Baixada Santista acelera obras de saneamento
Três décadas depois da criação da Região Metropolitana da Baixada Santista, a região vive um novo ciclo de transformação na infraestrutura de saneamento. A Sabesp afirma que já aplicou R$ 2,4 bilhões desde julho de 2024 e prevê outros R$ 8,1 bilhões em investimentos entre 2026 e 2029.
Ao todo, os recursos chegam a R$ 10,5 bilhões no período, segundo a companhia. O objetivo é enfrentar problemas históricos de abastecimento de água e esgotamento sanitário e, ao mesmo tempo, preparar os nove municípios para o crescimento urbano, os períodos de estiagem, os eventos climáticos extremos e o aumento da população durante o verão.
O planejamento prevê 170,6 quilômetros de redes de água, 596 quilômetros de redes de esgoto, 20 novos reservatórios, três estações de tratamento de água (ETAs), seis estações de tratamento de esgoto (ETEs) e dezenas de estações elevatórias.
A mudança ocorre após décadas de expansão urbana e de aumento da demanda. Desde a criação da Região Metropolitana, em 1996, a infraestrutura avançou, mas ainda enfrenta desafios relacionados à densidade populacional, às áreas de manguezal, às comunidades vulneráveis e à forte variação da população durante a temporada de verão.
Hoje, o desafio é ampliar a estrutura para que a Baixada Santista possa crescer com mais segurança hídrica e melhor cobertura de saneamento.
Saneamento mudou desde 1996
Em 1996, a Baixada Santista apresentava uma estrutura de saneamento menor e menos integrada. Naquele período, apenas Cubatão, Santos, São Vicente e Praia Grande contavam com um sistema de abastecimento interligado, atendido pela ETA Cubatão.
Entre Santos e São Vicente, o Reservatório-Túnel Santa Tereza-Voturuá, criado na década de 1980, já tinha papel importante. A estrutura continua em operação e possui capacidade para armazenar 110 milhões de litros de água tratada.
Desde então, a infraestrutura regional avançou.
No início dos anos 2000, o abastecimento de Guarujá foi interligado ao sistema de Santos, entre os bairros Vila Lygia e Ponta da Praia. Também foram construídas a ETA Jububatuba, em Guarujá; a ETA Mambu-Branco, em Itanhaém; e o Centro de Reservação Melvi, em Praia Grande.
No mesmo período, a companhia ampliou as redes de coleta de esgoto em todas as cidades da Baixada. Além disso, construiu 10 estações de tratamento de esgoto em Bertioga, Cubatão, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe.
Em Santos, a empresa reformou e modernizou a Estação de Precondicionamento de Esgoto (EPC) e prolongou o emissário submarino.
Reservação de água ganhou reforço
Entre as obras mais recentes, a Sabesp destaca a entrega de oito novos reservatórios de água tratada em Bertioga, Guarujá, Itanhaém, Peruíbe, Santos e São Vicente.
Juntos, eles acrescentaram 60,5 milhões de litros à capacidade de reservação do sistema.
A companhia também concluiu a ampliação da ETA Mambu-Branco. A obra dobrou a capacidade da estação, que passou de 1.600 para 3.200 litros por segundo.
Em junho de 2026, a Sabesp entregou ainda dois novos reservatórios, que ampliaram em 20 milhões de litros a capacidade de armazenamento para atender cerca de 1,2 milhão de pessoas em Itanhaém, Peruíbe, Mongaguá, Praia Grande e na área continental de São Vicente.
Investimentos também avançam no esgoto
Em Mongaguá, os investimentos chegam a R$ 139 milhões e beneficiam cerca de 147 mil pessoas.
Já em Praia Grande, a Sabesp investe R$ 401 milhões para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto. A previsão é beneficiar aproximadamente 95 mil moradores.
Em Peruíbe, os investimentos somam R$ 106 milhões e reforçam o abastecimento e a reservação de água para cerca de 50 mil pessoas.
Segundo a empresa, as obras aumentam a capacidade dos sistemas para enfrentar períodos de estiagem e picos de consumo durante o verão.
Verão pressiona sistemas de abastecimento
O crescimento da população durante a temporada continua sendo um dos principais desafios da região.
Segundo a Sabesp, no último verão o litoral paulista recebeu cerca de 30% mais pessoas durante as festas de fim de ano do que a média registrada nos dez anos anteriores.
Ao mesmo tempo, as altas temperaturas elevaram o consumo de água para patamares até 60% superiores à média em algumas cidades, na comparação com o ano anterior.
Diante desse cenário, a companhia reforçou em 40% as equipes de plantão e utilizou dezenas de caminhões-pipa para complementar o abastecimento em áreas consideradas mais críticas.
Entre 29 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026, os caminhões-pipa entregaram mais de 12 milhões de litros de água.
A Sabesp avalia que a infraestrutura não acompanhou, durante décadas, o mesmo ritmo do crescimento urbano e do aumento sazonal da demanda. Por isso, a empresa considera que a região acumulou um passivo histórico.
Mudanças climáticas aumentam desafios
Além do crescimento populacional, as mudanças climáticas passaram a exigir novas estratégias de operação.
De acordo com a Sabesp, o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas alteram as condições naturais da região. Períodos historicamente chuvosos podem registrar pouca precipitação. Em contrapartida, chuvas torrenciais podem ocorrer em intervalos curtos.
Em 2025, segundo a companhia, a região enfrentou temperaturas recordes e índices pluviométricos entre os menores dos últimos anos.
Com menos chuva, os rios registram redução de volume. Isso diminui a vazão disponível para captação e tratamento.
Por outro lado, as chuvas intensas carregam lama, terra e troncos para os rios. Esse material pode obstruir sistemas de captação e alterar a qualidade da água dos mananciais. Em situações extremas, a Sabesp precisa interromper temporariamente o tratamento.
As enxurradas também podem alagar vias públicas por longos períodos. Além disso, a sobrecarga das redes pode afetar os sistemas de coleta de esgoto por causa de infiltrações ou ligações indevidas.
Para identificar esses problemas, a companhia utiliza equipamentos de televisionamento, testes de fumaça e testes com corante atóxico.
Dez bilhões para transformar a infraestrutura
A Sabesp afirma que o atual ciclo representa uma mudança no ritmo de investimentos.
Segundo a companhia, o investimento médio anual por habitante passou de R$ 313 para R$ 980.
A empresa contabiliza R$ 2,4 bilhões aplicados desde 2024 e prevê outros R$ 8,1 bilhões até 2029, chegando aos R$ 10,5 bilhões.
A programação contempla os nove municípios da Baixada Santista e prevê a expansão das redes de abastecimento e de coleta de esgoto, além de novas estruturas de tratamento, bombeamento e reservação.
A Sabesp afirma que o volume dos 20 novos reservatórios previstos supera a capacidade do Reservatório-Túnel Santa Tereza/Voturuá, atualmente considerado o maior centro de reservação de água tratada da região.
Bertioga terá R$ 1,15 bilhão
Bertioga está entre as cidades que receberão grandes obras.
A previsão da Sabesp é investir R$ 1,15 bilhão no município.
Um dos principais projetos prevê a integração de Bertioga ao sistema de abastecimento por meio de uma nova captação de água bruta no rio Itatinga e da construção de uma nova estação de tratamento de água.
A companhia também vai ampliar a ETE Vista Linda. A intervenção modernizará a estrutura e aumentará a eficiência operacional da unidade.
Mambu-Branco terá novos reservatórios
Em Itanhaém, a Sabesp constrói o Centro de Reservação Mambu-Branco.
A obra tem investimento previsto de R$ 85 milhões e conclusão programada para novembro de 2026.
O projeto prevê quatro novos reservatórios de água tratada. Dois já foram entregues.
Quando concluídos, os quatro reservatórios terão capacidade conjunta de 40 milhões de litros.
A estrutura atenderá aproximadamente 1,2 milhão de moradores e turistas de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e da área continental de São Vicente.
Nova ligação entre Santos e Guarujá
Outra obra estratégica é a Travessia Subaquática para Guarujá.
O projeto tem investimento de R$ 134,7 milhões e previsão de conclusão em agosto de 2026.
A nova adutora terá 5,56 quilômetros de tubulação. Desse total, aproximadamente 4 quilômetros já foram instalados sob o solo de Santos e Guarujá.
O trecho restante terá cerca de 1,7 quilômetro e ficará submerso sob o Canal do Porto.
A estrutura permitirá transferir até 500 litros de água por segundo e reforçará o abastecimento do distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá.
São Vicente receberá reforço do litoral sul
Também está em andamento uma nova interligação para São Vicente.
O projeto possui investimento de R$ 46 milhões e previsão de conclusão em agosto de 2026.
A Sabesp instala aproximadamente 8 quilômetros de adutora e constrói uma estação de bombeamento.
A estrutura levará água da ETA Mambu-Branco, em Itanhaém, para reforçar o abastecimento de São Vicente.
Com a nova ligação, a companhia pretende reduzir a dependência da transferência de água da ETA Cubatão para o município.
ETA Melvi será ampliada em Praia Grande
A ETA Melvi tem conclusão prevista para janeiro de 2027. A estação ampliará a produção de água em 1.270 litros por segundo e terá capacidade para atender aproximadamente 650 mil moradores e turistas.
A Sabesp utiliza tecnologia modular industrializada no projeto. A solução busca aumentar a segurança operacional e criar capacidade para sustentar o crescimento da cidade nas próximas décadas.
ETE Vista Linda será ampliada em Bertioga
A ampliação da ETE Vista Linda, em Bertioga, tem conclusão prevista para janeiro de 2028.
A modernização prepara o município para a universalização dos serviços de coleta de esgoto.
A obra ocorre simultaneamente à expansão das redes e permitirá tratar todo o esgoto coletado pelo sistema ampliado.
A estrutura deverá beneficiar aproximadamente 67,7 mil pessoas.
Saneamento chega a áreas vulneráveis
A expansão também inclui regiões que permaneceram durante anos fora da infraestrutura pública de saneamento.
A Sabesp realiza obras de implantação de novas redes, ligações domiciliares e estações elevatórias.
Além de ampliar o atendimento atual, os projetos buscam preparar os sistemas para o crescimento futuro das cidades.
A companhia afirma que as obras também reduzem o lançamento de esgoto nos corpos d’água e contribuem para melhorar a balneabilidade, a saúde pública e a qualidade ambiental da Baixada Santista.
Dique da Vila Gilda exige solução específica
Em Santos, um dos projetos mais complexos ocorre no Dique da Vila Gilda, considerado pela Sabesp um dos principais símbolos do desafio da universalização do saneamento.
A comunidade reúne aproximadamente 10 mil moradores, em uma área de manguezal.
Nesse cenário, as soluções tradicionais de saneamento não funcionam da mesma forma.
Por isso, a companhia utiliza uma solução específica. Em vez de instalar redes subterrâneas, as tubulações acompanham as passarelas elevadas.
O projeto prevê conectar aproximadamente 3 mil moradias às redes de água e esgoto.
Segundo a Sabesp, a intervenção melhora as condições de saúde da população, reduz o lançamento de esgoto no Rio dos Bugres e contribui para a recuperação ambiental do manguezal.
Tecnologia ajuda a combater vazamentos
A expansão da infraestrutura vem acompanhada de novas tecnologias.
A Sabesp afirma que utiliza imagens de satélite combinadas com inteligência artificial para identificar possíveis vazamentos nas redes.
A companhia também incorporou recursos de robótica às operações.
Um dos exemplos é o Sabescão, cachorro-robô utilizado para inspecionar tubulações e ambientes confinados.
O equipamento pode atuar em locais com riscos para trabalhadores, como áreas com falta de oxigênio, vazamentos de gases tóxicos ou presença de animais peçonhentos.
Obras buscam antecipar universalização
Aos 30 anos da criação da Região Metropolitana, a Baixada Santista encara o desafio de preparar sua infraestrutura para as próximas décadas.
Para a Sabesp, o objetivo vai além da execução de obras isoladas. A companhia afirma que pretende construir uma infraestrutura regional capaz de ampliar a segurança hídrica, aumentar a resiliência dos sistemas e antecipar a universalização do saneamento.
A estratégia envolve ampliar a capacidade de abastecimento, aumentar a reservação, expandir a coleta e o tratamento de esgoto e levar os serviços para áreas que historicamente ficaram sem atendimento adequado.
Com isso, a empresa pretende preparar a Baixada Santista para o crescimento urbano, os períodos de estiagem, as chuvas intensas e o aumento sazonal da população.
A meta, segundo a companhia, é acelerar as obras para reduzir o déficit histórico de infraestrutura e deixar soluções permanentes para a região.
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