Bigail, a menina que fez rir gerações, está de volta em livro
Bigail!, a menina que encantava gerações nos anos 90 e 2000, está de volta.
Afinal, seu criador, o jornalista e ilustrador Sergio Ribeiro Lemos, o Seri, não imaginaria que a levada menina abrisse-lhe as portas.
Além de milhares de tiras publicadas por anos, a personagem virou tema de campanhas publicitárias comerciais (garota-propaganda da extinta Drogaria Iporanga) e também da Companhia de Engenharia de Trânsito – CET Santos para campanhas educativas.
Aliás, a personagem é fruto da criação baseada em sua irmã, Zélia, no final dos anos 80.
Em 1988, ele propôs ao então editor-chefe de A Tribuna, Carlos Klein, a criação das tirinhas.
Ele indagou “você vai conseguir entregar 30 tiras por mês?”.
E o desafio foi aceito.
“Os ganhos não eram tão vantajosos (U$ 1 – R$ 5,5 por tira em valores atuais), mas me disciplinei a produzi-las em casa”, explicou durante participação no Jornal Enfoque, onde falou sobre o lançamento do livro.
Assim, no início, ele demorava até duas horas para criar uma tira, com três a quatro quadros em média.
“Quem vê, acha que é simples. Mas eu mergulhei em leituras sobre Psicologia Infantil e de Adolescentes”, explica.
Assim, autores como Bruno Bettleheim, Arnold Gesell, Maria Maldonado, Bill Waterson (Calvin), Quino (Mafalda) passaram a fazer parte da sua biblioteca particular.
Dessa forma, ele passou a produzir 30 artes com antecedência como um roteirista de novela que precisa escrever diversos capítulos antes do início das gravações.

Como surgiu a personagem?
Nascida Cacilda, nome de uma colega jornalista de A Tribuna, mas com mudança de rota em razão de já existir uma outra personagem com o nome homônimo, Seri a rebatizou como ‘Bigail!
Isso após uma interessante estratégia de marketing desenvolvida pelo jornal sob sugestão de Seri.
Nos primeiros quatro dias, a redação do jornal recebeu 420 cupons com sugestões.
Três leitores sugeriram o mesmo nome e acabaram contemplados com prêmios e assinaturas do jornal.
E assim surgiu a ‘Bigail!, originalmente Abigail, mas para evitar transtornos como já ocorrera com o nome Cacilda, ele optou por incluir a exclamação e pelo apóstrofo, que depois desapareceu.
Assim, a preocupação inicial de Seri em relação à mudança de nome da personagem, algo que o deixou abalado, reconhece, chegou ao fim.
Afinal, o nome ‘Bigail! pegou.
Diariamente, o público leitor de A Tribuna tinha risos garantidos ao ler as tirinhas criadas por Seri.
O tempo passou, Seri deixou o jornal e seguiu para o Diário do Grande ABC, principal veículo impresso na ABC Paulista.
No entanto, o vai e vem cansativo da Anchieta-Imigrantes começou a atrapalhar sua criação e assim Bigail! se despediu do público silenciosamente.
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No entanto, diante de tantos pedidos e ouvir tanto as pessoas durante sua prática diária de corrida, especialmente entre aqueles com mais de 40 anos, que perguntavam se ele era o responsável pela criação da personagem, Seri resolveu lançar o livro O Melhor da Bigail! – História da Personagem e coletânea com as melhores tiras da Biga e sua turma, hoje disponível na plataforma Catarse (acesse aqui).
Lá, além de escolher quase 500 das mais de 5 mil tiras produzidas sobre a personagem e turma, como o irmão Big Brother, que tem um capítulo à parte, o mal-humorado menino Joaquim, a Dona Olga, entre outros que compõem a ‘família Bigail!’.
Além disso, o público pode optar por outras recompensas, como livros do próprio autor, ilustrações coloridas e outros ‘mimos’.
“Foi um trabalho de escolha detalhada para compor o livro. Acho que consegui atingir o objetivo”, brinca.
A obra, em preto e branco – como eram as tiras na ocasião -, é formada por quase 120 páginas, em uma produção da jornalista e diretora editorial do Clube do Desapego Literário, Rosa Santos.
Já o prefácio é do escritor, músico, engenheiro e vice-presidente da União Brasileira dos Escritores, Paulo Mauá, que em tom de humor escreveu o texto Odeio ‘Jiló’!.
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