A rejeição a Messias e a falência do presidencialismo de coalizão | Boqnews

Ponto de vista

21 de maio de 2026

A rejeição a Messias e a falência do presidencialismo de coalizão

PAULO SERRA

A não aprovação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) vai muito além de um episódio político pontual.

Simboliza, de forma clara, o esgotamento de um modelo que há décadas organiza, ou tenta organizar, a relação entre os Poderes no Brasil: o presidencialismo de coalizão.

Alicerçado a partir da necessidade de formar maiorias no Congresso Nacional, este modelo, num sistema multipartidário fragmentado, sempre se sustentou em bases pragmáticas.

Distribuição de cargos, negociação de espaços, e acordos políticos foram, por muito tempo, os instrumentos utilizados para se garantir governabilidade.

Funcionou? Em alguns momentos, digamos que sim! Mas o custo sempre foi alto e, ao que tudo indica, agora, chegou ao limite.

O episódio recente revela que a lógica tradicional já não responde com a mesma eficácia. A construção de maiorias deixou de ser previsível.

O alinhamento entre Executivo e Legislativo tornou-se mais volátil, menos institucional e mais sujeito a pressões circunstanciais.

O que antes era resolvido nos bastidores, hoje se torna impasses públicos, com direito a impacto direto na estabilidade da Política e na capacidade de decisão de nosso País.

Mais do que uma crise episódica, estamos diante de uma mudança estrutural. O Brasil dos tempos atuais não é mais o mesmo de décadas atrás.

A sociedade é mais informada, conectada e exigente. Ela não é mais mera telespectadora: ela participa, opina, concorda ou discorda.

A Política, por outro lado, ainda opera com mecanismos antigos, muitas vezes desconectados da realidade – uma Política quase que analógica, por assim dizer.

O problema não reside, tão somente, na dificuldade de aprovação do nome X ou Y para a Alta Corte, ou de ações que possam, de fato, mudar para melhor a vida das pessoas – está na ausência de um modelo mais transparente, mais eficiente e mais orientado a resultados.

O episódio recente revela que a lógica tradicional já não responde com a mesma eficácia. A construção de maiorias deixou de ser previsível. O alinhamento entre Executivo e Legislativo tornou-se mais volátil, menos institucional e mais sujeito a pressões circunstanciais.

Um método que privilegie a construção de consensos em torno de projetos de nação, e não apenas de interesses imediatos e particulares.

Isso nos convida a uma reflexão mais ampla: o Brasil precisa revisitar, para ontem, seus paradigmas institucionais.

Além disso, é urgente qualificar o debate político. A construção de maiorias em Brasília-DF não pode continuar baseada apenas em negociações pontuais.

É preciso avançar para uma lógica de planejamento estratégico, com metas claras, prioridades definidas e compromisso com repercussão concreta.

O recente episódio envolvendo o STF não é apenas sobre um nome ou sobre Esquerda e Direita.

É sobre um sistema que perdeu a capacidade de organizar o funcionamento do Estado de forma eficiente e que, quando não funciona, faz com que o povo brasileiro pague um alto preço.

Por isso, mais do que buscar culpados, passou da hora de se buscar soluções. O Brasil precisa de mais gestão e de menos polarização – como tenho defendido há tempos.

O País necessita de diálogo qualificado, de responsabilidade institucional e de coragem para enfrentar reformas que, não de hoje, são adiadas.

Mas, que fique claro: o esgotamento do presidencialismo de coalizão não é o fim da governabilidade.

Pode e deve ser o começo de um novo ciclo, no qual o foco esteja menos na Política como disputa e mais como instrumento de transformação.

Paulo Serra
Paulo Serra, especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas, pela Universidade de Harvard; cursou Economia na USP; graduado em Direito; professor universitário
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