Ponto de vista
Ampliar rotas para as exportações
Humberto Challoub
A confirmação da taxação de produtos brasileiros pelos EUA e a resistência da Europa em aceitar uma maior participação do País no mercado formado por nações daquele bloco evidencia a necessidade de o Brasil estabelecer novas fronteiras para ampliar os resultados positivos de sua balança comercial.
A redução dos investimentos produtivos e a pequena ampliação dos níveis de consumo interno ocorrido nas últimas décadas ainda não garantem a imunidade do Brasil em relação ao resto do mundo, com impactos gerados pelo mercado externo nos preços internos a partir das variações nas ofertas de demanda e cambiais e, o que é pior, resultando no fechamento de postos de trabalho de empresas que têm na exportação a principal fonte de receita.
Assim, não há como garantir que o País fique incólume diante das ocorrências no cenário internacional, agora também expressa pela elevação dos preços do petróleo e, por consequência, dos combustíveis.
Portanto, mais do que nunca, torna-se imprescindível adotar medidas urgentes para amenizar os efeitos restritivos que, em médio e longo prazos, acabarão por afetar a cadeia produtiva brasileira.
O mundo que se preconizou globalizado hoje estabelece novas barreiras protecionistas e impõe a necessidade de acelerar acordos bilaterais para redirecionar demandas produtivas.
A elevada taxa de juros praticada no País, a expressiva diminuição dos recursos disponíveis para atender linhas de crédito, o aumento dos níveis de endividamento da população e a propagação de um surto de desconfiança em relação aos movimentos políticos-eleitorais, são fatores que também deverão afetar o ambiente interno de negócios, que pode se agravar ainda mais com a desaceleração da economia das grandes potenciais, principais clientes das matérias-primas e insumos básicos oferecidos por países emergentes como o Brasil.
O mundo que se preconizou globalizado hoje estabelece novas barreiras protecionistas e impõe a necessidade de acelerar acordos bilaterais para redirecionar demandas produtivas.
Os entraves criados para dificultar uma maior participação brasileira no comércio global servem como advertência para a necessidade de o País estabelecer novas rotas de comércio visando reduzir, de forma gradativa e contínua, a indesejável dependência das grandes potências.
Da mesma forma, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de se promover ações mais eficazes visando fortalecer o mercado consumidor interno, por meio de políticas de incentivo que visem elevar os níveis de renda, assegurando assim o acesso aos produtos nacionais, possibilitando assim manter e criar novas de vagas de emprego em território nacional.