Estado de SP registra aumento em casos de estupro de vulnerável | Boqnews
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22 de maio de 2026

Estado de SP registra aumento em casos de estupro de vulnerável

Com a chegada do mês de maio, o Maio Laranja ganha projeção na mídia com a campanha da conscientização sobre a prevenção do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, cujos números preocupam e assustam.

 

Estado de SP

Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP), o estado de São Paulo registrou 2.942 estupros de vulneráveis, principalmente de crianças e adolescentes, somente de janeiro a março de 2026. Em 2025, foram 10 a menos. Já em 2024, foram 2.593 casos.

 

Nacional

Para se ter noção, o Disque 100, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), registrou mais de 32 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes de janeiro a abril deste ano no Brasil. Uma média de quase 270 casos/dia. Isso representa um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período de 2025.

 

Santos

Aliás, de acordo com o boletim epidemiológico de Santos, de 2020 a 2024, o mais recente, ocorreram 455 notificações de casos neste período envolvendo a faixa de 0 a 19 anos. Deste total, 395 residentes em Santos. Pouco mais de 6 por mês.

Ao todo, 15,7% das notificações de violência sexual contra crianças de 1 a 4 anos do sexo feminino foram registradas. Já do sexo masculino, foram 27,8%.

Dessa maneira, de 5 a 9 anos, 23% (feminino) e 27,8% (masculino) foram registrados. Assim como, de 10 a 14 anos, houve o registro de 38,7% (feminino) e 19,4% (masculino). Já de 15 a 19 anos, foram 22,1% (feminino) e 22,2% (masculino).

 

Tipos de violência

Sobre os tipos de violência, em 2024, 23,6% das notificações foram de assédio sexual e 72,7% de estupro. Já em 2023, foram 72,1% para estupro e 24,6% para assédio sexual. E em 2022, 40,3% assédio sexual e 56,9% para estupro.

 

Regiões

Dessa forma, sobre as notificações por regiões de Santos, a Zona Noroeste registrou 50,9% dos casos em 2024, Orla com 21%, Centro com 14%, Morros com 11,7% e Área Continental com 2,4%.

Em 2023, 35,3% foi na Orla, 33,1% na Zona Noroeste, 19,7% nos Morros, 7,9% no Centro e 4% na Área Continental. No ano de 2022, 32,8% foram na Orla, 27,1% na Zona Noroeste, 21,9% nos Morros, 9,1% no Centro e na Área Continental.

 

Desafios

Segundo a Coordenadora da Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil de Santos (CEVISS), Christiane Andréa, os principais desafios enfrentados por Santos no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes, é a exploração sexual por conta dos desafios no ambiente digital. “O aliciamento online cresce desenfreadamente e o avanço do acesso à internet trouxe o perigo para dentro dos quartos. O aliciamento de crianças e adolescentes por meio de redes sociais exige uma atuação integrada de segurança pública digital e letramento digital familiar”, revela.

 

Ações

Sobre as ações que a CEVISS desenvolve para conscientizar a população sobre a importância da denúncia, ela informa que diversas ações acontecem durante todo o mês. Palestras para adolescentes jovens, educadores, pais e responsáveis, incluindo mães atípicas.  Podcasts organizados por jovens aprendizes, entrevistas para a população e o Bonde da Prevenção, a ocorrer no próximo dia 30, no Centro Histórico de Santos.

 

Cuidados

Sobre os principais cuidados que pais e responsáveis devem ter para proteger crianças e adolescentes contra situações de abuso e exploração, ela cita que são diálogo aberto e educação preventiva (educação em sexualidade). “Assim como a atenção aos sinais de alerta e monitoramento de comportamento. Além disso, é importante ter supervisão ativa, não basta proibir, é preciso acompanhar, conhecer as redes sociais que usam, os jogos online que jogam e com quem interagem nessas plataformas.”

Sinais

Com relação aos sinais que podem indicar que uma criança ou adolescente esteja sofrendo algum tipo de violência sexual, a coordenadora aborda que são mudanças abruptas de comportamento e sexualização inadequadas para a idade.

Além da regressão de etapas do desenvolvimento, como voltar a urinar na cama (enurese noturna) ou evacuar nas calças (encoprese), chupar o dedo ou adotar fala infantilizada. Assim como o medo excessivo e sem motivo aparente de ficar sozinho com determinada pessoa, pânico de ir a certos lugares ou recusa de voltar para casa.

 

Rede de proteção

Além disso, muitas vezes o abuso acontece dentro do ambiente familiar. Afinal, a média do total de casos ocorridos em ambiente residencial supera 70%. Portanto, é importante saber como a rede de proteção atua nesses casos e como a vítima pode buscar ajuda. “Existe um fluxo de atendimentos para vítimas em situação de violência sexual. A rede vai atuar de acordo com a porta de entrada desta vítima e de acordo com a situação do abuso sofrido”.

 

ECA Digital

Além disso, sobre o ECA Digital, recém-criado, a coordenadora do CEVISS comenta sobre como avalia o avanço dessas legislações no combate à violência e à exploração no ambiente online.

Ela menciona a responsabilidade compartilhada, que o dever de cuidado dos pais (Art. 22 do ECA) se estende ao acesso à internet. Assim como o enfrentamento – a tríade denúncia, responsabilização e cumprimento da lei – é o caminho para quebrar o ciclo de impunidade.

Aliás, a legislação brasileira agora é muito mais rígida com crimes cometidos em plataformas digitais. E o sharenting, a proibição da exploração de imagens e vídeos de crianças e adolescentes por pais, responsáveis e instituições públicas e privadas.

Já a orientadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue de Santos, Alessandra Alves, ressalta que o ECA Digital é importante porque atualiza o debate sobre direitos e proteção de crianças e adolescentes diante dos desafios do ambiente online. “Hoje, grande parte das interações sociais acontece no meio digital e isso amplia riscos relacionados à exposição excessiva, cyberbullying e crimes virtuais.”

Nesse contexto, a escola tem um papel fundamental na educação digital. Não basta apenas restringir o uso da internet: é preciso ensinar pensamento crítico, privacidade, responsabilidade no compartilhamento de imagens e informações, além de orientar sobre como identificar situações de risco e pedir ajuda. A educação digital deve fazer parte da formação cidadã, preparando crianças e adolescentes para navegar no ambiente virtual com mais consciência e segurança, enfatiza a profissional.

 

Educadora

A orientadora informa que a escola tem um papel central tanto na prevenção quanto na identificação e no encaminhamento de casos de violência sexual.

“Por ser um espaço de convivência diária, muitas vezes é na escola que crianças e adolescentes encontram adultos de confiança capazes de perceber mudanças de comportamento, sinais de sofrimento ou pedidos indiretos de ajuda”, enfatiza.

“Além disso, a escola contribui para a formação de uma cultura de proteção ao trabalhar temas como respeito ao corpo, limites, consentimento, segurança emocional e canais de denúncia de forma adequada à faixa etária. Também é responsabilidade das escolas acolher, escutar sem julgamento e acionar a rede de proteção sempre que houver suspeita ou confirmação de violência.”

 

Proteção

Segundo a orientadora, o principal cuidado para professores e familiares é manter uma relação de escuta e confiança, pois crianças e adolescentes precisam sentir que serão acolhidos ao relatar algo desconfortável.

“Também é importante observar mudanças de comportamento, acompanhar o uso da internet e das redes sociais, ensinar sobre limites corporais e reforçar que ninguém pode tocar no corpo deles sem consentimento. Outro ponto fundamental é evitar minimizar falas ou sinais de desconforto. Muitas vezes, a violência é revelada de forma indireta, por meio de desenhos, mudanças emocionais ou comentários aparentemente simples. A prevenção passa pela informação, pelo diálogo frequente e pela presença ativa de adultos responsáveis”, destaca.

 

Comportamento

Sobre as mudanças de comportamento que podem indicar que um aluno esteja passando por algum tipo de violência, ela aborda que não existe um sinal isolado que confirme a violência, mas algumas mudanças merecem atenção.

“Entre elas, o isolamento repentino, queda no rendimento escolar, agressividade, medo excessivo, tristeza constante, ansiedade, alterações no sono ou na alimentação, adultização e comportamentos incompatíveis com a idade”, explica.

Já em crianças menores, podem surgir regressões comportamentais, como voltar a urinar na cama ou dificuldades na fala. “O mais importante é que professores e responsáveis observem padrões e mudanças persistentes, sempre evitando julgamentos precipitados e a busca por apoio especializado se necessário.”

 

Parceria

Alessandra ressalta que a parceria entre escola, família e rede de proteção no combate à violência sexual infanto-juvenil é indispensável, pois o enfrentamento do tema exige uma atuação articulada entre eles. Ela acrescenta que nenhuma instituição consegue agir sozinha e quando existe diálogo e cooperação, torna-se mais fácil identificar sinais precoces, acolher vítimas e interromper ciclos de violência.

Além disso, a união entre esses atores fortalece a criação de ambientes mais seguros para crianças e adolescentes. A proteção integral depende justamente dessa rede funcionando de maneira coordenada e responsável.

 

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Da Redação
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