Mirada 2026 leva teatro, dança e performance para Santos e cidades da Baixada Santista
O Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas movimenta Santos e outras cidades da Baixada Santista até 13 de setembro. Nesta 8ª edição, o festival reúne artistas de 15 países e leva teatro, dança e performance para teatros, praças, ruas e espaços históricos.
O Sesc São Paulo organiza a programação, que passa por Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente. Ao longo de dez dias, o público pode acompanhar espetáculos nacionais e internacionais, além de participar de atividades formativas.
Neste ano, o festival escolheu o Equador como país homenageado. Além da mostra equatoriana, a programação reúne as Mostras Internacional e Nacional.
Equador ocupa o centro do festival
A mostra equatoriana reúne sete espetáculos e apresenta diferentes perspectivas da produção artística do país.
Para abrir o festival, o Colectivo Mitómana apresenta “Me·de·as”. A montagem revisita o mito de Medeia e discute maternidade, luto coletivo e resistência aos papéis impostos às mulheres. Para isso, o grupo combina canto, dança e coralidade.
Em seguida, “Papakuna – Agroteatro Cómico Musical”, da Colectiva Yama, valoriza as tradições andinas. A obra transforma o cultivo de batatas nativas em símbolo de resistência cultural e comunitária.
Já “La Trocha”, da Runga Arte Experimental, em parceria com a argentina Melina Seldes, acompanha a travessia de migrantes na fronteira entre Colômbia e Equador.
Mostra internacional reúne 15 países
A Mostra Internacional amplia o intercâmbio entre diferentes culturas. Nesta edição, a Guatemala participa do Mirada pela primeira vez. O festival também recebe produções da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.
As montagens abordam questões que fazem parte do debate contemporâneo, como migração, ancestralidade, justiça climática, repressão política e igualdade de gênero.
Entre os destaques, a espanhola Angélica Liddell apresenta “Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir”. A obra combina erotismo, ritual e referências ao teatro nô japonês.
Enquanto isso, o chileno “Vampyr”, dirigido por Manuela Infante, cria um falso documentário sobre criaturas que desafiam a separação entre natureza e cultura. A montagem também levanta questões relacionadas à sustentabilidade.
Além disso, a argentina Marina Otero apresenta “Ayoub – El amor me enseña a no amar” e questiona o colonialismo afetivo a partir de um relacionamento no Marrocos.
O mexicano Anacarsis Ramos leva ao palco “Mi madre y el dinero”. Na montagem, o diretor divide a cena com a própria mãe, Josefina Orlaineta, e recupera a trajetória dela à frente de mais de 40 negócios.
Produção brasileira ganha espaço
A Mostra Nacional reúne 17 espetáculos e apresenta diferentes caminhos da produção brasileira contemporânea.
Entre as estreias, “…ao mesmo tempo…” junta o Lume Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare. A obra investiga temas como tempo, memória e continuidade.
A Cia. Extemporânea também estreia uma nova versão de “Macbeth”, com um elenco formado por drag queens.
Por sua vez, o Grupo Clariô de Teatro apresenta “Casa do Norte” e celebra 20 anos de trajetória. A montagem reforça a identidade cultural construída pelo grupo em Taboão da Serra.
Festival aproxima crianças e jovens
O Mirada também cria espaços para novos públicos. A programação reúne trabalhos para crianças, jovens e adultos e estimula o contato com diferentes linguagens das artes cênicas.
Um dos destaques infantis, “Vovó Surrealista”, da Cia. de Feitos, parte do livro de Carlos Canhameiro. A história acompanha uma avó analfabeta que finge ler para os netos e inventa suas próprias histórias.
Já o áudio percurso “TESORO, Santos”, da chilena Paula Aros Gho, propõe uma experiência pelas ruas da cidade. Crianças e jovens entre 7 e 15 anos conduzem o público por meio de suas vozes.
Além dos espetáculos, o festival promove 16 ações formativas, entre oficinas, residências, vivências, bate-papos e sessões de autógrafos. Assim, o Mirada amplia o espaço para a troca entre artistas e público.
Acessibilidade amplia o acesso
O festival também investe em acessibilidade. Os espaços do Mirada contam com estrutura para pessoas em cadeiras de rodas. Além disso, algumas atividades oferecem Libras, audiodescrição e acomodação sensorial.
Os espetáculos nacionais e internacionais também apresentam legendas em português e espanhol. As apresentações de rua não utilizam esse recurso.
Baixada recebe espetáculos gratuitos
Quem quiser acompanhar o festival encontra opções gratuitas e pagas.
Nos espetáculos adultos, os ingressos custam R$ 40 a inteira, R$ 20 a meia-entrada e R$ 10 para Credencial Plena. Já as atrações infantis custam R$ 30 a inteira, R$ 15 a meia-entrada e R$ 10 para Credencial Plena.
Crianças menores de 12 anos não pagam nas atividades infantis, mas precisam retirar ingresso.
Além disso, o público pode assistir gratuitamente a todos os espetáculos realizados nos teatros de Cubatão, Guarujá e Praia Grande. Para essas atrações, o público precisa retirar o ingresso antecipadamente pelo aplicativo Credencial Sesc ou pela Central de Relacionamento Digital.
Mirada celebra 80 anos do Sesc
A edição de 2026 também integra as comemorações dos 80 anos do Sesc. Por isso, o festival reforça o diálogo entre diferentes países, artistas e públicos.
Desde 2010, o Mirada apresenta produções da América Latina e da Península Ibérica e cria oportunidades de intercâmbio entre artistas e espectadores.
Agora, em sua oitava edição, o festival amplia esse encontro e transforma diferentes espaços da Baixada Santista em pontos de circulação para a arte contemporânea.
Serviço
Mirada 2026 – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas
Quando: de 3 a 13 de setembro de 2026
Onde: Sesc Santos e espaços públicos e equipamentos culturais de Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
Programação: site do Sesc São Paulo e aplicativo MIRADA Festival Sesc SP.
Sesc Santos: Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, Santos.
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