Dólar acompanha exterior e sobe para perto de R$ 3,85

Na próxima semana acontece última reunião de política monetária do Federal Reserve (banco central dos EUA)
Com a proximidade da elevação de juros nos Estados Unidos, o dólar opera em alta em relação ao real e outras moedas emergentes nesta sexta-feira (11). A divisa brasileira também é pressionada pelo cenário político interno, com nova ameaça de troca no comando do ministério da Fazenda.
Às 12h15 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, subia 1,29%, para R$ 3,846 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, tinha valorização de 1,23%, também para R$ 3,846. Ambas as cotações chegaram a atingir máximas na casa de R$ 3,86 nesta sessão.
Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar subia em relação a 14 -o real era a quinta que mais perdia força sobre a divisa dos Estados Unidos. O dólar também avançava contra seis das dez moedas globais mais importantes, entre elas o iene e a libra esterlina.
Na próxima semana acontece a última reunião de política monetária do Federal Reserve (banco central dos EUA). O mercado espera que a autoridade americana suba o juro básico daquele país, que está perto de zero desde a crise de 2008.
A expectativa é que a alta dos juros provoque uma fuga de recursos hoje aplicados em países emergentes para os EUA, encarecendo o dólar. Isso porque a mudança deixaria os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa, mais atraentes que aplicações em emergentes, considerados de maior risco.
Internamente, o mercado digere a notícia de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a sinalizar -desta vez a parlamentares governistas da Comissão Mista de Orçamento- que sua permanência no governo “perderá o sentido” se não for aprovada para o próximo ano uma meta de superavit primário (receitas menos despesas) de 0,7% do PIB.
O descontrole das contas públicas brasileiras e a piora na crise política no país aumentaram a expectativa do mercado de que outras agências de risco, além da Standard & Poor’s, retirarão em breve o selo de bom pagador atestado ao Brasil.
A Moody’s colocou nesta semana a nota de crédito do país em observação para possível rebaixamento em até três meses. A S&P já havia retirado o chamado grau de investimento do Brasil em setembro. Caso uma segunda agência faça o mesmo, grandes fundos estrangeiros serão obrigados a retirar investimentos do mercado brasileiro, encarecendo ainda mais o dólar.
O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 548,1 milhões.
No mercado de juros futuros da BM&FBovespa, o DI para janeiro de 2016 operava estável em 14,155% às 12h15. Já o DI para janeiro de 2021 subia de 15,880% para 15,940%.
BOLSA
O principal índice da Bolsa brasileira operava em alta nesta sexta-feira, amparado no bom desempenho das ações de bancos. O índice chegou a abrir em queda, pressionado pela Vale, mas inverteu a tendência ainda pela manhã. Às 12h15, o Ibovespa subia 0,62%, para 45.913 pontos. O volume financeiro girava em torno de R$ 1 bilhão.
No setor bancário, segmento com maior participação dentro do Ibovespa, o Itaú ganhava 0,69%, para R$ 29, enquanto o Bradesco subia 1,38%, para R$ 21,29, e o Banco do Brasil tinha valorização de 1,55%, para R$ 18,28.
As ações da Petrobras também operavam no azul, apesar da queda de mais de 1% nos preços do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais da estatal, mais negociados e sem direito a voto, tinham ganho de 0,67%, para R$ 7,50 cada um, enquanto os ordinários, com direito a voto, subiam 1,73%, para R$ 9,36.
Em sentido oposto, as ações preferenciais da Vale caíam 3,39%, para R$ 9,68. As ordinárias tinham perda de 2,52%, para R$ 12,35. A agência de risco Moody’s rebaixou na véspera a nota de crédito da companhia, mantendo a perspectiva negativa.
Fora do Ibovespa, as units do BTG Pactual subiam 9,42%, para R$ 13,24. As ações da rede de drogarias Brasil Pharma, cujo maior acionista é o BTG Pactual, ganhavam 18,95%, para R$ 6,09 cada uma.
Desde o dia 25 de novembro, quando o ex-presidente do BTG André Esteves foi preso no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal, as units do banco já perderam 57,20% de seu valor. Os papéis da Brasil Pharma cederam 68,77% desde então.