Bolsa tem o menor índice desde março de 2014 | Boqnews
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19 de agosto de 2015

Bolsa tem o menor índice desde março de 2014

Crise política e econômica jogaram para baixo a Bolsa de Valores nesta quarta, que apresentou o menor índice desde março do ano passado.

Crise política e econômica jogaram para baixo a Bolsa de Valores nesta quarta, que apresentou o menor índice desde março do ano passado. (foto: Divulgação)

A Bolsa brasileira atingiu nesta quarta-feira (19) o menor nível desde março de 2014 afetada por preocupações com votações que podem prejudicar o ajuste fiscal. Dados fracos de atividade econômica também pesaram, assim como incertezas envolvendo a economia chinesa e a divulgação da ata do banco central americano.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, caiu 1,82%, para 46.586 pontos, o menor nível desde 19 de março de 2014, quando o índice encerrou a 46.567 pontos.

No mercado cambial, o dólar voltou a subir em relação ao real, também impactado pelo cenário político. No entanto, a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, banco central americano) conteve o avanço da moeda americana, com a percepção de que a alta de juros nos Estados Unidos deve ocorrer apenas em dezembro.

O dólar à vista -referência no mercado financeiro e que fecha mais cedo- teve alta de 1,22%, para R$ 3,503. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, subiu 0,60%, para R$ 3,487.

Pesou no mercado a notícia de que o relator no Senado do projeto de lei que reverte parte da política de desoneração da folha de pagamento, Eunício Oliveira (PMDB-CE), deve manter o texto aprovado na Câmara dos Deputados. Isso significa menos receita para o governo e um ajuste fiscal menor.

O mercado também avaliou negativamente a notícia de que o governo pretende usar bancos públicos para socorrer empresas que se comprometerem a não demitir funcionários.

Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, as novas linhas de crédito para o setor automotivo não comprometem o ajuste fiscal.O uso dos bancos públicos para financiar o setor produtivo fez parte da política de incentivo ao crescimento adotada entre 2008 e 2014, abandonada e criticada pela atual equipe econômica, em especial pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central.

“Foi um ‘efeito recaída’ da [presidente] Dilma [Rousseff] para incentivar novamente os bancos públicos, além de ser negativo para o ajuste fiscal”, diz Eduardo Velho, economista-chefe da Invx Global Partners.

FGTS

Outra notícia ruim para o ajuste fiscal foi a aprovação, na Câmara dos Deputados, da mudança na correção do FGTS.

O governo era contra alterar as regras, mas decidiu fechar acordo para evitar uma nova derrota. Conseguiu garantir recursos para o Minha Casa, Minha Vida e a regra de aumento gradual do percentual de remuneração.

Dados econômicos também causaram preocupação de investidores. O Banco Central divulgou que a atividade econômica do país teve queda de 2,49% no primeiro semestre do ano. Em junho, o recuo foi de 0,5% na comparação mensal.

Além disso, o IBGE informou que o emprego na indústria acumulou redução de 5,2% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para Leandro Martins, analista da corretora Rico, o mercado deve voltar a subir nos próximos dias. “Você tem um cenário de muita volatilidade no mercado. Os papéis estão com preços bem esticados para baixo e a Bolsa vem mostrando que quer voltar a subir nos últimos dias”, ressalta.

China
O governo chinês ampliou a política de incentivo fiscal para pequenas empresas em uma tentativa de impulsionar o consumo e conter a desaceleração da economia. De acordo com a medida, os impostos que incidem sobre o lucro dessas companhias serão reduzidos à metade. Serão beneficiadas empresas que tiverem lucro anual taxável de no máximo 300.000 yuans (US$ 46.907).

“A sinalização é ruim para os mercados, pois o governo está tentando diminuir a aversão ao risco com medidas fiscais. Caso volte a adotar outras medidas, como a desvalorização do yuan, pode pressionar os emergentes, que ficam menos competitivos em termos de balança comercial”, ressalta Velho.

As ações da Vale -que exporta minério de ferro para o país- fecharam em baixa pelo quinto dia. Os papéis preferenciais da mineradora tiveram desvalorização de 2,67%, para R$ 13,48, e os ordinários caíram 3,33%, para R$ 16,84.

As siderúrgicas também foram afetadas. As ações da CSN tiveram queda de 5,74%, enquanto Gerdau caíram 4,24% e as ações preferenciais da Usiminas cederam 3,87%.

As ações da Petrobras caíram pelo quinto dia. As ações preferenciais -mais negociadas- cederam 2,33%, para R$ 8,79. No horário, os papéis ordinários -com direito a voto- caíram 2,50%, para R$ 9,77.

EUA

O momento mais aguardado do dia pelos investidores foi a divulgação da ata da última reunião do Fed, em julho. A minuta mostrou que a elevação dos juros nos EUA ainda não é consenso entre as autoridades que compõem o comitê de política monetária.

A aposta maior era de alta já em setembro, mas o tom da minuta fez com que aumentassem as expectativas de aumento em dezembro. Na ata, integrantes do Fomc observaram que o pleno emprego está próximo, mas indicaram que precisam de uma melhora adicional no mercado de trabalho antes de elevar os juros. A inflação também preocupa, por estar bem distante da meta de 2% ao ano estimada pelo Fed.

“A desaceleração da China foi citada na ata como um dos motivos para a cautela do banco central americano em elevar os juros”, avalia Linican Batista, executivo da equipe de analises da Um Investimentos. “Foi incorporado o fator China”.

“A desvalorização do yuan pode impactar negativamente a inflação nos EUA via balança comercial. Se a moeda chinesa se desvaloriza em relação ao dólar, os produtos chineses ficam mais baratos comparativamente em dólar. Isso acaba atrapalhando os EUA em sua meta de inflação”, destaca.

O aumento dos juros nos EUA deixaria os títulos do Tesouro americano -cuja remuneração acompanha essa taxa e que são considerados de baixíssimo risco- mais atraentes do que aplicações em emergentes, como o Brasil, provocando uma saída de recursos dessas economias. Com a menor oferta de dólares, a cotação do dólar seria pressionada para cima.

Nesta quarta-feira foram divulgados dados mais fracos que o esperado de preços ao consumidor nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor subiu 0,1% em julho, de acordo com dados que excluem efeitos sazonais. A leitura ficou abaixo da expectativa de analistas, que viam avanço de 0,2%.

Da Redação
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