Estado de SP registra mais de 5 mil casos de golpe do falso advogado
O golpe do falso advogado tem feito vítimas no Brasil. Algo não diferente em São Paulo, fato que acendeu o alerta de autoridades e entidades da área jurídica. Dados da Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB-SP) mostram que somente no Estado já foram contabilizados 5.111 casos até o último dia 14 de abril.
Assim, de fevereiro a dezembro de 2025, foram 4.088 ocorrências. Já entre janeiro e março deste ano, outros 1.023 casos, evidenciando a escalada desse tipo de crime. Diante desse cenário, a prática, que envolve estelionatários se passando por advogados para enganar clientes e obter vantagens financeiras, tornou-se foco de uma força-tarefa específica da OAB-SP, que busca orientar a população e conter o avanço das fraudes.
Casos na região
A Baixada Santista também tornou-se alvo deste tipo de golpe. Uma investigação conduzida pelo 2º Distrito Policial de Santos levou, na manhã da última quinta‑feira (9), ao cumprimento de um mandado de busca e apreensão que apurava a atuação de uma possível central de estelionato eletrônico instalada em Santos. O esquema envolvia o golpe do falso advogado.
A ação policial ocorreu em um imóvel no Morro do Marapé, onde havia indícios de que a estrutura era utilizada para a aplicação reiterada de golpes.
Já na sexta-feira (10), uma investigação conduzida pelo 1º Distrito Policial de Santos resultou no cumprimento de mandado de busca e apreensão relacionado à apuração de estelionato eletrônico, também registrado como golpe do falso advogado. O esquema investigado vinha causando prejuízos financeiros a vítimas.
A diligência ocorreu em um imóvel localizado no bairro Vila Rosalina, em Guarujá, onde havia indícios de que o local era utilizado para a articulação de golpes praticados por meio de aplicativos de mensagens. Conforme as apurações, os autores se passavam por advogados e entravam em contato com as vítimas informando sobre supostos valores judiciais a receber, exigindo o pagamento antecipado de taxas para viabilizar a liberação dos montantes.
A Polícia Civil alerta que diante de qualquer pedido de transferência financeira, a população busque confirmar a informação diretamente com profissionais, instituições ou órgãos oficiais antes de realizar qualquer operação.
Falso advogado
Segundo o coordenador da Força-Tarefa para Enfrentamento do Golpe do Falso Advogado da OAB SP, Eduardo Ferrari, o golpe trata-se de uma ação criminosa onde estelionatários se passam por advogadas e advogados e fazem contatos com clientes se passando por eles, induzindo-os a pagar valores indevidos e até solicitando compartilhamento de telas de celular para aplicação de golpes.
Prevenção
O coordenador dá dicas de como se prevenir do golpe. “É importante jamais conversar com pessoas estranhas e não interagir. Aliás, vale mencionar que advogadas e advogados não trocam de telefone.
Nem pedem valores para liberar dinheiro. Além disso, os advogados não pedem para depositar valores em contas de terceiros. Além disso, não pedem para acessar a conta do banco nem compartilhamento de tela.
As vítimas devem desconfiar da abordagem falando sobre ação ganha, sempre contatando o escritório que contratou, mesmo que no WhatsApp tenha a foto da (o) advogada (o) ou do escritório.
Golpistas
Portanto, sobre como os golpistas obtêm os dados das vítimas e se passam por advogados, o especialista menciona que as organizações criminosas baixam os processos por meios eletrônicos e se utilizam da vulnerabilidade dos sistemas. As informações são públicas, logo, a atenção dos clientes deve estar redobrada.
Sinais
Com relação aos sinais de alerta que indicam que pode se tratar de um falso advogado, Ferrari cita que quem é abordado sob a alegação de que a ação foi ganha, isso ocorre sempre com um número de WhatsApp diferente do pertencente ao advogada ou ao advogado.
Medidas
De acordo com Ferrari, a OAB/SP promove diversas intervenções na mídia, redes sociais, campanhas internas com a advocacia para combater esse crime.
A OAB/SP promove uma Ação Civil Pública cobrando da Meta, Vivo, Claro, Tim e Anatel providências para que eles elaborem e aprimorem os sistemas de segurança, como, por exemplo, o alerta de que o número de WhatsApp trocou recentemente de foto ou teve criação recentemente.
A OAB/SP também solicitou ao DEIC – DCCIBER (Delegacia de Crimes Cibernéticos) a instauração de um inquérito policial. Dessa maneira, a OAB/SP solicitou à Polícia Federal a instauração de um inquérito policial.
Consequências
Sobre as consequências legais para quem aplica o golpe do falso advogado, o coordenador aborda que é responder por crime de estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e entre outros crimes. Ferrari também menciona sobre o posicionamento da OAB referente a este tipo de golpe.
“O golpe de falso advogado é uma variante de prática criminosa crescente e que atinge a sociedade. É uma engenharia social baseada em ações criminosas, onde há um planejamento de ação em que o criminoso transmite uma realidade inexistente. A tecnologia é usada para a prática de crimes”, destaca.
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