A vaca, que é um animal tranquilo, virou celebridade na política nacional nesse início de ano. Durante a eleição presidencial, a candidata Dilma Rousseff disse que não mexeria nos direitos dos brasileiros nem que a vaca tossisse. Porém, três dias após a posse, a Presidente anunciou o endurecimento de regras para a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários à população.
Parece que a vaca tossiu pela segunda vez, ao cortar as desonerações da folha salarial das empresas, contrapondo o discurso fantasioso de Dilma durante as eleições, que apresentava um cenário maravilhoso, bem diferente da realidade econômica do País. Mas, agora, será que a vaca vai para o brejo?
Depois da forte deterioração das contas nacionais, o Governo Federal tenta apertar o cinto, para acertar as suas receitas e despesas. Além do corte de benefícios dos trabalhadores para diminuir o gasto de custeio, a presidente Dilma tenta elevar a receita tributária com o aumento das contribuições sociais no setor produtivo, para tentar equilibrar as finanças públicas.
Não cumpre
O fato é que a Administração Federal não dá sinais claros de que passará a tesoura nas despesas do grande gastador, que é o setor público, principalmente diante dos desperdícios nos últimos anos. De acordo com especialistas financeiros, na última década houve uma elevação das despesas na ordem de 10% ao ano.
Ao mesmo tempo em que o Governo tenta recolocar a economia na trajetória do crescimento, o Brasil passa por uma crise de confiança e institucional, que não se via há muitos anos. Isso fica claro com a rejeição liminar da Medida Provisória de desoneração da folha de pagamento no Congresso Nacional e pelo surgimento das manifestações de rua, protestando contra o custo de vida e a corrupção.
No meio desse atoleiro em que se encontra o País, está a classe média brasileira que arca com a alta carga tributária imposta por esse pacotão econômico, aumentando o custo às principais necessidades dos cidadãos: transporte, moradia e energia elétrica.
Peso
A elevação de tributos sobre o crédito, por exemplo, pesará diretamente no bolso do consumidor. Nos financiamentos imobiliários e empréstimos pessoais, o cidadão terá que suportar uma alíquota maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que subiu de 1,5% para 3%.
Os municípios brasileiros também vão cair no buraco da recessão, pois a queda do consumo no Brasil irá afetar o repasse do ICMS e a arrecadação do ISS, cujos impostos incidem sobre mercadorias e serviços. Some-se a isso, um eventual aumento da inadimplência do IPTU, pois o contribuinte irá optar em quitar primeiro a conta da luz, já que pode ser cortada imediatamente caso não pague a fatura.
Mesmo assim, recai sobre as Prefeituras a obrigação de garantir o bem estar social, mantendo, em meio a esse abismo econômico, a qualidade dos serviços públicos na saúde, educação e assistência social.
A vaca ainda não foi para o brejo, mas está quase lá!
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