Ponto de vista
Começo ou fim
A morte ainda é um tabu que assusta você? O desconhecido normalmente causa medo nas pessoas, pois muitos não sabem o que vão encontrar à sua frente e reagem de diferentes formas ao encarar a passagem da vida para o plano espiritual.
A grande maioria teme a própria morte, mas boa parte da população, na verdade, receia mais o falecimento de parentes próximos, principalmente a perda dos filhos, posto que vai contra a suposta lei natural da vida.
Aliás, as pessoas tendem a aceitar a falta da mãe e do pai já envelhecidos e doentes com mais naturalidade do que a perda dos seus descendentes de forma abrupta, que têm um imenso caminho a percorrer na vida.
Mistério
A morte causa sentimentos opostos e complementares, produzindo certezas e dúvidas nos seres humanos. De um lado, as pessoas assimilam o passamento como a sina de todos, e, de outro, os indivíduos rejeitam a ideia de um dia ter que enfrentá-la, inclusive revoltando-se muitas vezes contra o nosso destino.
Na realidade, a morte é vista como um mistério incompreensível por muitos e um assunto do qual a maioria das pessoas não gosta de falar. Mas, sendo como for o pensamento dos homens, a perda da vida é um fato inexorável da humanidade.
Diferenças
De modo geral, as religiões, as doutrinas e as seitas tentam explicar a morte, em seus diversos aspectos, tentando confortar e diminuir o sofrimento das pessoas em situação de luto ou ainda esclarecer que ela é uma etapa no decorrer de nossas vidas.
Os cristãos, os judeus e os islâmicos acreditam na ressurreição após a morte, ou seja, o renascer do espírito para receber uma forma incorruptível de ser, enquanto os espíritas creem na reencarnação da alma num novo corpo para continuar o processo de evolução.
Entretanto, o budismo e o hinduísmo pregam o renascimento ou a reencarnação depois da morte, com o espírito voltando noutros corpos, sejam homens ou animais, de acordo com a sua própria conduta em vidas anteriores.
Inovação
Filosofia à parte, ensina a sabedoria popular que religião, política e futebol não se discutem. Nesse contexto, as duas primeiras questões entraram em rota de colisão no distante ano de 1983, período em que o prefeito Paulo Gomes Barbosa governou Santos e aprovou, contra tudo e contra todos, um cemitério vertical na Cidade.
O episódio naquele período gerou o descontentamento de vários grupos sociais, que acreditavam que o empreendimento mudaria crenças e comportamentos religiosos consolidados na consciência dos cidadãos daquela época e prejudicaria os moradores do bairro.
Fato é que o projeto, além de resolver o problema da falta de espaços dos cemitérios de Santos, que era gravíssimo, também desmistificou a imagem que se tem de um cemitério como algo indesejável num ambiente urbano.
Isso prova que a inovação, já naquela oportunidade, até então considerada duvidosa pela população, trouxe benefícios significativos para a região, sem ofender a religiosidade das pessoas.