PMEs da Baixada Santista podem ampliar exportações com Porto e ZPE
A Baixada Santista pode ganhar um novo impulso no comércio exterior nos próximos anos. A expansão do Porto de Santos e os estudos para implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) reforçam o potencial da região para atrair novos negócios internacionais.
No entanto, especialistas destacam que a localização estratégica precisa estar aliada ao planejamento financeiro. Dessa forma, pequenas e médias empresas (PMEs) conseguem aproveitar as oportunidades com mais segurança.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 360 mil pequenas e médias empresas. Porém, menos de 12 mil atuam no mercado exportador. Ou seja, menos de 4% das PMEs brasileiras vendem seus produtos para outros países.
Além disso, muitos pequenos negócios começam sua jornada internacional pela importação. Esse primeiro contato envolve fornecedores estrangeiros, pagamentos internacionais e gestão do câmbio.
“Existe a percepção de que a internacionalização começa quando a empresa fecha sua primeira venda para o exterior. Porém, na prática, ela costuma começar antes, na primeira operação de importação, na contratação de um fornecedor internacional ou no primeiro contato com o câmbio”, explica Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate da Moneycorp.
Segundo ele, uma boa estratégia financeira ajuda as empresas a crescerem com mais segurança.
Porto de Santos amplia oportunidades para pequenos negócios
A Baixada Santista reúne aproximadamente 210 mil pequenos negócios e possui uma vantagem importante: a proximidade com o Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina.
Essa estrutura reduz distâncias, facilita operações e cria um ambiente favorável para empresas interessadas em importar ou exportar.
Apesar disso, a facilidade logística não elimina os desafios financeiros. Pequenas e médias empresas costumam ter menos capacidade para enfrentar oscilações do dólar.
Por exemplo, uma mudança inesperada no câmbio pode aumentar custos de importação, reduzir lucros ou afetar a competitividade de uma exportação.
Planejamento financeiro será essencial para internacionalização
Com os novos investimentos previstos para o Porto de Santos e projetos ligados à exportação, a expectativa é que mais empresas da região busquem oportunidades no mercado internacional.
Nesse cenário, a gestão cambial passa a fazer parte da estratégia das PMEs.
“A Baixada Santista reúne características que poucas regiões brasileiras possuem: um ecossistema empresarial robusto e acesso direto ao principal porto da América Latina. Essa vantagem logística cria um ambiente muito favorável para novos exportadores e importadores, mas precisa vir acompanhada de previsibilidade financeira”, destaca Freymuller.
De acordo com o executivo, internacionalizar uma empresa não significa apenas conquistar clientes em outros países. O processo exige planejamento, controle financeiro e conhecimento dos impactos do câmbio.
“Quando a empresa conhece sua exposição cambial e consegue administrá-la, ela reduz incertezas e toma decisões com muito mais confiança para crescer no mercado internacional”, conclui.