Mulheres podem ascender na carreira, mas insegurança ainda é barreira
Com a aproximação do fim do ano, profissionais de diferentes áreas começam a avaliar os resultados alcançados e a definir os próximos passos da carreira. Para muitas mulheres, porém, o avanço para cargos de gerência e diretoria ainda esbarra em um obstáculo silencioso: a insegurança na hora de negociar a própria valorização.
Dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram essa desigualdade no mercado de trabalho brasileiro. Embora as mulheres tenham maior escolaridade, elas ainda ocupam uma parcela menor dos cargos de liderança.
Entre as brasileiras com 25 anos ou mais, 21,3% têm ensino superior completo. Entre os homens, o índice é de 16,8%. Mesmo assim, as mulheres ocupam 39,3% dos cargos gerenciais no país, enquanto os homens representam 60,7%.
Insegurança pode dificultar crescimento profissional
Segundo a mentora e especialista em gestão de carreiras Nathalia Aoão, a diferença não está apenas nas barreiras institucionais. O ambiente corporativo também pode influenciar a forma como as mulheres percebem e apresentam seu próprio valor profissional.
“Existe uma dificuldade histórica das mulheres em valorizar o próprio passe. É um processo doloroso, em que a profissional muitas vezes entrega resultados acima da média, mas hesita na hora de negociar um aumento ou disputar uma vaga de liderança superior por medo de ser inapta ao cargo ou de perder a vaga atual”, explica.
Nathalia possui 15 anos de experiência executiva e em Gestão de Pessoas. Além disso, já orientou mais de 600 profissionais em processos de desenvolvimento e transição de carreira.
Negociação faz parte da gestão da carreira
A insegurança profissional também pode aparecer durante conversas com gestores. Muitas mulheres deixam de solicitar reajustes ou apresentar seus resultados por receio de prejudicar a relação com a liderança.
Para a especialista, entretanto, negociar faz parte da construção de uma carreira. Por isso, a profissional precisa conhecer seus resultados e apresentar argumentos objetivos.
“Assumir uma posição de liderança exige estratégia e posicionamento. As mulheres precisam compreender que negociar não é uma afronta, mas parte natural da gestão da própria carreira. Quando a profissional aprende a mapear seu valor e estruturar essa conversa de forma objetiva, ela retoma o controle da sua trajetória”, afirma Nathalia.
Como planejar a carreira para 2027
Para quem deseja começar 2027 com mais clareza e buscar crescimento profissional, a especialista recomenda quatro passos.
1. Mapeie suas entregas e resultados
Primeiramente, reúna dados concretos sobre o trabalho realizado ao longo do ano. Liste projetos liderados, metas alcançadas e resultados financeiros ou operacionais gerados para a empresa.
Essas informações ajudam a demonstrar, de forma objetiva, o impacto do trabalho realizado.
2. Prepare-se para conversas difíceis
Antes de uma reunião de avaliação, organize seus principais argumentos. Além disso, ensaie como apresentar seus resultados e o que pretende negociar.
Durante a conversa, priorize fatos, indicadores e resultados. Dessa forma, a negociação fica mais profissional e menos relacionada a questões pessoais.
3. Faça um planejamento estratégico
Não espere apenas a empresa definir os próximos passos da sua carreira. Portanto, estabeleça objetivos para os próximos 12 meses.
Avalie quais competências precisam ser desenvolvidas, quais posições deseja alcançar e quais ações podem aproximá-la dessas oportunidades.
4. Fortaleça a autoconfiança profissional
Por fim, reconheça sua própria experiência e qualificação. A percepção de merecimento também influencia a maneira como a profissional se posiciona diante de novas oportunidades.
Reconhecer a própria bagagem técnica e executiva pode ajudar a buscar o reconhecimento correspondente no mercado.
Sobre Nathalia Aoão
Nathalia Aoão é mentora de carreira e executiva com 15 anos de experiência corporativa em Gestão de Pessoas. É pós-graduada pela FGV e pela FAAP e atuou como executiva e gestora no Senac.
Ela também é fundadora da Dhuman Desenvolvimento Humano, empresa voltada ao desenvolvimento de pessoas e às organizações que buscam alinhar práticas de gestão, sistemas e culturas organizacionais.
Ao longo da carreira, Nathalia já orientou mais de 600 profissionais em processos de transição de carreira.