Os Cochranes – Roberto Simonsen, o Cochrane desconhecido | Boqnews
31 de agosto de 2026

Os Cochranes – Roberto Simonsen, o Cochrane desconhecido

Sobrenome muito comum pelas vias de Santos, os Cochranes tem uma relação familiar com a cidade.

No entanto, nem todos são de fato parentes e outros tem uma relação familiar próxima sem nem imaginarmos, é o caso de Roberto Simonsen.

Simonsen, é sobrinho por parte de mãe de Oswaldo Cochrane, neto e afilhado de Inácio Wallace da Gama Cochrane,o Dr. Cochrane.

Contudo, este Cochrane desconhecido tem grande relevância nacional e municipal, tendo passado pela constituinte de 1934, presidência da FIESP e construído diversos monumentos que são a cara de Santos até os dias de hoje.

QUEM FOI ROBERTO SIMONSEN?

Roberto Cochrane Simonsen nasceu em Santos, em 18 de fevereiro de 1889, em uma família profundamente ligada à história econômica e política da cidade.

Filho de Sidney Martin Simonsen e Robertina Cochrane Simonsen.

Assim, pelo lado materno, descendia da tradicional família Cochrane.

Seu avô e padrinho, Inácio Wallace da Gama Cochrane, foi figura de destaque na vida econômica e política santista durante o ciclo do café.

Portanto, durante sua infância e adolescência a cidade e o Porto passavam por grande crescimento

Foi nesta época que Simonsen desenvolveu a ideia de que obras, infraestrutura, indústria e planejamento eram instrumentos fundamentais para transformar uma sociedade.

Dessa forma, iniciou os estudos em Santos e depois seguiu para São Paulo, onde ingressou na Escola Politécnica.

Formou-se engenheiro civil em 1909, quando tinha apenas 20 anos.

EMPREITEIRA

Depois de formado, iniciou sua carreira profissional trabalhando na área ferroviária.

Assim, pouco tempo depois, retornou para sua terra natal, onde passou a atuar diretamente na administração municipal.

Portanto, entre 1911 e 1912, ocupou funções ligadas às obras e aos melhoramentos urbanos da cidade.

Foi engenheiro-chefe da Comissão de Melhoramentos do Município e diretor-geral de Obras, participando de um momento em que Santos buscava modernizar sua infraestrutura para acompanhar o crescimento econômico e populacional.

Em 1912, aos 23 anos, participou da fundação da Companhia Construtora de Santos e se tornaria uma das grandes companhias de engenharia e construção do país.

SÍMBOLOS DA CIDADE

A Companhia Construtora participou de intervenções que acompanharam a expansão da cidade, incluindo obras de pavimentação, drenagem, urbanização e construção de edifícios.

Da mesma forma, também esteve envolvida na expansão de áreas como a Vila Belmiro e na construção de empreendimentos habitacionais.

Assim, dentre as principais e mais famosas obras da empresa está o prédio da antiga Bolsa do Café e o Monumento da Independência, no Gonzaga.

Ambos inaugurados para o centenário da independência em 1922 e até hoje símbolos de Santos.

FIESP, SENAI E SESI

A partir das décadas de 1920 e 1930, Simonsen ampliou sua atuação empresarial e passou a ocupar posição de destaque no movimento industrial paulista.

Assim, tornou-se uma das principais vozes em defesa da industrialização brasileira e da participação do Estado no planejamento econômico.

Portanto, foi uma das principais lideranças empresariais de São Paulo e participou da organização do movimento industrial.

Essa iniciativa deu origem à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a FIESP, presidindo a entidade entre 1937 e 1945.

Também foi uma das lideranças responsáveis pela criação do Sesi e do Senai em 1946.

CONSTITUINTE

Em 1932, participou do movimento constitucionalista paulista, a Revolução Paulista de 1932.

No ano seguinte, foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte e passou a atuar no cenário político nacional.

Na Constituinte e posteriormente como deputado federal, defendeu ideias relacionadas ao desenvolvimento econômico, à industrialização e à organização do Estado.

HISTORIADOR

Participou da criação da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, em 1933, onde passou a lecionar História Econômica do Brasil.

Seu trabalho mais conhecido nessa área foi História Econômica do Brasil – 1500-1820, publicada em 1937.

SENADOR E O IMORTAL

Depois do fim do Estado Novo e da redemocratização, Simonsen voltou à política. Em 1947, assumiu como senador por São Paulo.

No mesmo período, sua trajetória intelectual ganhou outro reconhecimento.

Em 1945, havia sido eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 3, que teve como ocupante fundador o jornalista Filinto de Almeida, tomando posse no ano seguinte.

MORTE

Roberto Cochrane Simonsen morreu em 25 de maio de 1948, no Rio de Janeiro, aos 59 anos.

A morte aconteceu de maneira repentina no salão nobre da Academia Brasileira de Letras, durante uma recepção ao primeiro-ministro belga Paul van Zeeland, que visitava o Brasil.

COCHRANE OU CÓCRANE?

Existem algumas inconsistências de informações sobre a família Cochrane, tanto o sobrenome como o nome das pessoas, no início do século XX foram modificados, seja por uma questão mais nacionalista, seja pelo fato das letras inglesas K, W e Y não fazerem parte de nosso alfabeto ainda.

Então é comum encontrarmos em documentos e até mesmo nas placas de ruas mais antigas o nome Cócrane ao invés de Cochrane.

A RUA

Com cerca de 180 metros, localizada no Boqueirão, a via foi criada na sessão da Câmara de 28 de maio de 1948, após apresentação do requerimento do vereador Henrique Soler que nomeava a rua 242 para Roberto Simonsen, sendo a única da Baixada Santista

Ronaldo Tarallo Jr.
Ronaldo Tarallo Jr., Ronaldo Tarallo Jr. , jornalista
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