XII Encontro de Desenho leva cadernos de artista às ruínas do Engenho dos Erasmos
Neste sábado (17), das 10h às 13h, o Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, em Santos, recebe o XII Encontro de Desenho: Representação e Registro.
O encontro é conduzido pelo Jiboia Ateliê, com as artistas Natália Brescancini, Estela Vajda, Beatriz Cerejo e Bete Nagô.
A atividade está disponível para todas as idades e as inscrições são feitas pelo Eventbrite.
Os Encontros de Desenho acontecem desde 2024 promovidos pelo Jiboia Ateliê, que desta vez promoverá edição no sítio arqueológico da USP, na Zona Noroeste de Santos (SP).
A proposta vai além da observação direta e envolve também memória, imaginação e poesia.
O desenho é uma forma de reconhecer a cidade, a si mesmo e o outro.
Apresentação
Natália Brescancini, juntamente com o coletivo de artistas parceiras e convidadas, abrirá o encontro orientando a confecção de um pequeno caderno feito apenas com corte e dobra.
Ela também apresentará referências sobre cadernos e livros de artista e sobre o desenho como registro da experiência.
A partir daí, cada participante constrói seu livro pessoal desenhando as paisagens e o acervo de um dos engenhos mais antigos do país.
A escolha do lugar tem razão de ser.
Quase tudo o que se registrou sobre o Brasil do século XVI veio de europeus: viajantes, cronistas, missionários, aventureiros e corsários.
Seus relatos e imagens circularam pela Europa e se tornaram os principais documentos primários sobre o continente.
Essas fontes formaram o imaginário europeu sobre a América e também o modo como nós mesmos aprendemos a olhar para este território, para os povos que o habitavam e para a nossa própria história.
Aliás, o Engenho dos Erasmos, erguido por volta de 1534, faz parte dessa questão.
Portanto, sua história documentada chega até nós por cartas e registros de comerciantes e administradores europeus.
Já os indígenas e africanos escravizados, cujo trabalho sustentou o engenho, praticamente não deixaram testemunho escrito.
Assim, parte dessa outra história vem sendo recuperada pelos vestígios que a arqueologia revela no sítio.
Artigo
Em artigo publicado na Revista USP, a historiadora da arte Ana Maria Belluzzo observa que as obras dos viajantes nos dão a ver “um Brasil pensado por outros”.
Para ela, as imagens “revelam também a nossa condição de nos vermos pelos olhos deles: fomos vistos e inventariados sem que tivéssemos nos feito visíveis”.
Assim, o Eencontro propõe deslocar esse ponto de vista.
Dessa maneira, desenhar no próprio lugar, a partir da experiência direta, da memória e da imaginação, é uma forma de produzir registros de dentro.
Aliás, é também um convite a perguntar quem representa um território, com que olhos o vemos e o que fica fora do quadro.
O desenho ao ar livre tem longa tradição nas artes.
Urban Sketchers
Ganhou nova força com o movimento internacional Urban Sketchers, criado em 2007.
Ele valoriza o desenho in loco, a observação direta e a prática coletiva.
Assim, a caminhada e o fazer artístico se juntam como modos de ocupar e perceber a cidade, acessar memórias e transformar a relação com os espaços públicos e o patrimônio cultural.
Serviço
XII Encontro de Desenho: Representação e Registro
Data: sábado, 17 de outubro de 2026, das 10h às 13h
Local: Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos (Rua Alan Ciber Pinto, 96, Vila São Jorge, Santos/SP)
Classificação: livre
Inscrições: https://www.engenho.prceu.usp.br/agenda/
Realização: Jiboia Ateliê e Engenho dos Erasmos (PRCEU/USP)
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