Ponto de vista
Volatilidade da mão de obra
Humberto Challoub
Pesquisa recente do Ministério do Trabalho e Emprego constatou uma realidade extremamente preocupante: a maioria dos jovens que estão ingressando no mercado de trabalho não permanecem por muito tempo, fenômeno que já vem sendo chamado de “crise da permanência no trabalho” e que torna ainda maior o desafio de o País superar a contínua escassez de mão de obra qualificada.
Considerado como um dos principais entraves para elevar os níveis de produtividade nacional, a falta de profissionais qualificados representa um fator impeditivo para que as metas de desenvolvimento almejadas para as próximas décadas sejam alcançadas.
Os desafios a serem superados para evitar os prejuízos às atividades produtivas são imensos, especialmente quando se sabe da necessidade de potencializar a capacidade de o Brasil se consolidar também como referência na criação de novas tecnologias e na produção de produtos com maior valor agregado.
Diversos estudos elaborados por instituições envolvidas em gestão de recursos humanos e preparação de quadros de pessoal há muito chamam a atenção para a carência de profissionais qualificados para atender a contento as demandas geradas por investimentos nas áreas industriais e que atuam no fornecimento de energia limpa.
Dificilmente será possível formar novas gerações de profissionais capazes de ocupar, com eficiência e responsabilidade, as vagas a serem oferecidas, favorecendo assim a continuidade de políticas assistencialistas insustentáveis para o futuro
Isso se deve, principalmente, a negligência com as políticas de educação pública, fruto do desinteresse irresponsável de governos seguidos, que condenou o trabalhador brasileiro à desqualificação.
Setores como metalurgia, construção civil e saúde há muito encontram dificuldades de contratar profissionais em quantidade suficiente para atender suas necessidades, uma tendência que agora começa a afetar outros segmentos importantes como os ligados às áreas de turismo, construção naval e agropecuária.
A tarefa de preparar a mão de obra necessária para alavancar o desenvolvimento brasileiro passa obrigatoriamente por uma política de educação consistente, com a valorização do ensino básico e profissionalizante adequado às necessidades regionais, este último muitas vezes considerado uma atividade menor.
Da mesma forma, é preciso desonerar as empresas dos custos decorrentes da folha de pagamento, permitindo assim a possibilidade de tornar os salários mais atrativos e adequados às necessidades reais dos trabalhadores.
Sem isso, dificilmente será possível formar novas gerações de profissionais capazes de ocupar, com eficiência e responsabilidade, as vagas a serem oferecidas, favorecendo assim a continuidade de políticas assistencialistas insustentáveis para o futuro.