Ponto de vista
Janelas para o Valongo
Durante a inauguração do Museu Pelé, no dia 15 de junho, algo me chamou mais atenção do que propriamente as valiosas peças do Rei do Futebol. Depois de registrar os discursos, o próprio Pelé e os políticos em sua volta, meu foco se voltou para as janelas, aliás, o que se vê delas.
As percebi quando pensava no discurso do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa. Em sua fala, uma frase me provocou este ensaio: “É o nosso Porto revitalizado”. Realmente o local já está melhor do que há alguns anos, quando o próprio prédio do Museu Pelé – ainda em ruínas – era ponto de encontro de usuários de crack.
Entretanto, o nosso porto ainda está longe da prometida revitalização, a começar com o projeto Porto Valongo. Em meados de 2010/11, foi prometido uma ampla reforma nos armazéns (1 ao 8), que ficam bem ao lado do Museu. Coincidentemente, hoje achei um CD – na minha gaveta de trabalho – com fotos do projeto, que ainda nem saiu do papel.
Em março de 2011 escrevi uma ampla reportagem abordando o Valongo e o projeto, que já possuía inclusive verbas garantidas pelo Governo Federal (PAC 2). A meta, na época, era entregá-lo para a Copa de 2014. Competição que já na reta final e nada do projeto, que depende de outra obra, o Mergulhão (mas este é outro assunto).
Vale enaltecer que a inauguração do Museu realmente marcou um ponto importante para o desenvolvimento de todo o entorno. Acredito que em mais alguns anos – talvez uma década ou um pouco mais – o que se verá das janelas será um novo Valongo. O que se vê hoje, entretanto, são construções abandonadas, além dos próprios armazéns destruídos. Na caminhada no primeiro dia do Museu fiz então um exercício, andei por todo o salão olhando e clicando as janelas.
