Diagnóstico precoce é essencial para a cura do câncer de pele | Boqnews
Diagnóstico precoce é essencial para a cura do câncer de pele
Divulgação
27 de novembro de 2014

Diagnóstico precoce é essencial para a cura do câncer de pele

A chegada do verão, com suas altas temperaturas e a maior exposição ao sol fazem a alegria do brasileiro, no entanto é importante lembrar de alguns cuidados. O câncer de pele, por exemplo, é o tipo mais comum de câncer entre a população brasileira. Para alertar a população sobre os perigos da doença, nesse dia 29 de novembro é comemorado o Dia Nacional de Combate ao câncer da pele.

Em 2014 estão previstos 182 mil novos casos do câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Há três tipos principais de câncer de pele: o mais comum, o carcinoma basocelular, corresponde aproximadamente a 71,4% dos tumores malignos da pele; o carcinoma espinocelular corresponde a 21,7% dos casos, e o melanoma representa 4% — apesar da menor incidência, este último merece atenção especial.

O melanoma é o mais agressivo e com maior índice de mortalidade, se diagnosticado tardiamente. Por exemplo, se um melanoma tiver quatro milímetros de espessura quando diagnosticado, o paciente terá sobrevida em cinco anos de aproximadamente 54%, ou seja, 46% dos pacientes morrerão da disseminação da doença no período”, comenta o patologista Gilles Landman, membro da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Segundo estudo americano publicado na Archives of Dermatology, os pacientes com melanoma possuem 28% maior risco de desenvolver outros tipos de câncer, como os de mama e próstata. Além de mais agressivo, o melanoma também é o mais difícil de ser diagnosticado. “Os tipos de doenças de pele mais difíceis de serem descobertos são os melanomas e seus subtipos, por causa de sua semelhança com as lesões benignas em alguns casos”, afirma Landman.

Tecnologia
Os avanços tecnológicos tornaram-se importante ferramenta para a detecção precoce da doença. A utilização da dermatoscopia, espécie de lente de aumento semelhante à usada para observar o ouvido, aumentou a precisão diagnóstica do melanoma. Recentemente esse método começou a ser utilizado por meio da digitalização das imagens, permitindo o estudo comparativo de lesões num intervalo curto de tempo e um banco de dados comparativo do paciente.

“Outra tecnologia com desenvolvimento constante, ainda timidamente utilizada no Brasil, é o uso da microscopia confocal in vivo, que possibilita, através de raios laser, o exame de lesões com resolução de microscópio. Nesse caso, é possível examinar o paciente com uma alta precisão para indicar se a lesão deve ou não ser retirada”, ressalta o médico.

No exame anatomopatológico, que permite identificar o tipo de tumor e estabelecer parâmetros prognósticos, não se usa mais somente o microscópio, mas também outras técnicas moleculares, incluindo sequenciamento gênico, identificação de mutações através de Hibridização In Situ Fluorescente (FISH), de Hibridização Genômica Comparativa (CGH) e também técnicas de proteômica, por meio de espectrometria de massa.

“Essas técnicas são complementares, e têm permitido determinar, por exemplo, em melanomas, quando há mutação de BRAF, que aumenta a quantidade da proteína produzida por esse gene; pode-se usar um anticorpo contra ela e obter o desaparecimento temporário da doença em curto prazo”, comenta o médico.

Fatores de risco
Para o membro da SBP, as lesões na pele têm como fator predisponente a exposição à luz ultravioleta A e B, em especial em pessoas muito claras que se queimam e nunca se bronzeiam. “Por outro lado, há famílias com propensão ao desenvolvimento de melanomas. Cerca de 10% dos pacientes diagnosticados com melanoma têm histórico familiar desse tipo de tumor. Nesses casos, é importante a avaliação com o especialista denominado oncogeneticista, que estabelecerá se é mesmo câncer hereditário e qual a probabilidade de desenvolvimento da doença”, diz.

A ascendência e o tipo de pele também podem mostrar se a pessoa tem mais probabilidade de desenvolver a doença. Pessoas muito claras, com cabelos claros, olhos claros, portadoras de sardas e que se queimam com facilidade e dificilmente se bronzeiam são mais suscetíveis ao desenvolvimento do câncer de pele. Além disso, pessoas com muitas pintas (nevos) têm maior probabilidade de desenvolvimento de melanoma.

Da Redação
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