Ex-candidato à prefeitura de Praia Grande preso na Operação Vectura Corrupta
Ex-candidato à prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024, Danilo Morgado, candidato a deputado estadual de São Paulo pelo Partido Liberal (PL), foi preso nesta quinta-feira (17).
Ele integra a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de SP, com aval do Ministério Público paulista.
Na página oficial dele nas redes sociais (Danilomorgadooficial), um texto informa a posição sobre o caso.
“Prenderam Danilo, mas despertaram milhares”.
“Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve”.
“O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular. Isso não é investigação, é perseguição”, destacou.
Até o momento, o PL paulista não se manifestou em suas redes sociais.
Nascido em Santos, Morgado mora em Praia Grande há 20 anos.
As investigações apontam vínculo dele com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A polícia suspeita que a campanha dele à prefeitura recebeu o financiamento da organização criminosa.
Na Alesp, ele atuou como assistente parlamentar entre 2012 e 2015, lotado no gabinete do então deputado Olímpio Gomes (Major Olímpio), depois eleito senador, falecido de Covid-19 em 2021.
Operação Helmintos
No início do mês, Praia Grande foi alvo de outra operação, envolvendo um esquema do PCC em restaurantes e quiosques na orla da cidade.
Um deles, por exemplo, chegou a movimentar R$ 60 milhões.
Trata-se da Operação Helmintos, que mirava um núcleo do PCC suspeito de lavar R$ 1 bilhão na cidade – quase a metade do orçamento do município.
O grupo usava ‘laranjas’ para comprar imóveis de luxo e ocultar dinheiro do tráfico de drogas
Transporte
A Operação Vectura Corrupta atua contra a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo na Capital.
Das 22 empresas de ônibus que operam na Capital paulista, 12 teriam ligação direta ou não com o crime organizado, segundo o Ministério Público. Sete estão sob investigação neste momento.
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite teve a prisão decretada pelo Poder Judiciário no âmbito na operação.
Ele prometeu se apresentar com um advogado dentro de 24 horas.
À Imprensa, Leite negou as acusações e afirmou que não está foragido (ele falou que participa de atividades políticas no interior de São Paulo).
O ex-presidente da SPTrans também está na lista divulgada pela Polícia.
Um dirigente do clube de futebol Água Santa, vice-campeão paulista em 2023 contra o Palmeiras, também integra a lista da Polícia Civil.
Mandados
Conforme o Ministério Público de São Paulo, as autoridades cumprem 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão para desarticular diferentes núcleos da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
De acordo com a apuração, há infiltração do crime organizado em 12 empresas de transporte coletivo de passageiros que operam na cidade de São Paulo.
Identificou-se também envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições de 2024 e nas deste ano.
Em 2024, o MPSP já havia identificado a presença do crime organizado nas companhias da capital paulista.
Na ocasião, isso levou a instituição a deflagrar, em abril daquele ano, a Operação Fim da Linha.
A Operação Vectura Corrupta constitui um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024.
Naquela oportunidade, as autoridades identificaram uma complexa rede de informações da qual a organização criminosa Primeiro Comando da Capital se utiliza para manter a comunicação entre seus integrantes, quer eles estejam presos ou nas ruas, utilizando-se inclusive de advogados.
Na ocasião, surgiram nomes de lideranças da organização criminosa vinculadas às denominadas Sintonia Restrita e Sintonia dos Gravatas.
Bem como um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais daquele ano.
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