Bolsa fecha em queda de 1% com pessimismo nos mercados externos | Boqnews
Bolsa fecha em queda de 1% com pessimismo nos mercados externos
Foto: Divulgação
15 de maio de 2014

Bolsa fecha em queda de 1% com pessimismo nos mercados externos

O principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quinta-feira (15) em queda, com investidores aproveitando a agenda econômica negativa no exterior para vender ações e embolsar lucros.

“A alta do Ibovespa nas últimas semanas foi muito forte, alcançando níveis de mais de seis meses. Isso abriu espaço para uma correção”, diz João Pedro Brügger, analista da consultoria Leme Investimentos.

Os resultados de empresas nessa reta final da temporada de divulgação dos balanços referentes ao primeiro trimestre do ano também influenciaram o Ibovespa no dia. A queda do índice foi de 1,02%, para 53.855 pontos.

Os investidores repercutiram com cautela os dados da agenda de indicadores americana. Por lá, os pedidos de auxílio-desemprego registraram, na semana passada, o menor nível em sete anos, sinalizando melhora na economia.

No período, foram 297 mil solicitações, segundo dados ajustados sazonalmente.

Em contrapartida, a produção industrial nos EUA caiu 0,6% no mês passado, desempenho pior que o esperado pelo mercado.

As referências da Europa aumentaram a tensão nos mercados. O PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro cresceu 0,2% no primeiro trimestre, ante expectativas de alta de 0,4%.

Com isso, o índice de ações americano Dow Jones registrou o maior declínio em um mês, de 1,01%, enquanto os principais mercados europeus cederam entre 0,5% e 4%.

Aqui no Brasil, as ações preferenciais (sem direito a voto) da operadora de telefonia Oi lideraram as perdas do Ibovespa, com baixa de 8,04%.

A empresa teve queda de 13,2% no lucro do primeiro trimestre na comparação anual, para R$ 227,5 milhões. Os papéis ordinários da Oi (com direito a voto) perderam 10,96%.

ELÉTRICAS
Das 71 ações que compõem o Ibovespa, 52 fecharam o dia no vermelho. Entre as maiores desvalorizações, além da Oi, o setor elétrico ganhou destaque, puxado pelas ações preferenciais da Cemig (-6,38%) e as ordinárias da Eletrobras (-5,04%).

A queda da Cemig acontece depois do julgamento do STJ (Superior Tribunal da Justiça) sobre a prorrogação do prazo de concessão da usina hidrelétrica Jaguara ficar empatado e indefinido por pedido de vista de um dos ministros.

Para a equipe de análise do Credit Suisse, do ponto de vista da Cemig, o pedido de vista foi positivo, pois a companhia manterá a liquidação de energia de Jaguara por pelo menos mais três meses no preço do mercado de curto prazo, o que deve favorecer seu resultado.

“Porém, dado o movimento recente da ação, achamos que pode haver alguma realização de lucros, pois a probabilidade de ganho na causa implícita no preço aumentou bastante recentemente”, alertou o banco em relatório.

Outras elétricas também perderam, como a Cesp (-3,99%), a Tractebel (-2,68%) e a CPFL Energia (-2,54%).

“No primeiro trimestre, tivemos o problema de falta de chuvas, que afetou negativamente o setor elétrico. Algumas empresas desse segmento vão divulgar resultado nesta semana, e os números podem ter sido prejudicados pelas dificuldades enfrentadas no cenário de escassez de água. As distribuidoras são as que mais sofreram”, diz Brügger, da Leme.

RESULTADOS
As ações da companhia aérea Gol, que chegaram a cair mais de 2% durante o dia, fecharam em alta de 0,50%. A empresa divulgou, na noite de quarta-feira (14), crescimento de 74% no prejuízo líquido do primeiro trimestre, para R$ 131 milhões.

Outras companhias repercutiram a divulgação de balanço, como a Ultrapar (-1,07%) e a JBS (-1,99%).
A ação da MRV Engenharia fechou estável, após ter caído até 3,7% ao longo do dia. Além de ter apresentado seu resultado no primeiro trimestre, a empresa também deixou hoje de fazer parte do índice MSCI Brazil, referência para investidores estrangeiros.

A varejista Hering, que também saiu do MSCI Brazil, caiu 3,97%.

DÓLAR
No câmbio, o dólar voltou a ganhar força em relação ao real após três dias de queda. A moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, teve alta de 0,61%, para R$ 2,222 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,58%, para R$ 2,221.

O Banco Central deu continuidade às suas intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4.000 contratos de swaps cambiais (operação que equivale à uma venda futura de dólares), no valor de US$ 198,3 milhões.

A autoridade também promoveu um novo leilão para a rolagem de 5.000 contratos de swap que venceriam em 2 de junho, por um total de US$ 124 milhões.

Da Redação
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