Teatros da Amazônia conquistam título de Patrimônio Mundial da Unesco
O Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), agora fazem parte da lista de Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A entidade aprovou a candidatura conjunta na madrugada desta segunda-feira (27), reconhecendo o valor histórico, arquitetônico e cultural dos dois espaços.
Os dois teatros formam a candidatura denominada Teatros da Amazônia. A iniciativa destacou a importância dos edifícios, construídos durante o ciclo da borracha, período que impulsionou o desenvolvimento econômico da região no fim do século XIX.
Reconhecimento fortalece o patrimônio brasileiro
Com essa conquista, o Brasil passa a contar com 26 bens culturais, naturais e mistos inscritos na lista de Patrimônio Mundial da Unesco.
Além dos Teatros da Amazônia, a organização já reconheceu Brasília, Ouro Preto, os centros históricos de Salvador e São Luís, o Complexo de Conservação da Amazônia Central e os sítios mistos de Paraty e Ilha Grande.
Dessa forma, o país amplia sua presença entre os patrimônios de maior relevância para a humanidade.
Theatro da Paz marcou o início da ópera na Amazônia
Belém inaugurou o Theatro da Paz em 1878. O engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães desenvolveu o projeto inspirado no tradicional Teatro alla Scala, de Milão, na Itália.
A construção ocorreu entre 1869 e 1874. No entanto, investigações sobre os custos da obra adiaram a inauguração até a conclusão do processo.
O teatro combina elementos neoclássicos com características amazônicas. Além disso, o projeto incluiu um fosso para orquestra, que proporciona excelente equilíbrio entre os instrumentos e as vozes durante as apresentações.
Ao longo dos anos, a administração realizou reformas para corrigir problemas estruturais. Também instalou uma caixa d’água de 40 mil litros sob o fosso, que melhorou a acústica e abasteceu o sistema de resfriamento.
Hoje, o Theatro da Paz figura entre os principais teatros líricos do Brasil. Além disso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) protege oficialmente o imóvel.
Teatro Amazonas preserva sua arquitetura original
Manaus inaugurou o Teatro Amazonas em 1896, no Centro Histórico da cidade. Antônio José Fernandes Júnior criou o projeto arquitetônico, enquanto o Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa fez a seleção em 1883.
Entretanto, os altos custos da obra e a definição do terreno atrasaram o início da construção. Depois disso, o arquiteto italiano Celestial Sacardim coordenou os trabalhos.
O edifício apresenta arquitetura renascentista e reúne materiais importados da Europa. Entre os principais destaques está a cúpula revestida por cerca de 36 mil peças de cerâmica fabricadas na Alsácia, na França, formando as cores da bandeira brasileira.
No interior, o decorador pernambucano Crispim Amaral reuniu elementos neoclássicos e ecléticos. Além disso, o artista italiano Domenico de Angelis produziu a decoração do Salão Nobre e pintou o afresco A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia.
Atualmente, o Teatro Amazonas mantém grande parte da arquitetura e da decoração originais. Por esse motivo, o Iphan reconheceu o edifício como Patrimônio Histórico Nacional em 1966.
Reconhecimento amplia a visibilidade internacional
Agora, o título concedido pela Unesco fortalece a preservação dos dois teatros e amplia a projeção internacional da cultura amazônica. Além disso, o reconhecimento valoriza a história do ciclo da borracha, incentiva o turismo cultural e reforça a importância do patrimônio histórico brasileiro para as futuras gerações.
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