Ponto de vista
Escolher com muito critério
Com o início do processo eleitoral, a partir da realização das convenções partidárias que irão oficializar os nomes dos candidatos que participarão do pleito deste ano, postulantes aos cargos em disputa darão início a propagação de suas propostas visando a conquista dos eleitores.
Com orientações mais restritivas para o uso dos mecanismos de publicidade e maior rigor no trato das questões contábeis, uma vez que as campanhas fazem uso de recursos públicos destinados pelo fundo eleitoral, as normas eleitorais vigentes acabam impondo um grau maior de dificuldade às candidaturas que irão debutar neste pleito, especialmente aos candidatos postulantes a cadeiras nos legislativos federal e estaduais.
Agora em montantes infinitamente menores, a maior parte desses recursos acabam sendo preferencialmente canalizados às candidaturas que buscam a renovação de mandatos, notadamente aos que conseguiram utilizar o tempo no cargo para estabelecer relações de interesses, consolidar a participação no meio político e ampliar suas bases eleitorais.
As dificuldades impostas às novas candidaturas tornam a disputa desequilibrada, por outro ela poderá limitar consideravelmente a possibilidade de sucesso de oportunistas, sem representatividade política ou qualquer vínculo ideológico
Da mesma forma, haverão de levar vantagem adicional os postulantes que, ao longo dos últimos anos, mantiveram a regularidade de exposição na mídia, participando com assiduidade dos espaços destinados pelos meios de comunicação e pelo uso constante das redes sociais, o que lhes permitiu construir uma audiência que agora poderá resultar em significativo adicional de votos.
Igualmente relevante é a tendência de favorecimento aos candidatos que representam interesses de segmentos específicos, como os religiosos, pois terão o aporte de votos de comunidades unidas em torno de propósitos comuns, que vão muito além dos ideários partidários.
Se, por um lado, as dificuldades impostas às novas candidaturas tornam a disputa desequilibrada, por outro ela poderá limitar consideravelmente a possibilidade de sucesso de oportunistas, sem representatividade política ou qualquer vínculo ideológico com seu partido, que se valiam somente do poder econômico para conquistar cargos de relevância política.
Por certo, o atual processo eleitoral mais uma vez encontrará nas redes sociais uma eficaz ferramenta de propaganda e importante espaço para o fomento do debate democrático, especialmente porque favorece a interação, permitindo assim a construção de um futuro mandato compartilhado.
Por isso, mais do que nunca, será fundamental que o eleitor participe de forma efetiva e interessada, identificando os candidatos comprometidos com o bem comum.