Em Nome da Lei | Boqnews

Ponto de vista

27 de abril de 2016

Em Nome da Lei

bannerÉ inegável que uma grande indústria cinematográfica não se faz só com jovens clássicos e blockbusters. Mais importante que esses fazedores de dinheiro estão quem está ali no meio da equação. Quem move tudo. E isso tanto em termos técnicos quanto de bilheteria. Em Nome da Lei, que chegou aos cinemas na semana passada, é um ótimo exemplo desses.

O filme é dirigido pelo mesmo Sérgio Rezende de Salve Geral, conta com um elenco repleto de gente conhecida e aposta em uma história tremendamente contemporânea e interessante. Infelizmente, todos esses fatores acabam não sendo tão bem explorados quanto poderiam, mas pelo menos o fazem dentro do limite do suficiente para levar um pessoal aos cinemas.

Principalmente, pois em meio a um cenário socio-político tão delicado e frágil, um pouco de pragmatismo não faz mal a ninguém. Em Nome da Lei é então essa história onde o bem e o mal são tão bem posicionados e claros, que fica difícil acreditar que toda essa história é real e aconteceu na fronteira do Brasil com o Paraguai em uma cidadezinha do Mato Grosso do Sul.

Nela, um juiz inexperiente e cheio de ideologia (Mateus Solano), chega a esse lugar tomado pelo caos fronteiriço onde as leis simplesmente parecem não chegar. Ao seu lado, seus único aliados são uma procuradora (Paolla Oliveira) e um delegado da Polícia Federal (Eduardo Galvão), ambos com mais experiência na região e já há tempos em busca de provas contra um traficando local, “El Hombre” Gomez (Chico Diaz), que parece “manda” desde sempre.

em-nome-da-leiEm Nome da Lei então se desenrola com o esforço do juíz para encarar o criminoso e desbancar toda sua rede de tráfico. Infelizmente estamos no Brasil, e assim como a burocracia emperra um monte de setores, o filme também sofre do mesmo mal.

Talvez no ímpeto de ser o mais próximo possível da realidade e do sistema jurídico brasileiro, Sérgio Rezende acaba com uma história bacana em mãos, porém chata, lenta e sem clímax. Ainda que grande parte disso também seja graças aos mesmos erros de ritmo que Rezende já tinha cometido em Salve Geral, por não ter muitas reviravoltas e cenas de ação, Em Nome da Lei parece se arrastar ainda mais.

Os erros de Rezende surgem de uma direção fixa demais, que se mantém mais longe do que devia da ação e simplesmente não usa subterfúgios de ritmo como cortes mais ágeis, planos detalhes e movimentos de câmera mais rápidos. Um marasmo que ainda atinge o elenco, que, mesmo embora formado por um monte de bons atores, todos parecem sem desafios e frios. Uma frieza que, ainda por cima, não combina com o local (por exemplo, Matadores, de Beto Brant, também tem sua ação em uma fronteira com o Paraguai, e sua tela parece suar).

Mas talvez, mais do que tudo isso, Em Nome da Lei seja mesmo prejudicado pela falta de interesse da própria história, já que obviamente, uma longa investigação, cheia de advogados, jurisdições, mandados e julgamentos não é nem de perto tão movimento quanto Hollywood “vende”. Em compensação, Rezende (assim como em Salve Geral) não percebe que, as vezes, a realidade é menos legal que a ficção, e nesses momentos o melhor mesmo é imprimir a ficção. Principalmente, pois uma grande indústria de cinema as vezes quer mesmo é uma boa história para encher as filas dos cinema e ela nem precisa ser tao verídica assim.

A crítica de Zoom e de mais diversas estreias você pode conferir no CinemAqui.

Da Redação
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