Conselho do Santos rejeita proposta de mandato obrigatório para candidatos à presidência
A noite de quinta-feira (28) foi marcada por forte tensão política no Santos Futebol Clube. Em uma das reuniões mais movimentadas dos últimos anos no Conselho Deliberativo, foi rejeitada a proposta que previa a obrigatoriedade de mandato prévio no Conselho para candidatos à presidência do clube.
A medida vinha sendo criticada por associados e torcedores, que classificavam a proposta como uma “trava” eleitoral. O tema gerou mobilização nas redes sociais, protestos na Vila Belmiro e pressão direta sobre os conselheiros durante toda a semana.
Contudo, com a decisão, foi mantida a regra atual prevista no estatuto do clube: qualquer associado com dez anos consecutivos de vínculo poderá disputar a presidência, sem necessidade de experiência anterior no Conselho Deliberativo.
Proposta sofreu resistência entre associados
Inicialmente, a Comissão do Estatuto defendia que apenas associados com três mandatos como conselheiro pudessem concorrer à presidência. Segundo os defensores da proposta, a exigência garantiria maior experiência administrativa e conhecimento da estrutura política do clube.
A reação negativa, porém, cresceu rapidamente entre torcedores e grupos de oposição. Contudo, críticos afirmavam que a mudança limitaria a participação democrática e reduziria o surgimento de novas lideranças políticas dentro do Santos.
Porém, diante da pressão, a proposta foi flexibilizada. Primeiro, a exigência caiu para dois mandatos no Conselho. Já durante a sessão desta quinta-feira, uma nova tentativa de acordo reduziu o requisito para apenas um mandato.
Mesmo assim, a medida acabou rejeitada. A votação terminou com 65 votos contrários, 50 favoráveis e três abstenções.
Exclusão definitiva da exigência foi aprovada
Após a derrota da proposta intermediária, o presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Akaoui, colocou em votação a retirada completa do artigo que previa qualquer exigência de passagem prévia pelo Conselho.
Ademais, a exclusão definitiva da chamada “trava” eleitoral foi aprovada por 65 votos favoráveis, 41 contrários e oito abstenções.
Porém, o resultado foi comemorado por torcedores e integrantes da oposição presentes na Vila Belmiro.
Protestos marcaram a noite na Vila Belmiro
Enquanto a reunião acontecia dentro do estádio, torcedores organizados realizaram manifestações do lado de fora da Vila Belmiro.
Com faixas, bandeiras e palavras de ordem, os manifestantes pressionavam os conselheiros a rejeitarem qualquer mudança considerada restritiva ao processo eleitoral do clube.
Entre os cantos mais repetidos durante o protesto esteve a frase: “zero mandato é mais do que obrigação”, que se tornou símbolo da campanha contra a proposta.
Comissão do Estatuto acumula derrotas
Nos bastidores, integrantes da oposição avaliaram que a pressão popular teve papel decisivo no resultado da votação. Conselheiros ligados a movimentos independentes afirmaram que a exigência poderia afastar possíveis candidatos e reduzir a competitividade das próximas eleições presidenciais.
Entretanto, essa não foi a primeira derrota da Comissão do Estatuto durante o processo de reforma estatutária. Em reuniões anteriores, outra proposta polêmica também havia sido derrubada: o aumento do tempo mínimo de associação necessário para obtenção do direito ao voto.
A ideia previa ampliar de três para cinco anos o prazo exigido para participação nas eleições do clube, mas acabou rejeitada pelos conselheiros.
Por isso, apesar das divergências políticas e do ambiente de tensão, os trabalhos para conclusão do novo estatuto continuam. A expectativa do Conselho Deliberativo é finalizar a análise do documento na próxima semana, encerrando um processo de debates que mobiliza o clube há vários meses.
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