Médica transforma doença em apoio aos portadores de esclerose múltipla
Quando fazia o vestibular para Medicina na Unicamp, a jovem estudante Carolina Aranha percebeu os primeiros sintomas.
Braço dormente, visão turva: tudo na hora de fazer o aguardado vestibular.
Saiu de lá direto para o hospital.
E graças à agilidade no atendimento e apoio familiar, soube que era portadora da esclerose múltipla, doença neurológica crônica e autoimune
Assim, seu mundo literalmente caiu, pois ouviu de muitos que ela jamais poderia se tornar médica.
“Muitos me falavam para escolher outra profissão”, explica.
Porém, ela continuou tentando entrar em uma das mais disputadas faculdades de Medicina do Brasil.
“Foram cinco anos de cursinho. Eu só queria fazer a Unicamp”, relembra a jovem, que teve o primeiro surto há uma década.
Aliás, o stress pela vaga na faculdade certamente foi o gatilho para desenvolver a doença.
Fato que se repetiu no ano passado em razão do acúmulo de atividades profissionais.
Carolina participou do Jornal Enfoque desta sexta (28), onde falou sobre sua história de vida e luta para divulgar a doença.
Novos ares
Porém, seu primo, que já estudava Medicina em Santos, falou para ela ‘mudar de ares’.
E assim, a despeito das altas temperaturas da Cidade – um problema para quem tem a doença -, ela saiu de Campinas rumo a Santos, no litoral paulista, para estudar Medicina.
Concluiu o curso e hoje atua como médica generalista no PS da Santa Casa de Santos.
Além disso, se prepara para fazer especialização na área ortopédica.
E assim, superou os dramas da doença, típica em adultos jovens, especialmente mulheres, entre 20 a 50 anos, ao encarar de frente a esclerose múltipla.
Doença, aliás, que atinge 40 mil pessoas no Brasil.
Mudança de chave
Afinal, graças a uma pergunta de uma paciente que ficou surpresa ao saber o diagnóstico dito por Carolina, ela entendeu o seu papel para o esclarecimento da doença.
“Por que você não fala isso em suas redes sociais?!”, indagou a jovem paciente, hoje sua amiga.
E assim, desde o início deste ano, ela abriu seu Instagram (@carol_aranha) para falar sobre o tema, ganhando cada vez mais espaço e interesse do público sobre o assunto, ainda um tabu, muitas vezes com divulgação de conteúdo deturpado.
Aliás, neste domingo (30), a data é lembrada como Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla – dentro do Agosto Laranja, período dedicado à data e esclarecimento sobre a doença.
Durante o Jornal Enfoque, a médica falou sobre a esclerose múltipla, sintomas, medicamentos de alto custo (“90% garantidos pelo SUS”, diz) e outros assuntos relacionados à doença, inclusive as diferenças entre a esclerose e a ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica.
Inclusive um tema pouco abordado: a depressão decorrente da doença.
“Para quem tem a doença é necessário o acompanhamento de um psicólogo e até psiquiatra”, explica.
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