Ponto de vista
Açodada, mas necessária
HUMBERTO CHALLOUB
Açodado para reverter índices de reprovação ao seu Governo às vésperas da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com medidas voltadas à segurança pública.
O plano prevê investimento de R$ 11 bilhões para financiamento de ações que visam a asfixia financeira das organizações criminosas; o fortalecimento da segurança no sistema prisional; a qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e o combate ao tráfico de armas.
Por certo, a iniciativa do Governo toma como base recentes pesquisas revelando que a segurança pública é, pela primeira vez, a principal preocupação da população, superando na lista de prioridades as áreas de saúde e educação.
Não é para menos.
Banalizados pelo estímulo de legislações condescendentes, a prática de crimes – muitos deles acompanhados de violência extrema -, alterou a rotina cotidiana dos brasileiros, cada vez mais temerosos e acuados diante na omissão das autoridades públicas.
Ocupando posições estratégicas e, na maioria das vezes, dispondo de modernas armas e sistemas de informação, os criminosos demonstram audácia nunca vista e a firme disposição de resistir à polícia, colocando em dúvida a real capacidade do Estado de recuperar a soberania nesses locais.
Banalizados pelo estímulo de legislações condescendentes, a prática de crimes – muitos deles acompanhados de violência extrema -, alterou a rotina cotidiana dos brasileiros, cada vez mais temerosos e acuados diante na omissão das autoridades públicas.
Ao promover pânico e terror junto à população, as quadrilhas passaram a delimitar fronteiras, impondo normas de consumo e conduta em regiões de favelas, com total desprezo às regras que normatizam a vida em sociedade.
Soma-se a isso a desconfiança de que o crime também já está inserido em ambientes do poder constituído, pela prática recorrente de atos de corrupção no âmbito do judiciário e por meio do financiamento de candidatos para defender interesses nas esferas políticas.
Torna-se, portanto, imperiosa a adoção de medidas vigorosas para o restabelecimento do poder do Estado, por meio de intervenções e permanência das forças militares em áreas hoje dominadas por milícias e quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas.
Como verdadeiros guetos, a maior parte das atividades criminosas têm encontrado espaço e se multiplicado com vigor nas localidades mais pobres, desassistidas em seus direitos fundamentais, de oportunidades de trabalho, sem infraestrutura básica e atendimento adequado nas áreas da saúde e educação.
Seja qual for o governo a ser eleito em outubro próximo, será preciso exercer a liderança na execução de ações de mobilização, integrando os segmentos envolvidos na questão, a fim de produzir políticas eficazes e perenes de combate ao crime.