Ao anunciar a decisão de somente realizar o aporte de capital da União nos Correios para ocorrer somente 2027, e não este ano, visando a recuperação financeira dos Correios, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, posterga mais uma vez uma decisão que se revela evidente: estancar o crescimento do espólio de déficits acumulados da empresa a serem pagos pela sociedade brasileira.
Sem reconhecer a incompetência administrativa do atual Governo na condução da estatal, a ministra, ao que parece, adia medidas urgentes e necessárias para estancar os sucessivos prejuízos dos Correios temendo os desgastes a serem gerados em um ano eleitoral, uma vez que o saneamento da estatal passa obrigatoriamente pelo corte substancial do quadro de funcionários.
Não há como negar que a maioria das empresas controladas pela Administração Federal passaram a acumular prejuízos recordes a partir das modificações realizadas na Lei das Estatais para atendimento às demandas por cargos do atual Governo.
Vale lembrar que a legislação foi criada, à época, justamente para evitar que essas empresas continuassem a serviço de interesses políticos, a partir de exigências que asseguraram a escolha de perfis técnicos para a condução dessas empresas.
Assim, episódios como o Petrolão e os sucessivos déficits apurados até então deram vez à retomada da eficiência, demonstrada nos resultados positivos obtidos durante o tempo de vigência da Lei.
Comprova-se assim, mais uma vez, o fracasso dos modelos estatizantes em setores onde a concorrência com a iniciativa privada impõe a necessidade da oferta de serviços com maior eficiência e qualidade.
Mais que socorrer a empresa diante do atual quadro de insolvência, que já obrigou a necessidade de ampliar seu endividamento por meio da contratação de empréstimos bilionários, cabe também ao Governo a obrigação de agir para evitar que as estatais, como patrimônio pertencente a todos os brasileiros, continuem sendo deterioradas por más gestões.
Mesmo que se reconheça o importante papel cumprido pelos Correios no atendimento de comunidades longínquas, não se justifica mais sua manutenção nos moldes atuais diante das mudanças tecnológicas e mercadológicas ocorridas nas últimas décadas.
O momento, portanto, também é propício para ampliar o debate em torno da serventia das empresas estatais, avaliando os custos e os efetivos benefícios à população.
Afinal, jamais será possível alcançar objetivos adotando práticas e metodologias comprovadamente fracassadas no passado.

Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
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