Sindicato dos Médicos emite nota condenando suspensão de gratificações
Em razão do impasse nas negociações sobre a suspensão da gratificação de produtividade dos médicos da rede municipal de saúde, o Sindicato dos Médicos de Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande (Sindimed) emitiu “Nota de Esclarecimento”, assinada por seu presidente, Elói Guilherme P. Moccellin, visando elucidar à opinião pública sobre pontos da questão e a posição da entidade em relação ao tema. Confira a íntegra da nota:
“O Sindicato dos Médicos de Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande ( Sindimed) vem a público esclarecer e manifestar seu posicionamento diante das declarações veiculadas na imprensa local acerca da suspensão da gratificação de produtividade dos médicos da rede municipal de saúde.
Inicialmente, causa estranheza a tentativa de deslegitimar a atuação sindical, ao se afirmar que o Sindicato não representa a categoria. Trata-se de afirmação que não encontra respaldo na realidade, considerando a participação ativa dos médicos nas discussões recentes e a mobilização legítima da categoria diante dos impactos da medida.
O Sindicato atua, por definição legal e institucional, na defesa dos interesses coletivos dos médicos, sendo interlocutor legítimo nas tratativas que envolvem condições de trabalho e remuneração.
Chama atenção a contradição presente nas declarações oficiais: ao mesmo tempo em que se tenta deslegitimar a representatividade do Sindicato, são divulgados valores remuneratórios que não refletem a realidade vivenciada pela ampla maioria dos médicos da rede — realidade esta, inclusive, prontamente contestada pelos próprios profissionais.
Quanto à divulgação de valores remuneratórios médios na ordem de R$ 19.000,00, cumpre esclarecer que tal informação não reflete a realidade da maioria dos profissionais da rede municipal. Os valores mencionados, quando existentes, decorrem de composições específicas, que envolvem múltiplos vínculos, jornadas ampliadas e verbas acessórias, não podendo ser utilizados como parâmetro para caracterizar a remuneração da categoria.
A utilização de dados isolados, sem a devida contextualização, contribui para a desinformação e desvirtua o debate público.
A suspensão da gratificação, conforme implementada, produz impactos concretos na organização da rede, na fixação de profissionais e na própria continuidade do atendimento à população, razão pela qual a questão exige tratamento responsável, técnico e transparente.
O Sindicato reitera que não se opõe ao cumprimento de decisões judiciais, mas defende que eventuais ajustes sejam conduzidos com diálogo, transição adequada e apresentação de alternativas que mitiguem os efeitos imediatos sobre os profissionais e sobre o serviço público.
Por fim, reforçamos a necessidade de que o debate seja conduzido com responsabilidade institucional, respeito às entidades representativas e compromisso com a realidade vivenciada pelos médicos da rede municipal.
O Sindimed seguirá atuando de forma técnica, responsável e comprometida com a construção de soluções viáveis para a categoria e para a manutenção da qualidade do atendimento à população.”