Quedas de árvores expõem desafios da arborização urbana em Santos | Boqnews
Foto: Luigi Bongiovanni
21 de agosto de 2026

Quedas de árvores expõem desafios da arborização urbana em Santos

Os temporais recentes e as quedas de árvores em Santos chamaram a atenção para um problema que envolve não apenas a manutenção da arborização, mas também a capacidade do município de prevenir acidentes e responder à demanda por podas.

 

Vereadores

Além disso, vale mencionar que na sessão da Câmara de Santos do último dia 6 foi abordado sobre os problemas na questão da arborização urbana de Santos.

O vereador de Santos Sérgio Santana (PL) ressaltou que há 9 meses, a Prefeitura está sem o contrato com uma empresa responsável pela poda de árvores.

Ele ainda ressalta que diante das quedas de árvores na Cidade e da previsão de eventos climáticos extremos mais frequentes, a atual política de arborização e manutenção das árvores de Santos precisa ser revista.

Assim como, o vereador Fabrício Cardoso (Podemos) mencionou que recebe mensagens de diversos moradores que tem árvores perto de suas casas e estabelecimentos comerciais, árvores com as copas muito frondosas, ou seja, que estão há tempos sem receber poda, ficando comprometidas.

“Já que está claro que os serviços de poda seguem há tempos comprometido, é preciso priorizar a segurança, é preciso ter uma listagem dessas árvores que estão em situação de risco, porque se uma árvore dessa cai, e como caiu na última ventania e levou uma pessoa em situação de rua ao óbito, é preciso que a Coordenadoria de Paisagismo (Copaisa) priorize a questão da segurança”.

 

Prefeitura de Santos

A Prefeitura de Santos informa que o serviço de poda está sendo executado, excepcionalmente, por equipe própria.  A licitação regular foi iniciada enquanto o contrato anterior ainda estava vigente, mas sofreu adequações e suspensão após questionamentos no TCE-SP. Uma contratação emergencial também foi suspensa por decisão judicial. Paralelamente, a Prefeitura deu continuidade à licitação, realizando o Pregão Eletrônico em 3 de junho.

Após nove empresas serem inabilitadas por não atenderem às exigências técnicas, a décima foi habilitada, mas a decisão recebeu recursos de duas participantes. O processo está em fase de análise e, após essa etapa, poderá avançar para a conclusão do certame e formalização do novo contrato.

 

Requerimentos

Além disso, para ter noção, 143 requerimentos sobre poda de árvores foram protocolados por vereadores nos últimos dois meses de 2026 (junho e julho).

Aliás, a administração acrescentou que o serviço de poda é realizado por equipes próprias da Coordenadoria de Paisagismo (Copaisa). Atualmente, são quatro equipes destinadas ao atendimento de casos de risco iminente e emergências urbanas.

Desse modo, foram podadas 55 árvores entre os meses de junho e julho, além das situações emergenciais. No site da Prefeitura sobre arborização, o tempo de espera para poda chega a quase um ano em vários locais.

 

Temporais

Com os recentes temporais recentes e as quedas de árvores na cidade e considerando a possibilidade de eventos de ventos fortes mais frequentes em razão das mudanças climáticas, a Prefeitura considera que a atual estrutura de manutenção e poda é suficiente para reduzir o risco de quedas de árvores. “Há condições de atendimento em casos de eventos extremos, com apoio das prefeituras regionais. O tempo necessário para a execução dos serviços, no entanto, depende de diversos fatores, como a disponibilidade de recursos e eventuais entraves judiciais.”

 

Meio Ambiente

Segundo a coordenadora/curadora do Herbário da Universidade Santa Cecília (Unisanta) Zélia Rodrigues é importante uma cidade ter a manutenção das árvores da rua, principalmente aquelas árvores que estão há muito mais tempo e que não são da nossa região, porque naturalmente os galhos das árvores acabam morrendo, isso é natural e esses galhos ficam na árvore. Portanto, na primeira ventania, ele acaba caindo.

“Agora, quando cai uma árvore inteira, você tem que reparar bem como a plantaram. Então isso também as pessoas não entendem, fazem um quadrado pequeno e põem a planta. Há casos em que ainda colocam uma mureta em volta, tudo isso para dificultar a entrada de água”.

Mas, o que ocorre? “A raiz vai atrás da água. Então por isso que elas estouram as calçadas, porque o lugar é muito estreito. Assim, ao invés de colocar sem mureta que facilita da água cair, eles colocam a mureta. Então tudo atrapalha. E você pode perceber que é assim. Essas são as árvores que caem porque não aguentam.”

Ela explica ainda que o vento bate e a árvore não está totalmente adaptada àquele espaço. Então, como a raiz dela está à procura de água, ela não está fortalecendo o tronco dela. “Então acaba caindo por isso”, resume.

Outro fator importante é que existe a queda de árvore pelo estado de saúde dela. “Por exemplo, quando ela está doente, com cupim ou outros tipos de doença e ninguém cuida. Então, também é preciso ter esse olhar como olhamos para nós mesmos. Nós fazemos exame de sangue e diversos outros tipos de exames. Com a árvore é igual, ela também precisa disso.”

 

Mudanças climáticas

O professor do Instituto do Mar da Unifesp, Ronaldo Christofoletti, abordou de que maneira o agravamento das mudanças climáticas pode aumentar a ocorrência ou a intensidade de eventos capazes de provocar quedas de árvores nas cidades. “Quando pensamos na mudança do clima, estamos falando do aquecimento da atmosfera, que está levando ao aquecimento do oceano e derretimento da geleira. Então estamos abordando sobre uma alteração dos ciclos de chuva e de vento”.

“Então isso leva para um aumento na frequência desses eventos, que vimos muito mais recentemente, que são ventos fortes em escalas muito altas, acima de 100 km/h atingindo a costa, com chegadas muitas vezes repentinas e ciclones extratropicais.”

Portanto, a mudança do clima, ao ter o aquecimento do planeta, do oceano, degelo, isso altera a frequência de frentes frias, os ciclos de chuva, tudo o que é o deslocamento de massas de ar e umidade. E isso leva desde secas, ondas de calor e chuvas extremas.

“Mas quedas de árvore têm ocorrido mais nesses momentos de um extremo, principalmente de vento. É muito importante entender que a queda da árvore não é culpa do vento. Muitas vezes uma árvore também cai porque ela foi fragilizada da forma no entorno que ela está. Então ela foi podada muitas vezes de uma forma não correta, as suas raízes estão enfraquecidas porque ficou enfurnada com concreto todo ao redor, asfalto e assim por diante”.

 

Arborização urbana

Segundo o especialista, o principal desafio para cidades como Santos na prevenção de quedas de árvores e na adaptação da arborização urbana é garantir que tenha cada vez mais árvores, mas de forma mais saudável.

“Ela é a solução inclusive para os outros impactos da mudança do clima. Ela é a solução de amenizar durante as ondas de calor. A árvore só traz benefícios”, explica.

“A árvore só causa impacto quando destruímos o ambiente natural dela ao redor, quando colocamos só concretos, fios, postes e muros, assim ela fica fragilizada. Então, o bem-estar dessas árvores, os espaços de raiz, eles têm que ser respeitados para que elas estejam na melhor qualidade que elas podem ter de vida, de saúde, mesmo, para resistir melhor quando vem esses eventos extremos”.

“Os planos de arborização precisam considerar árvores que sejam nativas, porque elas já são mais adaptadas a esse tipo de região e não ter árvores que são introduzidas, que vieram de outras regiões do mundo”.

“É importante as árvores que são nativas, e que se tenha um trabalho de cuidado com essas árvores, que nos trazem apenas benefícios. Mas entendendo que elas vão enfrentar eventos extremos de vento”, diz

“Exatamente por isso elas têm que estar fortes e saudáveis, que dependem de estar numa área, numa região, num solo que seja rico, bem cuidado e não totalmente coberto por concreto”, finaliza.

 

Pedidos

Além disso, para os moradores pedirem poda, remoção ou avaliação de uma árvore são feitos por meio do Santos Digital, no link https://santosdigital.acto.net.br/servicos/10204/false.

 

Multas

Aliás, é proibido o corte ou poda de árvores sem autorização da Secretaria de Meio Ambiente.

Todo e qualquer tipo de manejo de árvore (poda, poda de raízes, supressão, etc), seja em área pública ou privada, deverá atender a legislação e ter autorização da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Semam).

No caso de áreas particulares ou projetos/obras que necessitam de algum tipo de manejo/retirada de árvores, deve-se fazer o pedido no Poupatempo (Rua João Pessoa, 246, Centro).

Para a análise da Semam, o interessado precisará apresentar a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do profissional contratado para o serviço. Dessa forma, que providenciará um laudo com a justificativa para o manejo arbóreo.

Para manejos em áreas públicas, o munícipe deve entrar em contato com a Ouvidoria Municipal pelos telefones 162 ou 13 3213-7348, de segunda a sexta, das 7h às 18h30, pelo site www.santos.sp.gov.br/ouvidoria ou pessoalmente no Paço Municipal (Praça Mauá, s/nº – térreo), das 10h às 16h.

O descumprimento da lei é passível de multa que pode chegar até R$ 50 mil. Denúncias podem ser feitas na Ouvidoria ou Guarda Civil Municipal (153).

 

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Da Redação
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