aluguel.
Comportamento dos locatários e dinâmica do mercado
A análise das devoluções de imóveis mostra um cenário de ajuste financeiro: 36% dos inquilinos mudaram para aluguéis mais baratos, enquanto 28% migraram para imóveis mais caros e 36% não informaram o motivo da mudança.
Desse modo, outro indicador relevante é a baixa necessidade de concessão de descontos: 75% das locações foram fechadas pelo valor anunciado, sugerindo demanda ainda consistente, mesmo diante da retração no volume de contratos.
Considerações gerais
Os dados demonstram que o mercado imobiliário da Baixada Santista apresenta características próprias. Dessa forma, como predominância de apartamentos, tíquete médio elevado nas vendas e forte demanda por imóveis compactos para locação.
Apesar das quedas registradas no período, o mercado permanece ativo e sustentado por fatores estruturais, como a busca por moradia próxima ao litoral, mobilidade e oportunidades de trabalho e turismo.
Além disso, o cenário aponta, de modo geral, para um momento de ajuste e cautela. Mas, sem perda da relevância da região como um dos principais polos imobiliários do Estado.
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