Após um ano do rompimento da barragem da Samarco, cenário é de destruição | Boqnews

Rio de Lama

05 DE NOVEMBRO DE 2016

Após um ano do rompimento da barragem da Samarco, cenário é de destruição

Veja o cenário pelo olhar de Lu Marini, que mostra a história em exposição e lançará livro

Por: Nara Assunção

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quadroNeste sábado (5) completa um ano do maior desastre ambiental do País, quando ocorreu o rompimento de uma das barragens da Samarco, da Vale e a BHP Billiton, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. O rio de lama – com mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério – destruiu tudo pelo caminho. Levou 20 vidas, contando o bebê que ainda no ventre teve sua vida interrompida, e até hoje tem seu rastro marcado nas terras mineiras e também no Rio Doce. Foram 30 cidades atingidas em Minas Gerais e no Espírio Santo.

E foi este trajeto do Rio Doce que o piloto de aventuras Lu Marini realizou sua oitava expedição. Parte dela foi exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no último dia 23. Ao todo, o piloto – que vive em Santos – percorreu mais de mil quilômetros do rio e de todo o entorno em uma viagem que durou 22 dias. O começo foi no dia 29 de agosto. Para Marini, a expedição o levou para um de seus maiores desafios em termos emocionais por não se deparar apenas com problemas ambientais, mas também com as histórias das pessoas que estão sofrendo por conta da tragédia ambiental.

É ainda mais triste ouvir de Marini que a esperança do rio voltar a ter vida é distante. “Não vejo a mínima possibilidade por vários motivos. Primeiro, porque ele vinha sendo degradado há muito tempo. Já estava sendo contaminado. Vi esgoto a céu aberto sendo jogado no rio. O que aconteceu com a lama da Samarco foi histórico, mas serviu para chamar atenção para o rio, que já estava sofrendo. E esta lama ainda vai voltar quando começar a chover. A hidrelétrica (Risoleta Neves, que conteve parte dos rejeitos há um ano) tem um risco grande de rompimento, que vai aumentar ainda mais o desastre. E não vi durante todo o percurso um trabalho sendo feito no sentido de revitalização deste rio”, conta. A Usina sofre atualmente com a pressão de 10,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos.

Marini chega de uma forma inusitada ao local: pelo céu com seu paramotor. Em terra, conversa com moradores das cidades atingidas e das comunidades que ficam próximas ao rio. De forma informal, vivenciando a realidade de cada pessoa, ele consegue histórias que emocionam e servem de alerta para que a sociedade não esqueça da tragédia e suas consequências.

Em entrevista a Boqnews TV, Marini relembra personagens marcantes que encontrou ao longo desta expedição. Uma delas é Priscila e a amiga Pamela. “A Priscila teve a infelicidade de perder o filho ainda no ventre.

Estava grávida de quatro meses. Mas também teve a felicidade de ter tido seu filho mais velho resgatado depois de quatro horas embaixo da lama. Já sua amiga, também grávida com o mesmo tempo de gestação, perdeu a filha Emanuely, de 5 anos, levada pela lama, mas teve a felicidade do nascimento do filho meses depois. Elas choraram muito contando detalhes de como tudo aconteceu”, relembra.

Ouviu também pescadores, que tinham a água como fonte de alimentação e sustento e de um dia para o outro perderam tudo. Assim como as crianças que utilizavam o rio como única opção de lazer e já não podem mais. Marini viveu também momentos emocionantes com os índios Krenak. “Pousei e lá puder ver o sofrimento deles. Eles tinham o rio como tradição. Era tudo. Fonte de alimento. Ensinavam seus filhos a nadar, pescar… E perderam o rio. Eles têm uma canção muito antiga, que os antepassados fizeram em homenagem ao rio Doce, que desde o acidente não era cantada. Na comunidade deles eu pedi para quebrarem este silêncio. Se juntaram numa escola e cantaram para nós. Houve todo este sofrimento de um rio que está agonizando. Está muito triste”, conta.

Exposição

Até o próximo dia 5 de novembro, as fotos e relatos desta expedição – além do equipamento – estão expostos na Unimonte, à Rua Comendador Martins, 52. Depois, a exposição deverá percorrer shoppings e outros espaços da Cidade.

Projetos  futuros

Segundo Marini, o que foi exibido pela TV e o que está na exposição não chega a 10% de todo o material que ele e sua equipe coletaram durante os 22 dias. Para mostrar e aprofundar ainda mais a triste realidade do Rio Doce, em abril de 2017 – mês que se celebra o aniversário do rio – o aventureiro, ou melhor, repórter aéreo fará o lançamento de um livro e um documentário.
O piloto se prepara para novas expedições – que faz parte do projeto Rios, que sobrevoará as 10 principais bacias hidrográficas do Brasil. “Vamos ver como vivem as comunidades ribeirinhas, qual a relação delas com o rio. Começamos com o rio Tietê.

Neste, sobrevoamos também o Paranapanema, que é considerado o mais limpo de São Paulo. Vi histórias de pessoas que vivem realmente do rio. Foi uma preparação para ir ao Rio Doce. Vou lançar estes documentário e livros, mas não paro”, conta Marini que já planeja a expedição ao rio Araguaia. Paralelo a isso, ele também realiza outras expedições, além de ministrar palestras. “Quero falar das experiências nas escolas, abordando as questões ambientais mas também motivando as pessoas”, diz o profissional. Para saber mais sobre a expedição, acesse aventurafantastica.com.br.

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