Peruíbe recebe primeira edição do Cine Baty
A floresta se transforma em sala de cinema e o território indígena ganha a tela para contar suas próprias histórias.
Sendo assim, nos dias 2 e 3 de outubro, Peruíbe recebe a primeira edição do Cine Baty – Mostra Internacional de Cinema Indígena na Floresta, iniciativa que reúne produções audiovisuais realizadas por cineastas indígenas e obras que abordam diferentes territórios, memórias, culturas e modos de vida dos povos originários.
Dessa forma, as exibições serão realizadas ao ar livre, das 19h às 22h, na Aldeia Nhamandu Mirim, localizada na Terra Indígena Piaçaguera, criando uma experiência que aproxima cinema, território, natureza e ancestralidade.
Além disso, a programação está organizada em três eixos: Panorama Piaçaguera, dedicado à produção audiovisual realizada dentro do território e à participação de indígenas locais em diferentes momentos do cinema; Panorama Territórios, com obras de cineastas indígenas de outras regiões brasileiras e de outros países; e Panoraminha Territórios, programação especialmente direcionada ao público infantojuvenil.
Cinema produzido a partir do território
Desse modo, a abertura, na sexta-feira (2), será marcada pelo Panorama Piaçaguera, colocando em evidência realizadores, artistas e histórias ligados à própria Terra Indígena Piaçaguera.
Entre as produções selecionadas está “Ydjary: A Lenda Viva das Águas”, curta-metragem de docuficção dirigido por Weramoru, cineasta do povo Tupi-Guarani, da Aldeia Tabaçu Rekó Ypy, localizada na Terra Indígena Piaçaguera.
Também integra a programação “Originárias”, videoclipe do grupo musical Dje’ia, da Terra Indígena Piaçaguera, dirigido por Itamirim e Wescritor, dos povos Tupi-Guarani e Tupinambá.
O público poderá conferir ainda “Racismo Ambiental – Terra Indígena Piaçaguera”, curta-metragem documental realizado por Itamirim, indígena Tupi-Guarani da Terra Indígena Piaçaguera, e Catharina Apolinário.
Aliás, a noite contará também com homenagens especiais aos mais velhos do território Tupi-Guarani, por meio da exibição de filmes que recuperam a participação dessas pessoas em obras marcantes do cinema brasileiro realizadas ao longo das últimas décadas.
Diferentes territórios, diferentes olhares
No sábado (3), o Panorama Territórios amplia a programação para produções realizadas por cineastas indígenas de diferentes regiões.
Entre os selecionados estão “Tiró e a Onça”, docuficção de Wera Poty, indígena Guarani Mbya da Terra Indígena Tekoa Mirim, em Praia Grande; e “Kakxop Pahok: As Crianças Cegas”, animação de Cassiano Maxakali e Charles Bicalho, da Comunidade Maxakali da Aldeia Escola-Floresta, em Minas Gerais.
Portanto, a programação inclui ainda “MAPAGO”, da realizadora indígena Gleycielli Nonato Guató em parceria com Marcus Teles, do território Guató, em Mato Grosso do Sul; “Vípuxovuko – Aldeia”, do cineasta indígena Terena Dannon Lacerda; “Maria Fogo”, documentário do cineasta indígena Fábio de Oliveira, do Rio Grande do Norte; e “Semente do Retorno”, documentário de Graziele Borges, do povo Guarani Mbya, da Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo.
Além disso, o caráter internacional da mostra aparece também em “Braids”, curta-metragem de ficção dirigido por Elise Beers, indígena das Ilhas Aleutas, no Alasca, Estados Unidos.
Cinema para as novas gerações
Paralelamente à programação de sábado, o Panoraminha Territórios cria um espaço especialmente dedicado ao público infantojuvenil.
A seleção reúne “Bênhekié”, dos cineastas indígenas Kariri-Kariú Amõkanewy Kariú e Jaiane Lunna Kariú; “Nhandê”, do cineasta indígena Mura Begê Muniz em parceria com Eliza Telles; e a animação boliviana “Tinku”, do cineasta indígena Román Nina Nina.
Completam a programação “Entre o Latido e o Silêncio”, produção experimental que reúne animação e documentário da cineasta indígena Isa Katupyryb, e “Outro Rio”, curta de ficção com elementos do gênero terror realizado pela Escola de Audiovisual Vicente Kariri, em território Kariri e Tabajara, no Ceará.
Portanto, ao reunir obras produzidas em diferentes territórios e colocar realizadores indígenas no centro da narrativa, o Cine Baty propõe uma experiência na qual o audiovisual funciona também como instrumento de memória, expressão cultural, circulação de saberes e fortalecimento das narrativas produzidas pelos próprios povos indígenas.
Além disso, a realização da primeira edição em Peruíbe também evidencia a presença e a produção cultural indígena existente no próprio município, levando o público a conhecer histórias contadas a partir de quem vive e constrói esses territórios.
Onde fica?
Cine Baty – Mostra Internacional de Cinema Indígena na Floresta
Quando: 2 e 3 de outubro
Horário: das 19h às 22h
Local: Aldeia Nhamandu Mirim – Terra Indígena Piaçaguera, Peruíbe
2 de outubro: Panorama Piaçaguera
3 de outubro: Panorama Territórios e Panoraminha Territórios
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