PT precisa voltar a ouvir as bases para deixar a ‘Luladependência’, destaca vereador Caseiro
A mea culpa do presidente Lula sobre a necessidade dele e do seu governo entrar no mundo digital e ouvir mais a sociedade durante discurso após a proclamação da sua vitória é um sinal de que o PT precisa avançar em vários pontos e se aproximar da população.
E assim, deixar de lado a ‘Luladependência’.
Ou seja, a dependência do partido em relação ao presidente, que disputou sua última eleição e governará pela quarta vez o País no período de 2027 a 2030.
Além de abrir espaço para novas lideranças do partido visando o futuro sem Lula no poder.
Assim, o presidente obteve 64.56.232 votos contra Flávio Bolsonaro, que ficou com 59.826.41 sufrágios, um recorde de votos, após perder no primeiro turno para seu opositor.
Aliás, serão vários os desafios para que a legenda – a que mais governou o País com a volta da democracia (quatro mandatos de Lula e dois com Dilma Rousseff, a última de forma parcial, após o impeachment) – terá pela frente para se manter no protagonismo para os próximos anos.
Vereador do PT em Santos, o médico, professor universitário e pesquisador Marcos Caseiro reforça a importância das mudanças do partido para ir além do ‘Lulismo’.
Caseiro foi candidato a deputado federal nas últimas eleições – o único médico do partido na disputa em São Paulo.
Obteve 23.458 votos como candidato a federal.
“Precisamos voltar para a origem do PT. É preciso discutir política com a população. Voltar às bases e, entre eles, os estudantes. É preciso buscar os jovens”, enfatiza.
Sem perder o bonde da história
Em entrevista ao Jornal Enfoque desta segunda (26), Caseiro reforça a questão.
“Não podemos perder o bonde da história. Esta é uma das coisas que o partido precisa rever. Ele nasceu das bases e precisa voltar a elas, à origem”, destacou.
Caseiro reconhece que o PT precisará trabalhar na articulação com as comunidades. “Isso é o básico”.
“Tivemos equívocos, o partido precisa repensar e sair para um caminho diferente visando as próximas eleições”.
Para tanto, há a necessidade de reconhecer problemas, “pois existe muita gente que tem que para contribuir de maneira importante ao partido. E vou estar trabalhando para isso”, enfatizou.
Ele próprio realiza um trabalho voluntário no bairro da Vila Gilda, uma das áreas mais vulneráveis de Santos, com atendimento médico à população – só interrompido em razão do período eleitoral.

Jovens foram às ruas para apoiar a candidatura de Lula, o que ajudou o candidato a virar o resultado. Foto: Felipy Brandão
Vitória da democracia
Para o vereador, a vitória do presidente Lula representa “uma vitória da democracia”.
“Tem a ver com a arrogância desta família (Bolsonaro). Se eles pensassem em outros nomes, como a do governador Tarcísio de Freitas, o desfecho não seria este”, acredita.
Outro ponto destacado pelo vereador foi o fato da equipe de Flávio Bolsonaro divulgar eventuais nomes de ministros e outras situações.
“Já estavam cantando a vitória”, lembra o vereador.
Ele reconhece, porém, que diante dos resultados das pesquisas pensou em gravar vídeos para colocar nas redes sociais analisando uma eventual derrota de Lula.
“Fiquei surpreso. O envolvimento dos estudantes foi impressionante”, destaca.
Eleição municipal em 2028
Além disso, Caseiro enfatizou que a vitória de Lula mostra que o PT terá importância em várias cidades, inclusive em Santos, no litoral paulista.
“Ainda é cedo para dizer, mas esta eleição vai modificar o cenário para 2028. O PL estava muito tranquilo. Mas não será assim”, enfatiza.
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