Câncer de mama: cuidados importantes após a remissão
A remissão do câncer de mama representa uma importante conquista. No entanto, o fim do tratamento não significa que o organismo volte imediatamente às condições anteriores à doença.
Depois dessa fase, algumas mulheres ainda podem apresentar cansaço, alterações no sono, mudanças de peso, perda de massa muscular e sintomas relacionados à menopausa. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo fundamental.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. O número corresponde a cerca de 30% dos novos casos de câncer entre mulheres.
Além disso, muitas pacientes seguem a vida após o diagnóstico e o tratamento. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em julho de 2026, mostram que 77,8% das mulheres diagnosticadas entre 2017 e 2021 chegaram ao quinto ano após o diagnóstico, considerando a média mundial. Nas Américas, o índice foi de 88,5%.
Diante desse cenário, o cuidado após a remissão ganha cada vez mais importância. Afinal, a mulher precisa de atenção não apenas durante o tratamento, mas também na retomada da qualidade de vida.
Alterações hormonais após o câncer de mama
A saúde hormonal merece atenção nesse período. A quimioterapia pode afetar a função dos ovários e provocar alterações menstruais. Em algumas mulheres, o tratamento também pode antecipar a menopausa.
Além disso, pacientes com tumores sensíveis aos hormônios podem utilizar medicamentos por vários anos. Entre eles estão o tamoxifeno e os inibidores de aromatase.
Esses tratamentos podem causar sintomas semelhantes aos da menopausa. Ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e dores articulares são alguns exemplos.
Para o médico clínico e cirurgião geral Marcelo Bechara, especialista em Saúde Integrada, Longevidade, Saúde Hormonal Feminina e Menopausa, cada paciente precisa de uma avaliação individual.
“Quando a mulher termina o tratamento, ela quer voltar para a vida. Mas é preciso entender como o organismo dela está naquele momento. O tratamento pode ter provocado mudanças hormonais, metabólicas, nutricionais e na composição corporal”, explica.
O especialista ressalta que qualquer decisão relacionada a hormônios deve considerar o tipo de câncer, os tratamentos realizados e os medicamentos utilizados. Além disso, a conduta deve ser discutida com o oncologista responsável.
Cansaço e perda de massa muscular
As mudanças no organismo também podem aparecer na composição corporal. Algumas mulheres relatam perda de força, alteração do peso e cansaço mesmo após o fim do tratamento.
Nesse caso, alimentação, sono, metabolismo e massa muscular precisam entrar na avaliação.
“Depois de um tratamento agressivo, é comum a mulher dizer que está cansada, que ganhou ou perdeu peso, que perdeu força ou que não dorme como antes. Precisamos descobrir o que está por trás dessas queixas”, afirma Bechara.
Assim, o acompanhamento pode incluir avaliação clínica, exames e análise nutricional. A necessidade de cada procedimento depende dos sintomas e do histórico de cada mulher.
Medicina integrativa complementa o acompanhamento
A medicina integrativa pode contribuir para o cuidado após o tratamento. A proposta é associar medidas voltadas ao controle de sintomas, à recuperação funcional e à qualidade de vida ao acompanhamento convencional.
No entanto, essa abordagem não substitui o tratamento ou o acompanhamento oncológico.
Segundo Bechara, a avaliação pode considerar aspectos hormonais, metabólicos e nutricionais. Quando existe alguma deficiência, o médico pode analisar a necessidade de reposição ou de outras medidas.
A soroterapia, área de atuação do especialista, também pode ser utilizada quando houver indicação médica. Entretanto, não se trata de uma conduta obrigatória para todas as mulheres que tiveram câncer de mama.
“Medicina integrativa significa olhar para o paciente e entender onde estão os problemas. Se existe uma deficiência nutricional, precisamos corrigir. Se existe uma alteração hormonal, precisamos avaliar o que pode ser feito com segurança”, afirma.
Saúde óssea também exige atenção
A saúde dos ossos é outro ponto importante após o tratamento do câncer de mama.
Mulheres que entram na menopausa em consequência do tratamento ou utilizam determinados medicamentos podem precisar de acompanhamento específico da densidade mineral óssea.
Os inibidores de aromatase, por exemplo, podem aumentar a necessidade de monitoramento da saúde óssea. Por isso, a avaliação deve considerar o histórico e os fatores de risco de cada paciente.
Cuidado continua depois da remissão
O período após o câncer de mama representa uma nova etapa. Por isso, o acompanhamento deve considerar as necessidades atuais da mulher.
Além do controle da doença, é importante observar sintomas, alimentação, sono, força muscular, saúde hormonal, metabolismo e saúde óssea.
“O câncer fez parte da história dessa mulher, mas não pode ser a única coisa que define o cuidado daqui para frente. Ela precisa recuperar força, disposição e qualidade de vida”, conclui Bechara.