O último apaga a luz? | Boqnews

Ponto de vista

7 de outubro de 2015

O último apaga a luz?

É um caso de “salve-se quem puder”. Aumenta a turma de prefeitos, vereadores e militantes históricos do Partido dos Trabalhadores que procuram outros partidos. A rejeição ao PT disparou como nunca e eles preveem, além de prejuízos nas eleições municipais de 2016, grandes dificuldades para manter a sigla viva e forte no poder em geral.

Hoje, o PT é estigmatizado pela corrupção. Para piorar a situação, o Governo de Dilma Rousseff, que sofre com baixos índices de aprovação e está imerso em uma crise econômica, empurra o Partido para uma nova divisão, e, talvez, a mais grave da história.

Fundado em 1980 por dirigentes sindicais, intelectuais e líderes católicos, o PT é um dos maiores movimentos de esquerda da América do Sul. Buscava o sonho de fazer política diferente e transformar o Brasil numa nação justa, por meio da inclusão social. Sua prática no poder, porém, destoou de sua trajetória ética.

Insatisfação
Na história recente, a legenda da estrela vermelha já passou por um processo parecido em outras duas oportunidades: em 1992, quando uma de suas correntes internas foi expulsa e deu origem ao PSTU, e, também, em 2004, com nova saída de militantes, para criar o PSOL.

Desde então, o êxodo petista só aumentou, principalmente devido aos desvios de conduta do Partido. O escândalo do Mensalão, entre 2005 e 2006, levou um dos seus principais fundadores, o jurista Hélio Bicudo, a abandonar o PT, em razão da compra de apoio político no Congresso. É ele quem sugere, hoje, o impeachment da Presidente.

Com o escândalo do Petrolão, a insatisfação cresceu rapidamente e dezenas de prefeitos eleitos pelo Partido buscaram novas legendas para evitar que o desgaste do PT contaminasse suas gestões e a possibilidade de serem reeleitos. Apenas em São Paulo, pelo menos 20% dos 68 prefeitos eleitos em 2012 já deixaram a agremiação e cerca de 130 executivos municipais manifestaram o desejo de se desfiliarem em todo o País.

Renovação
Em Santos, há um vereador, em primeiro mandato, que, recentemente, deixou o partido, ao não concordar com o “toma lá dá cá” do Governo Federal, que negociou com o PMDB o cargo de ministro da Saúde, uma pasta tradicional do PT, comandada por um santista, para que a presidente Dilma possa continuar no poder.

Na realidade, o Partido não se conectou com as mudanças que os brasileiros querem no momento. Ficou refém de “lideranças profissionais”, que visam manter os conluios dos gabinetes oficiais, a fim de se perpetuarem no poder. O PT deve, portanto, aproveitar essa fase ruim e voltar às suas origens, de compromisso com a justiça social e a moralidade pública.

Renovar seus quadros e discutir internamente os seus deslizes éticos compõem a rota inicial de transformação do PT para tentar resgatar a credibilidade política, perdida nos seus 12 anos de Governo Nacional.

Resta, agora, saber como o eleitor vai julgar, nas urnas, os ex-petistas, que abandonam o barco, quando ele está afundando…

Da Redação
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