Carnaval de Santos segue caminho de crescimento e mostra força | Boqnews
8 de fevereiro de 2013

Carnaval de Santos segue caminho de crescimento e mostra força

Um novo/velho tempo começa a surgir no Carnaval de Santos. A era de ouro, quando as ruas eram tomadas para celebrar a festa, se divertir. Por conta de diversos excessos, toda esta celebração quase sumiu. Agora, ressurge com força. Graças a investimentos do Poder Público e  à união dos responsáveis pelas escolas de samba, bandas e blocos, o carnaval da Cidade, que foi considerado nos anos 80 o segundo melhor do País, está voltando aos tempos de outrora.
Para que isso acontecesse, foi necessário um trabalho árduo. A começar pelos desfiles. No início dos anos 2000, depois de uma grande confusão no desfile da Banda da Serra, em plena orla do Gonzaga, que ocasionou a morte de um jovem, a Justiça proibiu qualquer desfile pela orla. Outras confusões já tinham provocado reclamações. No final dos anos 1980, o então prefeito, Oswaldo Justo, já sinalizava com a possibilidade de retirar os eventos da praia. Os desfiles saíram do Gonzaga e mudaram para a orla da Aparecida e José Menino e depois na Avenida Mário Covas (Av. Portuária). Diante de tantas reclamações e falta de apoio do Poder Público, a Cidade ficou sem desfiles carnavalescos durante seis anos.
Depois de muita negociação, em 2006, os desfiles voltaram em um local apropriado para recebê-los, a Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, na Zona Noroeste. Com o passar do tempo, o local foi se consolidando e hoje, segundo o presidente da Liga das Escolas de Samba de Santos, Heldir Lopes Penha, o Aldinho, se tornou a casa dos sambistas.
“Ninguém vai nos tirar de lá. A região abraçou o Carnaval. É o único megaevento realizado no município”, afirma, apostando no momento de crescimento da festa. “A tendência é continuarmos evoluindo cada vez mais. Ficar este tempo todo parado não favoreceu ninguém. Mas, desta vez, o Governo da cidade está feliz, os sambistas estão felizes. Há uma estrutura maravilhosa à disposição. Ninguém vai mais pisar na lama para acompanhar os desfiles e, ainda, há a construção do Centro de Cultura” (ver mais na página ao lado).
O discurso de otimismo é compartilhado pelo secretário de Cultura de Santos, Raul Christiano. Ele também reforça que o período sem festa foi prejudicial ao Município, reforça as ações realizadas na Administração do ex-prefeito João Paulo Tavares Papa e mostra como focará o trabalho de divulgação do Carnaval. “Demos uma motivação ao evento divulgando como um evento da cidade toda, não só de uma região”.
Com a não realização de desfiles em São Vicente e Cubatão (a primeira sequer terá desfiles de bandas), o responsável pela pasta afirma que o número de pessoas participando da folia em Santos será ainda maior. “Temos uma responsabilidade. Há gente que acha que fazemos um Carnaval metropolitano, mas não. Tudo isso se dá graças às ações tomadas nos últimos anos e que vamos aprimorar. A Baixada vive um momento positivo, pessoas de todo o País olham para a região, seja por questões econômicas ou por outros motivos. Temos que aproveitar ainda mais isso”, destaca o entusiasmado secretário.
Ainda de acordo com ele, o Carnaval santista de 2013 já caminha para ser um sucesso pelos números prévios. “O total de acessos ao site do evento, o interesse da mídia, a procura por ingressos. Tudo isso já demonstra como as pessoas estão se interessando cada vez mais. Este ano, 72 bandas e blocos desfilarão pelas ruas da Cidade, atraindo milhares de foliões. As primeiras já saíram e tivemos poucas ocorrências. Além, lógico, do Carnabanda, que foi um sucesso”.
Aliás, o evento realizou, nesta edição, uma homenagem à antiga Banda Mole, que congregava milhares de santistas para pular o Carnaval pelas ruas do Gonzaga. Christiano afirma que, por conta da proibição de eventos na orla, grandes bandas como esta acabaram. O fato fez com que as bandas de bairros, menores, se disseminassem. “A maioria das antigas desfilava na praia e no Gonzaga, o povo sente falta”, afirma, lembrando que tem disposição de retomar o diálogo com os representantes da Justiça para que o local volte a receber as bandas. 
“Queremos abrir o diálogo com os representantes do Ministério Público para encontrar uma solução. Entendemos os pontos levantados pelo MP, mas essa também é uma forma de atrair turistas. Na maioria das cidades com orla no Brasil, há desfiles nestes locais”, defende o secretário. O Ministério Público e a Polícia Militar foram procurados pela Reportagem mas não retornaram, até o fechamento desta edição, os pedidos de entrevista.
Centro Cultura é exemplo de consolidação do Carnaval
E como exemplo de consolidação do Carnaval santista está a entrega do Centro Cultural da Zona Noroeste, que aconteceu, parcialmente, na última quinta-feira. Com 3.001,08 m² de área construída, os dois prédios, que ficam na Avenida Afonso Schmidt, onde está localizado o sambódromo, serão utilizados para oficinas e cursos culturais. 
Durante o Carnaval, por meio de divisórias articuladas e portões reversíveis, o mesmo espaço usado para oficinas culturais será transformado em camarote, salas para corte carnavalesca e imprensa, no andar térreo. 
No térreo, ficará a recepção e dois salões para diversas atividades, e no primeiro andar, seis salas e auditório com 73 lugares e projetor.  O segundo pavimento terá biblioteca e salas administrativa e para informática, além de espaço para ginástica na passarela de interligação entre os blocos. Todos os andares contarão com sanitários.
Áreas para convidados, autoridades, funcionários e comissão julgadora ficarão no primeiro pavimento, enquanto o andar superior será reservado para as câmeras das emissoras de TV. Ambos os prédios contam com rampas de acessibilidade. Há também nove quadras esportivas – oito para várias modalidades e uma para tênis. Os alambrados metálicos também serão retirados durante o Carnaval para a instalação das arquibancadas. 
Com luminárias de 450 W, as torres de iluminação das quadras vão servir à prática de esportes no período noturno, assim como para a Avenida Afonso Schmidt e ao desfile das escolas de samba.“O Carnaval está consolidado na Zona Noroeste, muito por conta da infraestrutura construída lá. É algo irreversível. Durante o ano, no local, acontecerão oficinas de costura, entre outras atividades, para capacitar os membros das escolas de Samba. Eles serão multiplicadores, levarão o aprendizado para o barracão. E ainda construiremos o Museu do Samba, que será interativo”, conta o secretário de Cultura, Raul Christiano. Ao todo, 12 mil pessoas podem passar pelo complexo por dia de desfiles – serão três (de sábado a segunda). 
Comércio – Com a chegada do feriadão, a expectativa do comércio também cresce. Segundo estimativas da Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, entre 385 mil a 540 mil veículos devem descer a serra em direção à Baixada Santista. Conforme estimativa da Secretaria Municipal de Turismo, isso significa entre 1 milhão e 150 mil a 1 milhão e 600 mil pessoas, a grosso modo, que virão à região. 
O sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sinhores) revela o crescimento da ocupação da rede hoteleira em janeiro: Praiano (95%), Mercure (70%) e Ibis (77%). Ainda segundo a entidade, para este Carnaval, a porcentagem de leitos ocupados beirará os 76% em Santos. A liderança na região está com o Guarujá com 92% de ocupação nos hotéis.
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Santos, Paulo Latrova, ressalta que esta não é uma época tradicionalmente forte para o comércio regional mas que, com o passar dos anos e a organização do Carnaval na cidade, a movimentação tende a crescer. 
“Principalmente nas lojas que vendem fantasias e camisas para os blocos. É algo bem segmentado. Antigamente, quando as escolas compravam itens para as fantasias aqui, era melhor. Mas hoje está mais fácil ir a São Paulo. Mesmo assim, com a movimentação dos turistas, devemos ter bons índices”, diz. 

Da Redação
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