Ponto de vista
Economia em transe
“Indústria e comércio empregam menos no primeiro semestre”. “País vive retração econômica com a diminuição do consumo pela população”. “Desaceleração da economia também corta vagas na agricultura”. “Tarifas de energia podem subir ainda neste ano”. “Apesar disso, a inflação permanece resistente e preocupante”.
Listei acima, caro leitor, as principais – e cada vez mais freqüentes – manchetes negativas dos jornais e portais eletrônicos de notícias brasileiros sobre o momento da economia no País.
Se as notícias, que derivam da fracassada política econômica do Governo Federal, já não são nada animadoras, preparem-se, porque, de acordo com as análises de especialistas econômicos, possivelmente, o “cinto terá que ser mais apertado” nos próximos anos.
Desanimadora
O Brasil apresenta atualmente característica de estagflação, que significa paralisação econômica e preços altos juntos. Isso fica evidente com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo menos do que 1% em 2014 e inflação de 6,5% no ano, no teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), comprovando o quadro negro da nossa economia.
Essa tendência de paralisia da economia nacional deve invadir o ano de 2015, com a inflação permanentemente elevada, juros básicos em ascensão, endividamento de longo prazo das famílias e desaceleração contínua das atividades econômicas. Trata-se de um cenário de grandes incertezas, que invabiliza os investimentos necessários para o crescimento do País e a geração de postos de trabalho.
Mudos
Contudo, a consultoria econômica sempre foi uma profissão perigosa, pois corre-se o risco dos especialistas na matéria cometerem equívocos nas suas avaliações, podendo custar o emprego desses analistas, principalmente quando o Governo tenta esconder a má situação do País durante as eleições e pressiona o mercado financeiro a mudar suas orientações de investimentos.
Com as atividades produtivas em declínio neste e no próximo ano, o motor das receitas das Prefeituras deverá funcionar em ritmo lento, como um carro andando com o freio de mão puxado, devido sobretudo à desaceleração das arrecadações dos tributos ISS, ICMS e IPI, que dependem do crescimento da economia.
Preocupação
Com isso, as Prefeituras de grandes e médias cidades brasileiras sofrerão impactos negativos em seus orçamentos de 2015, prejudicando a destinação de dinheiro público para as áreas de educação, saúde e assistência social, justamente quando as carências da população aumentarão num ano de recessão econômica.
A cara da bruxa está sendo pintada da pior forma possível pelos especialistas, mas a economia do Brasil pode ser atraente como um rosto de fada, desde que o governo eleito enxergue a realidade e deixe de maquiar os números ou usar remédios assombrosos, para esconder a doença da inflação e o baixo crescimento do País.