Brasil, mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim / Brasil, qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim
O trecho acima, da música Brasil, mostra a tua cara, do cantor e compositor Cazuza, dos anos 1980, transcendeu gerações como uma forma de protesto aos escândalos políticos, às desigualdades e às injustiças sociais. Marcou também o governo Collor, manchado por denúncias de corrupção que culminaram, dois anos depois, com o seu processo de impeachment.
Passados mais de 30 anos da canção, cada vez mais os brasileiros se sentem desiludidos com tantos escândalos que sacodem o País. E, enquanto a corrupção rompe décadas, a nossa vida fica cada vez mais complicada, com inflação em alta, elevação de impostos, perdas de postos de trabalho, indústrias em crise, dentre outros problemas. E, nesse contexto de puro desânimo com os rumos do país fica a questão: será que o Brasil, enfim, acordará?
Engasgo
Em 2013, o país viveu inúmeras manifestações sociais. A população, indignada com os desmandos políticos, foi às ruas cobrar direitos e exigir uma postura mais ética e coerente dos governantes.
Os protestos tiveram a simpatia de grande parte da sociedade por se tratar de um movimento legítimo da democracia. Muitos jovens pediam aos governantes melhorias na qualidade dos serviços públicos, como o transporte, um direito do cidadão. As manifestações, como eles diziam à época “não eram por 20 centavos”, mas por uma democracia justa e igualitária, uma voz há muito tempo contida.
Porém, o grito da população parece que engasgou em 2014, com a deflagração da Operação Lava-Jato para investigar um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro que teria movimentado bilhões de reais. O maior escândalo da história do País, enfim, expôs um governo petista rendido à corrupção.
Avanço
Desafiando a lógica, a corrupção desenfreada fez o Brasil dar importantes passos no seu confronto. Nos últimos quatro anos aprovou leis como a de combate às organizações criminosas (que criou a delação premiada) e a de anticorrupção (que pune empresas por atos de corrupção contra a administração pública), como já ocorre em outras grandes economias mundiais que tornaram mais eficazes seus órgãos fiscalizadores.
É importante ressaltar também a maturidade de instituições como o Ministério Público, Polícia e Justiça Federais, que desde a promulgação da nossa Constituição Federal, em 1988, atuam com autonomia, sem blindagem e sem privilégios na punição do político graúdo ao executivo poderoso. Enfim, que essa geração não perca a oportunidade de mudar o Brasil, aliando ao basta institucional à corrupção a defesa de suas ideias, persistindo sempre em levar adiante seus bons propósitos. Afinal, nenhum brasileiro quer ver perdurar o verso de Ideologia, outra música tão atual de Cazuza: os meus sonhos foram todos vendidos.
(*) Celso Évora – Interino
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