Shoppings da região se preparam para instalação de espaço inclusivo
O mês de abril marca uma campanha tão importante, o Abril Azul, que se refere ao Dia de Conscientização do Autismo. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação, sentimentos e emoções.
Com isso, um fato importante é que o Governo do Estado de São Paulo publicou na quinta-feira (2), o decreto que regulamenta a Lei nº 18.183/2025, tornando obrigatória a instalação de salas de regulação sensorial em shopping centers com grande circulação de pessoas.
O decreto tem como objetivo promover inclusão, acessibilidade e bem-estar, especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências. Os espaços nos shoppings que recebem mais de 2 mil pessoas por dia deverão ser planejados para oferecer um ambiente seguro, com redução de estímulos e apoio à autorregulação sensorial.
Shopping Parque Balneário
O Shopping Parque Balneário informou que está ciente da regulamentação da Lei nº 18.183/2025 e acompanha as diretrizes estabelecidas no decreto publicado pelo Governo do Estado de São Paulo. Representantes do shopping participaram, na tarde de quarta-feira (8), de uma reunião com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) para alinhamento sobre a nova regulamentação.
A implantação da sala já integra o cronograma de obras do empreendimento, dentro do prazo de até 180 dias estabelecido pela legislação. Assim que as etapas forem concluídas e o projeto estiver definido, a previsão de inauguração será divulgada.
Praiamar e Miramar
O Praiamar e o Brisamar Shopping informaram que prezam pelo bem-estar de seus clientes e, por isso, os projetos para atendimento ao decreto que regulamenta a Lei nº 18.183/2025 já estão em andamento, a fim de cumprir o prazo estipulado.
Litoral Plaza
O Litoral Plaza informou que recebe positivamente a regulamentação da Lei nº 18.183/2025, ressaltando que o bem-estar do público neurodivergente já é uma prioridade.
Aliás, o shopping já possui um projeto de Sala de Descompressão totalmente aprovado e em fase avançada de obras, seguindo o cronograma interno estabelecido em 2025. Com os equipamentos já adquiridos, a previsão de inauguração do espaço é para este primeiro semestre.
O novo ambiente foi projetado para oferecer uma experiência de acolhimento completa, incluindo: controle sensorial: iluminação suave e recursos sonoros para redução de estímulos; Integração Sensorial: Espaço equipado com piscina de bolinhas, balanços, tapetes e puffs; Copa Exclusiva: Área reservada para pessoas com seletividade sensorial ou que necessitem de privacidade para suas refeições; Curadoria Especializada: o projeto conta com consultoria de especialistas e a colaboração direta de mães atípicas na confecção de peças e planejamento do fluxo.
O shopping informa, em nota, que já oferece suporte contínuo aos seus visitantes com TEA por meio de iniciativas consolidadas, como disponibilização de abafadores de ruído; carrinhos adaptados; além de 22 vagas de estacionamento exclusivas e devidamente sinalizadas para portadores de TEA.
Importância
Segundo a pedagoga do colégio Progresso Bilíngue de Santos, Darlene Bocalini, a oferta de espaços de regulação sensorial é essencial para garantir acessibilidade real às pessoas com TEA. Ambientes públicos como shoppings podem ser excessivamente estimulantes, com luzes, sons e movimento intenso, o que pode gerar sobrecarga sensorial. Essas salas funcionam como um recurso de apoio à autorregulação, permitindo que a pessoa recupere o equilíbrio e consiga permanecer no espaço com mais conforto e segurança.
“Do ponto de vista social, isso impacta diretamente a autonomia e o sentimento de pertencimento. Quando há estrutura adequada, a pessoa autista passa a ter mais condições de circular, participar e interagir, reduzindo barreiras que muitas vezes limitam sua presença em espaços coletivos. Trata-se de um avanço importante na construção de ambientes mais inclusivos, que respeitam as diferentes formas de perceber e vivenciar o mundo.”
Ambiente escolar
Dessa maneira, sobre os principais desafios da inclusão de alunos autistas no ambiente escolar, a pedagoga diz que é garantir que a inclusão vá além do acesso à escola e se traduza em participação efetiva no processo de aprendizagem. Isso envolve adaptar práticas pedagógicas, respeitar diferentes formas de aprender e lidar com questões como dificuldades de comunicação, interação social e flexibilidade diante de mudanças na rotina.
“Outro ponto importante é a formação continuada dos professores para lidar com a diversidade em sala de aula.”
Além disso, ela ressalta que a escola tem um papel central na socialização, pois é um dos principais espaços de convivência fora do ambiente familiar. “É nesse contexto que a criança tem a oportunidade de desenvolver habilidades sociais, aprender a interagir com diferentes pessoas e lidar com regras e dinâmicas coletivas.
Não bastasse, a escola também contribui para a construção de um ambiente mais empático, promovendo o respeito às diferenças entre todos os alunos.”
Ela cita que a parceria entre escola e família é fundamental para garantir coerência nas estratégias adotadas e no acompanhamento do desenvolvimento da criança. A troca constante de informações permite compreender melhor as necessidades do aluno, alinhar intervenções e fortalecer o suporte oferecido tanto em casa quanto na escola, o que potencializa os avanços no aprendizado e na socialização.
Auxiliar de classe
De acordo com Darlene, o auxiliar de classe pode desempenhar um papel importante ao oferecer suporte individualizado ao aluno, ajudando na compreensão das atividades, na organização da rotina e na mediação das interações sociais.
“Esse profissional contribui para que o estudante participe mais ativamente das propostas pedagógicas, ao mesmo tempo em que permite ao professor conduzir a dinâmica da turma de forma mais equilibrada. No entanto, sua atuação deve estar integrada ao planejamento pedagógico, sempre com o objetivo de promover a autonomia do aluno.”
Sinais
Segundo a psicóloga Tarsila Gonçalves, os primeiros sinais do TEA costumam aparecer ainda na infância e estão relacionados principalmente à comunicação e à interação social.
“Entre os indícios mais comuns estão a dificuldade em manter contato visual, atraso no desenvolvimento da linguagem, pouco interesse em interagir com outras pessoas e desafios para compreender expressões faciais ou emoções. Também podem surgir comportamentos repetitivos, apego excessivo a rotinas e interesses muito específicos, além de sensibilidades sensoriais, como incômodo com sons, luzes ou texturas.”
Diagnóstico precoce
Aliás, a psicóloga aborda que o diagnóstico precoce é fundamental porque permite iniciar intervenções especializadas em um período em que o cérebro ainda apresenta maior plasticidade. “Isso amplia significativamente as possibilidades de desenvolvimento da comunicação, das habilidades sociais e da autonomia. Quanto antes a criança recebe acompanhamento adequado, maiores são as chances de melhorar sua qualidade de vida e de reduzir impactos no aprendizado e nas relações sociais ao longo da vida”.
Níveis
O TEA é chamado de espectro justamente porque se manifesta de formas muito diversas. “Os níveis são definidos com base no grau de suporte que a pessoa necessita no dia a dia — desde indivíduos mais independentes, com dificuldades pontuais na interação social, até aqueles que precisam de apoio mais intenso para comunicação, organização da rotina e autonomia. As manifestações também variam bastante: algumas pessoas têm linguagem preservada, enquanto outras apresentam dificuldades significativas na comunicação verbal, além de diferenças sensoriais e comportamentais.”
Lado emocional
Dessa forma, Tarsila cita que pessoas autistas podem enfrentar desafios emocionais relacionados à dificuldade de compreender e expressar emoções, além de lidar com frustrações e mudanças de rotina.
A sobrecarga sensorial também pode gerar ansiedade e estresse em ambientes muito estimulantes.
Em alguns casos, há maior propensão ao isolamento social, não necessariamente por falta de interesse, mas por dificuldades na interação. Esses fatores podem impactar a autoestima e o bem-estar emocional, especialmente quando não há compreensão e acolhimento adequados.”
Terapia
Portanto, ela acrescenta que a terapia psicológica é essencial para promover o desenvolvimento emocional, social e comportamental da pessoa com TEA. “Ela pode ajudar na construção de habilidades sociais, no manejo da ansiedade, na regulação emocional e no desenvolvimento da autonomia. Além disso, o acompanhamento também orienta famílias e cuidadores, contribuindo para um ambiente mais estruturado e acolhedor, o que favorece o desenvolvimento global do indivíduo.”
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