“Eu sou a mosca que pousou em sua sopa / Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar / Eu sou a mosca que pousou em sua sopa / Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar / Eu sou a mosca que perturba o seu sono / Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar”
A letra da música, eternizada na voz do saudoso compositor e cantor Raul Seixas, Mosca na Sopa, reduzia a uma simples mosquinha do cotidiano toda a inquietação do artista e a sua vontade de ser a pedra no sapato dos militares nos anos de repressão no Brasil, na década de 1970.
Diferentemente do inseto na sopa vista no prato, os alimentos consumidos atualmente tem se tornado uma preocupação entre a população brasileira: os invisíveis materiais de animais em produtos vendidos no país. Nos útimos três meses, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ordenou que fossem retirados lotes de produtos do mercado devido à presença de pelo de roedor em quantidade acima do limite máximo de tolerância pela legislação vigente.
Limite
Isso quer dizer – e pouca gente sabe – que há limites aceitos pela Anvisa e, sem saber, você pode estar ingerindo não só pelos de ratos, mas outros “tipos estranhos”. Recentemente, a Anvisa proibiu a venda e distribuição de um lote do extrato de tomate, pois foram encontrados pelos do roedor.
Em 2014, o órgão estabeleceu alguns limites para a quantidade de fragmentos de animais em alimentos e bebidas, como no caso extrato de tomate, que é permitido uma partícula de pelo de roedor por 100g de produto. Entre as “sujeiras” que a Anvisa tolera nos alimentos – aceitas em produtos como biscoitos e achocolatados – estão excrementos de animais, areia, poeira e até fungos. De acordo com médicos, uma quantidade pequena não seria capaz de desencadear um surto, mas dependendo da contaminação, os problemas podem ser grandes, causando, por exemplo, doenças gastrointestinais.
Invisível
Para a Anvisa, eliminar totalmente os traços dessas matérias é, muitas vezes, impossível. Segundo especialistas, um indivíduo provavelmente ingere cerca de um quilo de moscas, larvas e outros insetos a cada ano, sem perceber. Discussões à parte do que é ou não tolerável na quantidade de insetos nos alimentos, o fato é que muitos ainda devam preferir ver “a mosca do Rauzito” do que ingerir algo que desconhece, trazendo riscos à saúde.
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