Excesso de pele após emagrecimento aumenta procura por cirurgia plástica
O avanço dos medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, mudou a forma como muitas pessoas tratam a obesidade e o sobrepeso. Com perdas de peso mais expressivas, cresce também a procura por cirurgias plásticas para remover o excesso de pele e recuperar o contorno corporal.
Além da questão estética, a flacidez após o emagrecimento pode provocar desconforto físico, dificuldades para realizar atividades do dia a dia e impactos na autoestima. Por isso, especialistas observam um aumento na busca por procedimentos reparadores.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), esse movimento já era comum entre pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. No entanto, agora também ocorre entre pessoas que emagreceram com medicamentos.
“Os medicamentos trouxeram uma nova realidade. Hoje vemos pessoas que conseguem perder 20, 30 ou até mais quilos sem recorrer à cirurgia bariátrica. Naturalmente, parte desses pacientes começa a lidar com as consequências que uma perda de peso importante pode trazer para a pele e para o contorno corporal”, afirma.
Excesso de pele vai além da estética
Embora muitas pessoas relacionem o excesso de pele apenas à aparência, o problema pode comprometer a qualidade de vida.
Entre as principais queixas estão:
- assaduras frequentes;
- dificuldade para praticar exercícios físicos;
- limitações na escolha de roupas;
- desconforto durante atividades cotidianas;
- dificuldade para manter a higiene em algumas regiões do corpo.
De acordo com o especialista, esses fatores justificam a procura crescente por tratamentos.
“Existe uma percepção de que essas cirurgias são exclusivamente estéticas, mas muitos pacientes relatam incômodos físicos importantes. Dependendo do caso, o excesso de pele pode interferir na mobilidade, na higiene e até na prática de exercícios”, explica.
Além disso, estudos mostram que a pele possui capacidade limitada de retração após grandes perdas de peso. A elasticidade varia conforme idade, genética, qualidade da pele e hábitos de vida.
O rosto também sofre alterações
As mudanças provocadas pelo emagrecimento não acontecem apenas no abdômen, braços ou pernas. O rosto também pode perder gordura de forma significativa.
Nas redes sociais, esse efeito ficou conhecido como “Ozempic Face”, expressão usada para descrever uma aparência mais envelhecida ou cansada após uma perda acelerada de peso.
Segundo Dr. Josué Montedonio, entretanto, o termo pode causar interpretações equivocadas.
“Não é uma consequência específica de um medicamento. O que acontece é que o rosto também perde gordura quando a pessoa emagrece. Em alguns indivíduos, isso pode resultar em maior flacidez ou perda de volume facial.”
Nem todos os pacientes precisam de cirurgia
Apesar do aumento da procura por procedimentos, os especialistas destacam que a cirurgia plástica não é indicada para todos os pacientes.
Cada caso deve ser avaliado individualmente. A recomendação é aguardar a estabilização do peso antes de definir qualquer tratamento cirúrgico.
“É importante que o processo de emagrecimento esteja consolidado. Quando o peso ainda oscila muito, fica mais difícil prever os resultados e definir a melhor estratégia de tratamento”, orienta o cirurgião.
Além do peso estabilizado, a avaliação médica considera o estado nutricional, as condições clínicas e as expectativas do paciente.
Emagrecimento continua sendo o principal objetivo
Para os especialistas, o crescimento da procura por cirurgias reparadoras reflete uma nova etapa no tratamento da obesidade.
Primeiro, o foco é conquistar uma perda de peso saudável e reduzir os riscos associados ao excesso de gordura corporal. Depois, caso exista necessidade, é possível discutir procedimentos para melhorar o conforto, a funcionalidade e o bem-estar.
“O excesso de pele costuma surgir justamente após uma conquista importante para a saúde. O objetivo principal continua sendo o emagrecimento e seus benefícios metabólicos. A discussão sobre tratamentos reparadores aparece em um segundo momento, quando o paciente busca melhorar conforto, funcionalidade e bem-estar”, conclui o Dr. Josué Montedonio.