Ponto de vista
Vitória aos menos rejeitados
Humberto Challoub
Conforme indicam os institutos de pesquisas, a eleição deste ano deverá repetir o ocorrido em pleitos recentes, quando os eleitos não foram os candidatos que apresentaram as melhores propostas e os mais consistentes planos de governo, mas sim os que, à vista do eleitorado, despertaram o menor sentimento de rejeição e repulsa.
Ameaçada por fantasmas da censura, pela falta de isonomia no âmbito do judiciário e da imprensa, a democracia brasileira concentra a polarização do debate em pautas de costumes e corrupção, com as campanhas dando preferência ao denuncismo e à desconstrução da imagem de oponentes, oferecendo aos eleitores somente a opção de escolha do mal menor.
Assim, temas essenciais como a formação de uma política consistentes de educação, de segurança e saúde pública são tratados com superficialidade, a partir da apresentação de sugestões e paliativos desprovidas dos fundamentos necessários para oferecer soluções definitivas aos problemas que afetam a população há décadas.
Não há de se esperar por soluções mágicas ou milagreiras, mas sim por propostas exequíveis erguidas em bases conceituais consistentes e introduzidas no tempo exigível para a efetiva conquista de resultados positivos.
O País somente conseguirá alcançar o desenvolvimento social almejado por todos com a união de propósitos e a superação das divergências, que devem ficar restritas aos períodos eleitorais.
Preferem as mentiras, as questões genéricas, críticas à falta de moralidade pública, a ênfase às picuinhas, em detrimento às temáticas que hoje têm maior relevância e, por isso, exigem a revelação de princípios éticos, competência, visão estratégica e, sobretudo, demonstração explícita de retidão de caráter.
Da mesma forma, é de se lamentar que boa parte das alianças e apoios políticos das candidaturas tenham sido forjadas sem qualquer fundamento ou critérios de afinidade partidária ou ideológica.
Optou-se pela conveniência momentânea das associações efêmeras, pela junção indiscriminada de interesses que, em algumas situações, revela-se contraditórias por reunir lado a lado em um mesmo palanque desafetos históricos, aliados de última hora interessados tão-somente na recuperação e manutenção de espaços de poder.
Aos vencedores, portanto, caberá a altiva e imprescindível tarefa de pacificar os ânimos e recuperar o valor e a importância da atividade política, por meio da reconquista da confiança e respeito dos brasileiros.
O País somente conseguirá alcançar o desenvolvimento social almejado por todos com a união de propósitos e a superação das divergências, que devem ficar restritas aos períodos eleitorais.
Mais uma vez assistiremos a vitória nas urnas dos candidatos menos rejeitados pelos eleitores, quiçá seja pela última e derradeira vez.