Histórias de vida e ações contra a Aids reunidas em livro do médico Fábio Mesquita | Boqnews
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30 de abril de 2026

Histórias de vida e ações contra a Aids reunidas em livro do médico Fábio Mesquita

Aos 15 anos, o então jovem Fábio Mesquita resolveu, junto com outros quatro amigos (uma garota e três rapazes), fazer uma viagem de trem para o exterior.

Conhecido como trem da morte, os jovens, após serem autorizados pelos pais, partiram por mais de 600 quilômetros de linha férrea saindo do Brasil rumo à Bolívia e com ponto final no Peru.

Na ocasião, Mesquita começou a escrever um diário anotando as aventuras que o grupo passou nesta aventura.

Assim, os sonhos e as ideias como esta que ele construiu ao longo de décadas de experiência pessoal e profissional se encontram no livro Diário de Bordo.

Aliás, obra que o autor, uma das maiores autoridades sobre Aids no mundo, lançará no próximo sábado (9), na Casa das Culturas de Santos (Rua 7 de Setembro, 49), a partir das 16 horas.

Como ele define, o livro traz olhares sobre saúde, humanidade e caminhos que se conectam, em uma vida dedicada à Medicina e à saúde pública.

Com passagens pelas secretarias de Saúde de Santos, do Estado, além do Ministério da Saúde e da própria Organização Mundial de Saúde (OMS), Mesquita ainda guarda na gaveta todos os passaportes que teve ao longo de sua trajetória profissional.

Só os da Organização Mundial de Saúde – OMS ele teve que devolver, exigência da organização internacional.

“Não sei quantos são. Mas tenho bastante”, brinca.

Mesquita contou algumas destas histórias presentes no livro durante participação do Jornal Enfoque desta quinta (30).

Assista ao programa no link abaixo.

Médico Fábio Mesquita (à esq) falou sobre histórias que estão no livro Diário de Bordo, a ser lançado no dia 9 de maio, na Casa das Culturas. Foto: Felipy Brandão

Luta contra a Aids

No livro, ele relembra passagens durante sua estada na Secretaria de Saúde de Santos na gestão da prefeita Telma de Souza (PT), quando implantou o programa de Aids no Município, pioneiro na ocasião, ao lado do então secretário e depois prefeito, David Capistrano.

Aliás, as iniciativas de Santos se tornaram modelos e leis, que reverberaram no País e no mundo.

Foi em 1989, aliás, que ele implantou o primeiro programa municipal de Aids – algo já previsto pelo Ministério da Saúde anos antes.

Afinal, no final dos anos 1980 e início dos 1990, a Aids era considerada a ‘peste gay’, termo pejorativo usado na ocasião em razão do elevado número de vítimas que recebiam uma espécie de sentença de morte devido à sua condição sexual.

E Santos, em razão da sua característica portuária, era porta de entrada para a doença

(Clique no link para entender ou relembrar o cenário da época sob a ótica da imprensa na ocasião.)

Algo, porém, que foi desmitificado a medida que heterossexuais também acabaram entrando no rol das vítimas.

E Santos, diante do serviço oferecido, se tornou referência no acompanhamento e políticas públicas voltadas aos portadores da doença no País.

Mas não foi fácil…

Afinal, várias das propostas, aliás, levantaram polêmicas na ocasião.

Caso da distribuição gratuita de camisinhas nas unidades de saúde – alvo de questionamentos, especialmente de grupos religiosos, à época.

Outra, porém, ganharam ainda maior repercussão, inclusive em âmbito nacional.

Como a ação para minimizar os riscos  com o compartilhamento de seringas entre usuários de drogas, em especial, de cocaína.

Isso porque o uso coletivo de seringas era a porta de entrada para a infecção do vírus HIV.

Porém, tal entendimento não era o mesmo do Ministério Público, que o acusou, junto com a então prefeita Telma de Souza e o secretário David Capistrano, de tráfico de drogas.

Motivo: entrega de seringas para os dependentes químicos.

“O MP entendeu que isso estimulava o consumo de drogas e usou uma legislação da época da ditadura para nos indiciar por tráfico de drogas”, lembra.

O processo demorou anos até o julgamento definitivo e a absolvição de todos os três.

Neste caminho, Mesquita recebeu apoio do Conselho Regional de Medicina, de boa parcela da Imprensa e de advogados, liderado por Alberto Toron.

De forma paralela, aliás, ele pode, como suplente que tomou posse como vereador com a eleição das então vereadoras Mariângela Duarte e Maria Lúcia Prandi (PT), ocupar uma cadeira na Câmara de Santos entre os anos de 1995 e 1996 pelo PCdoB, partido a qual foi eleito.

Na oportunidade, suas propostas acabaram se transformando em leis voltadas à área de saúde pública.

Novos ares

Diante do trabalho desenvolvido, Mesquita foi convidado para atuar nas prefeituras de São Paulo, de Guarujá (em duas ocasiões na gestão do prefeito Farid Madi) e Ministério da Saúde nas mais variadas gestões e partidos.

Mesmo integrante do PCdoB, nunca teve problema em trabalhar e se reunir com nomes da política nacional, como os ministros da Saúde, Adib Jatene, (Fernando Collor) e José Serra (Fernando Henrique Cardoso).

Além de apresentar ideias e propostas de prevenção à doença para o então governador baiano Antonio Carlos Magalhães e o senador José Sarney.

Além disso, trabalhou por anos no Governo Dilma Rousseff até seu impeachment, no final de agosto de 2016.

OMS

Porém, as histórias de Mesquita não se limitaram ao Brasil.

Com o know-how adquirido pela experiência de décadas no setor, o médico epidemiologista atuou na Organização Mundial de Saúde (OMS), onde ficou por 12 anos, divididos em vários momentos.

Inicialmente, seriam apenas seis meses na Indonésia.

Mas o tempo passou e entre idas e vindas atuou boa parte na Ásia, em países como Filipinas e Myanmar, onde viveu por três anos até se aposentar.

“Peguei três momentos de Myanmar. O primeiro, era um país tranquilo e maravilhoso. No ano seguinte, veio a pandemia (e o país era vizinho da China e próximo a Wuhan, epicentro onde começou a Covid-19) e a Índia”, lembra.

Não bastasse, apesar da situação relativamente controlada  em relação à doença no país, no terceiro ano eclodiu uma guerra civil, com centenas de ataques e mortes.

Aliás, dois funcionários da OMS morreram nesta época, inclusive o motorista da organização.

Legado

Assim, Mesquita pretende que o livro abra as portas para os jovens médicos entenderem o papel e a responsabilidade em lidar com a Medicina, especialmente no tocante à responsabilidade em relação à saúde pública.

“A Covid-19 é um grande exemplo desta realidade”, salienta o médico.

Hoje atuando no campus da Unifesp Baixada Santista, ele se envolve em um novo projeto voltado às discussões sobre as mudanças climáticas na saúde da população.

Jornal Enfoque

Confira o programa completo

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Fernando De Maria , Editor do Boqnews, professor universitário e apresentador/produtor do Jornal Enfoque
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