Um trabalhador brasileiro compra uma cesta de produtos no supermercado num determinado mês e paga um certo valor. Depois de 30 dias, o consumidor vai precisar desembolsar uma quantia maior de dinheiro para adquirir a mesma quantidade de mercadorias. E assim sucessivamente.
Desde o início do ano, a população convive com essa situação, fazendo ressurgir um velho inimigo do povo brasileiro: a inflação. Ela é o aumento generalizado e constante dos preços em geral na economia, que provoca a perda do poder de compra das pessoas, principalmente dos mais pobres. A inflação pode ter uma série de causas. Mas, atualmente, as principais são o represamento das tarifas pelo Governo Federal nos últimos dois anos, tais como os preços de energia elétrica e combustível, bem como o excesso de gastos públicos, desoneração tributária, aumento de crédito e pouca produção industrial.
Correção
A fórmula adotada se mostrou insustentável, porque pode-se segurar a elevação das tarifas por algum tempo, mas não é possível mantê-las artificialmente baixas por longo período. Isso significa apenas transferir o problema para o futuro.
No acumulado de doze meses, a inflação oficial está em 8,17% e bem distante do centro da meta do Banco Central, de 4,5% ao ano. Essa situação exige medidas drásticas para evitar que o aumento dos preços fuja do controle do Governo Federal e desorganize toda a economia nacional, especialmente quando há previsões de retração de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e alta da Taxa Básica de Juros (Selic) para 14% até o final de 2015.
Por isso, o Ministério da Fazenda propõe a aprovação, pelo Congresso Nacional, do impopular ajuste fiscal, que corta benefícios sociais dos trabalhadores, aposentados e pensionistas, e, também, provoca o aumento do desemprego e diminui a renda das famílias, com os objetivos de estancar o processo inflacionário e recuperar o crescimento econômico do País em breve.
Torniquete
Esse aperto de cinto momentâneo na economia, que os especialistas entendem que seja necessário para o Brasil voltar a crescer em curto prazo, deve atingir os Municípios, que perderão receitas tributárias com a queda do ISS e ICMS e sofrerão um provável aumento na inadimplência do IPTU.
Ao contrário dos governos Federal e Estaduais, que estão distantes da realidade local, as Prefeituras, que têm contato direto com a população, deverão arcar com o aumento dos custos dos seus serviços, com a maior procura por saúde, educação e assistência social nos Municípios.
Enfim, os prefeitos terão que fazer malabarismos orçamentários para manter a qualidade dos serviços essenciais com uma arrecadação menor nesses anos difíceis.
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