VLT: Traçado sinuoso da Avenida Francisco Glicério
As obras para a construção do traçado para o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT, que teve a primeira unidade já instalada nos trilhos em São Vicente, prosseguem em Santos, mas ainda geram dúvidas em relação ao traçado – principalmente logo após o Canal 1. Após dúvidas de leitores e em contato com os trabalhadores da obra, a Reportagem do Boqnews verificou que o traçado que está sendo construído após o restaurante Sideral segue o espaço da antiga linha férrea até a Avenida Bernardino de Campos (canal 2). Na altura da Rua Visconde de Cairu será construído um Terminal de Passageiros. E somente neste ponto, o traçado se estenderá um pouco mais para a faixa da Avenida Francisco Glicério, ocupando a atual calçada, pois o terminal ocupará – assim como os demais – um espaço de 12 metros.
Logo após o restaurante Sideral, o que se acreditava, porém, era que o VLT já iria se dirigir para o canteiro central da Avenida Francisco Glicério. De acordo com o gestor da obra da EMTU, Carlos Romão Martins, o que acontece é que este trecho, que abriga a ciclovia atual (antiga), não existirá mais e passará a ser via ampliando a Avenida Francisco Glicério. De acordo com o mapa da EMTU (veja quadro ao lado), é possível ver exatamente onde será a estação dos passageiros e o traçado, inclusive a parte da ciclovia.
Ministério Público
A promotora do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), Almachia Zwarg Acerbi, que entrou com ação cautelar no inicio de janeiro contra o traçado em questão, conseguindo a liminar que paralisou as obras temporariamente, alega ainda hoje que o projeto foi modificado em relação ao primeiro estudo apresentado.
“Derrubaram a liminar no Tribunal de Justiça, porém o recurso ainda não foi julgado. A liminar foi derrubada por apenas um relator. Existe um estudo chamado EIA-RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) que diz que o empreendimento era pela linha férrea. No decorrer do licenciamento foi modificado o traçado. Não se sabe ao certo quando”, explica a promotora.
A EMTU, por outro lado, defende que o traçado não foi alterado e que segue da maneira que fora proposta. “Se fizermos um cálculo hoje, do Barreiros até o Estuário, de 90 a 95% continua na linha férrea”, ressalta Romão. Algumas mudanças foram realizadas, mas que – de acordo com o engenheiro – não podem ser consideradas mudanças de traçado.
“Existe esta pendência. O recurso está no Tribunal de Justiça e independente disso estamos conversando com o Ministério Público Federal, pois existe verba federal no projeto. Encaminhei comunicando a irregularidade e mesmo assim foi liberado o dinheiro. O procurador já esta fazendo reuniões comigo (…) O problema do VLT está longe de acabar. Mesmo que saia no traçado que eles querem, com esta alteração, haverá ação por improbidade administrativa. Como é tudo demorado, o Ministério Público fica numa situação dificil. Não iremos pedir, por exemplo, para retirar tudo e fazer de novo. O que resta será a indenização e a ação de improbidade administrativa”, ressalta a promotora.
Drenagem em São Vicente
Além do polêmico traçado, a promotora ressalta também que cerca de 20 moradores de São Vicente a procuraram para relatar problemas com a obra em relação a drenagem. “Eles reclamam que após as obras, as enchentes se tornaram piores e os problemas começaram nestes locais. Uma reunião já foi realizada e a Prefeitura de São Vicente e EMTU devem dar uma resposta nos próximos dias. Demos um mês”, ressalta. De acordo com o gestor Romão, a intervenção da EMTU não pode ter piorado a situação em São Vicente. “No canal que era assoreado (de terra), com um metro, aumentamos para três por dois metros e de concreto”, ressalta.
Próximo traçado
O VLT sairá da Avenida Francisco Glicério, entrará na Rua Campos Melo e continuará até virar à esquerda na Rua João Pessoa. Depois, seguirá até a Rua São Bento e iniciará o retorno, passando pelas ruas Amador Bueno, Constituição, Luís de Camões e três quadras da Avenida Conselheiro Nébias, até acessar novamente a Avenida Francisco Glicério, para, posteriormente, continuar viagem até São Vicente.
Trecho polêmico
Visão do MP
De acordo com estudo que foi apresentado pela EMTU e está incluído no processo do Ministério Público, que ainda está aguardando julgamento, o traçado do VLT seguia pela linha férrea, passando ao canteiro central apenas na frente do Hipermercado Extra, junto à Estação da Cidadania. “No primeiro estudo fica claro que o VLT seguiria pela linha férrea, diferente do que foi apresentado depois (…) Estamos decidindo os rumos que vamos tomar agora. A cautelar foi baseada no licencimamento irregular. Não vemos benefício nesta mudança e há um único imóvel beneficiário. Há indícios de improbidade administrativa. Na ação principal vamos colocar os agentes públicos respondendo”, explica a promotora Almachia Zwarg Acerbi. No estudo apresentado em 2008 e que está sendo levado em conta pelo MP, o texto diz: “Destaca-se, entretanto, que o objeto específico do presente estudo e, por consequência, do licenciamento ambiental em questão, se refere à implantação, operação e manutenção de um Veículo Leve sobre Trilhos – VLT, na faixa de domínio da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, compreendida entre os municípios de São Vicente (Canal dos Barreiros) e Santos (Estuário), em um trecho com extensão total de 11,1 Km” (fls. 30 dos autos do IC).
Visão da EMTU
De acordo com gestor da obra, Carlos Romão, porém, o estudo não sofreu modificações a não ser
próximo à Estação da Cidadania, por pedido do Condephaat por conta do imóvel em questão ser tombado. De acordo com a EMTU, o traçado do VLT, após o restaurante Sideral, continuará pela faixa da antiga linha férrrea até as proximidades da Avenida Bernardino de Campos (canal 2) e o atual canteiro central da Avenida Francisco Glicério deixará de existir. Já a ciclovia passará a ser próxima ao traçado do VLT, invadindo a atual via sentido Ponta da Praia – Marapé. O VLT, junto com espaço para pedestres e a ciclovia, formarão o futuro canteiro central da avenida. Somente após a Estação de Passageiros próxima ao canal 2 (em frente à Rua Visconde de Cairu), o VLT e toda a estrutura invadirá um pouco mais a faixa sentido Ponta da Praia – Marapé, mas ainda utilizará cerca de um metro da antiga linha férrea. Neste ponto, está sendo aberta uma via de 9 metros. Até a Av. Ana Costa, ela seguirá nesta linha. Bem próximo à Av Ana Costa será construída outra estação. O trecho deve entrar em obras assim que a pavimentação do canal 3 estiver mais avançada e a atual Rua Marquês de São Vicente estiver pronta, de acordo com o presidente da CET, Antonio Carlos Gonçalves, em entrevista ao Jornal Enfoque, da Santa Cecília TV. Isso porque a Av. Francisco Glicério ficará interditada neste trecho. A assessoria da EMTU informou ainda que todo este trecho deve ser entregue até o final de dezembro.

