Os Cochranes – Inácio, o doutor.
Após uma parada em nossa série sobre os Cochranes para falar sobre as vias da Independência, a coluna retoma esta série.
Assim, na cidade de Santos temos três vias que levam na placa o sobrenome Cochrane, também encontrado na forma mais abrasileirada, Cócrane.
No entanto, são pelo menos quatro logradouros ligados a pessoas com esse sobrenome, mas nem todos pertencem à mesma família.
Já falamos sobre Oswaldo Cochrane e de Roberto Cochrane Simonsen .
Hoje, vamos conhecer Inácio Wallace da Gama Cochrane, pai de Oswaldo e avô e padrinho de Roberto.
QUEM FOI DOUTOR COCHRANE?
Nascido em 3 de outubro de 1836, em Valença, no Rio de Janeiro, Inácio Wallace da Gama Cochrane foi um engenheiro de destaque.
Assim, participou de importantes projetos ferroviários e teve atuação política em Santos e no governo imperial.
Filho de Robert Wallace MacFarlane e Helena Nogueira da Gama.
Após a morte do pai, sua mãe se casou com o médico Thomas Cochrane, que se dedicou à criação do enteado e lhe transmitiu o sobrenome.
Estudou na Escola Militar do Império, onde concluiu, em 1857, o curso de Ciências Físicas e Matemáticas.
Portanto, depois de deixar a carreira militar, passou a trabalhar como engenheiro civil.
Dessa forma, teve participação na construção da Estrada de Ferro Dom Pedro II (atual estrada de ferro Central do Brasil).
A via ligava a então capital do Brasil até o interior do Rio de Janeiro, posteriormente até São Paulo e Minas Gerais.
Além disso, participou dos estudos para uma ligação ferroviária entre Niterói e Campos.
SÃO PAULO RAILWAY
Em 1860, assumiu o cargo de engenheiro fiscal do governo imperial junto à São Paulo Railway, ferrovia que ligava Santos a Jundiaí.
A função o levou a residir na cidade, onde se casou com Maria Luísa Vieira Barbosa.
Na área de infraestrutura, atuou em projetos ferroviários, integrou a comissão que estudou a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Em 1894, foi escolhido para chefiar uma comissão de melhoramentos e saneamento da capital paulista. Dois anos depois, assumiu a Diretoria de Obras Públicas do Estado de São Paulo.
Também participou da organização dos serviços de água, iluminação e esgotos de Santos e presidiu, em 1906, o Conselho Diretor do Instituto Pasteur de São Paulo.
VIDA PÚBLICA
Na política, foi vereador de Santos entre 1865 e 1869 e voltou à Câmara Municipal no período de 1883 a 1886.
Também ocupou a presidência do Legislativo santista entre 1869 e 1872.
Em âmbito estadual, participou como deputado provincial de São Paulo nas legislaturas nas décadas de 1870.
Em 1886, foi eleito deputado geral do Império. Durante a Guerra do Paraguai, recebeu a Imperial Ordem da Rosa por serviços prestados e foi nomeado tenente-coronel da Guarda Nacional.
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SANTOS
Cochrane integrou o grupo responsável pela fundação da Associação Comercial de Santos, em 22 de dezembro de 1870. Posteriormente, foi secretário de suas duas primeiras diretorias.
Faleceu em 1912, no entanto, a data exata é conflitante, é possível encontrar que sua morte se deu em 19 de fevereiro e também em 31 de maio.
COCHRANE OU CÓCRANE?
Assim como ocorre com outros integrantes da família, o nome de Inácio aparece em documentos históricos com diferentes grafias: Cochrane, Cócrane e Cóchrane.
As variações estão em registros biográficos, documentos públicos e denominações de logradouros.
No início do século XX, muitos nomes e sobrenomes foram modificados no Brasil, seja por uma questão mais nacionalista, seja pelo fato das letras inglesas K, W e Y não fazerem parte de nosso alfabeto naquele momento.
Então é comum encontrarmos essas variações no sobrenome da família e em tantas outras palavras comuns no nosso dia-a-dia atualmente.
A RUA
Com aproximadamente 785 metros, no bairro do Paquetá, a via substituiu a antiga Rua do Cemitério em 1921 pelo prefeito Coronel Joaquim Montenegro, por meio da lei nº 647, sendo a única da Baixada Santista.
