Almirante Barroso e o dia 11 de junho
No dia 11 de junho de 2026 enquanto o mundo se volta para o início de mais uma Copa do Mundo, o aniversário de um grande feito nacional passa despercebido.
Trata-se da batalha do Riachuelo (que você pode ter mais detalhes na nossa coluna de março deste ano por meio do link https://www.boqnews.com/etc/rua-riachuelo-da-guerra-ao-boulevard/), liderada e vencida por Almirante Barroso.
Em 1865, neste mesmo dia, o comandante da fragata brasileira vencia o general paraguaio, Solano López.
Assim, garantia a vitória do Brasil na guerra do Paraguai, no último confronto armado em que nosso país esteve ativamente envolvido.
QUEM FOI ALMIRANTE BARROSO?
Francisco Manoel Barroso da Silva nasceu em Lisboa, Portugal, em 29 de setembro de 1804.
Portanto, ainda criança, veio para o Brasil, acompanhando sua família durante o período em que a família real se estabeleceu no país.
Dessa forma, em 1821 ingressou como Aspirante na Academia de Marinha, onde iniciou sua formação militar.
Entretanto, durante os anos de estudo, tornou-se grande amigo de Joaquim Marques Lisboa, futuro Marquês de Tamandaré, com quem manteria uma estreita relação ao longo da carreira.
GUERRA DA CISPLATINA E OUTRAS REVOLTAS
Assim, após sua formação, serviu como Guarda-Marinha e Tenente na Guerra da Cisplatina (1825-1828), um dos primeiros conflitos enfrentados pelo recém criado Império do Brasil.
Nos anos seguintes, participou de importantes campanhas militares para a consolidação da unidade nacional, atuando no combate à Revolta da Cabanagem, na região amazônica.
Em 1836 assumiu o comando do brigue Brasileiro e, três anos depois, foi nomeado vice-diretor da Academia de Marinha.
Entretanto, sua permanência no cargo foi breve, pois logo foi convocado para atuar no sul do país contra os rebeldes da Guerra dos Farrapos, conflito que ameaçava a integridade territorial do Império.
BATALHA DO RIACHUELO
Já como Capitão de Mar e Guerra, em 1852 foi enviado em missão especial ao Oceano Pacífico, residindo em Montevidéu, no Uruguai.
Assim, durante este período, constituiu família.
Ali também exerceu importantes funções navais, sendo posteriormente substituído por Tamandaré no comando das forças brasileiras na região.
Portanto, seu maior momento ocorreu durante a Guerra do Paraguai (1864-1870).
Escolhido para comandar a esquadra brasileira, liderou a histórica Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865.
A vitória brasileira foi decisiva para o controle dos rios da Bacia do Prata e tornou-se um dos mais importantes feitos militares da história do país.
Graças a esta vitória a Marinha brasileira passou a comemorar seu dia nesta data.
Pouco tempo depois participou das operações contra a fortaleza de Humaitá, outra posição estratégica paraguaia. Durante os combates, pronunciou a célebre frase: “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”, que se tornou um dos lemas mais conhecidos da Marinha do Brasil.
HONRARIAS E MORTE
Em reconhecimento aos serviços prestados, recebeu a Comenda da Ordem do Cruzeiro.
Também passou a ter direito a uma pensão anual e o título nobiliárquico de Barão do Amazonas.
Uma homenagem à fragata Amazonas, sua nau capitânia na Batalha do Riachuelo.
Assim, após décadas dedicando-se à Marinha do Brasil, deixou o posto de Almirante em 9 de maio de 1873.
Faleceu em Montevidéu, em 8 de agosto de 1882, aos 77 anos sendo uma das maiores referências de nossas forças navais.
A RUA
Localizada no bairro do Campo Grande, com cerca de 700 metros, recebeu a denominação em 17 de abril de 1923 pela Lei nº 688.
Assim, a lei foi assinada pelo então vice-prefeito municipal em exercício, Arnaldo Ferreira de Aguiar.
Ele atribuiu o nome de Almirante Barroso à então Rua 127, como conhecemos hoje.
No entanto, antes disso, o logradouro quase foi parar no Centro da cidade e no Boqueirão.
Na sessão da Câmara Municipal de 18 de junho de 1919, foi proposto a mudança do nome do Largo 7 de Setembro, no Centro para Praça Almirante Barroso.
Porém, na mesma ocasião, o vereador Guilherme Aralhe apresentou a sugestão para que a Rua da Paz, no Boqueirão, passasse a levar o nome do herói da batalha de Riachuelo.
Segundo sua justificativa, o nome “Paz” poderia ter significado apenas para aquele momento histórico, mas não conservaria, no futuro, a mesma ideia que inspirou sua denominação.
A proposta de alteração do Largo 7 de Setembro acabou prevalecendo, sendo promulgada em 16 de fevereiro de 1921 pelo prefeito cor. Joaquim Montenegro.
A lei entrou em vigor em 1º de janeiro de 1922, transferindo para outro local o nome Largo Sete de Setembro.
No entanto, em 1923 tudo foi revogado, com o Largo voltando para o local que está até hoje e Barroso nomeando uma rua no Campo Grande.
Em 2014, com as obras do VLT a via passou a ter ligação direta com a Rua Sergipe, além de ter parte do seu sentido invertido.
Na Baixada Santista, Cubatão, Guarujá, Peruíbe e Praia Grande homenageiam em seus logradouros o líder da fragata brasileira na guerra do Paraguai.
Em Lisboa, cidade natal do chefe-naval, existe uma rua em sua homenagem, além disso há uma placa na casa onde nasceu.
