CET quer reativar cobranças
O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, Rogério Crantschaninov, afirmou, em entrevista coletiva ocorrida na sexta (17) que a população pode ficar “tranquila” quanto aos indícios de que 7.070 autos de infração de trânsito (AIT) foram desbloqueados de maneira irregular por funcionários do departamento de Assuntos Jurídicos da companhia.
Crantschaninov avaliou que a CET foi “vítima de funcionários que supostamente agiram de má fé”. Reconheceu, ainda, que a sociedade foi penalizada “pela presença de motoristas que não deveriam estar nas ruas, por vezes com suas carteiras devendo ser cassadas”. Declarou, por fim, que a CET vai buscar reativar as multas desbloqueadas e obter “até o último centavo” dos pagamentos, além de recolocar os pontos nas carteiras dos infratores.
De acordo com o presidente da CET, a empresa já desligou os dois funcionários do departamento suspeitos de terem colaborado com a fraude com o desbloqueio das multas. O primeiro deles foi afastado já em setembro, quando vieram à tona, na CET, as denúncias. O outro, por sua vez, deixou de fazer parte do quadro de funcionários nesta semana. Ele alertou que as multas não foram apagadas do sistema.
“Essas autuações não foram excluídas, não é um processo possível. Tanto que isso permitiu que a CET fizesse o relatório que fez (de aproximadamente 300 folhas), identificando os AITs que estavam sob suspeita de fraude Há sim um processo de bloqueio e desbloqueio, que era coordenado pelos profissionais de Assuntos Jurídicos”, explicou.
A opção em delegar o desbloqueio a estes profissionais se deu para que casos em que motoristas encaminhavam mandatos de segurança para revisão das multas fossem vistos diretamente pelos profissionais da área jurídica, que teriam autoridade para dar baixa no processo.
O problema é que os indícios mostram que houve mandatos “forjados”, que culminaram no desbloqueio irregular das multas. Agora, o processo não é feito mais pela unidade de Assuntos Jurídicos, mas por outro departamento não revelado pelo presidente da CET.
Além disso, segundo Crantschaninov, a decisão pelo desligamento dos funcionários não se deu por razão de culpa, mas por falhas administrativas. “Eram três pessoas que possuíam as senhas, mas uma delas, além de ter recebido a senha há pouco tempo, não tinha registrado baixas irregulares”, adicionou.
Conforme o presidente, ainda serão analisados pontos como o momento exato em que se deram os cancelamentos. Não é possível afirmar, segundo Crantschaninov, que tudo começou em 2003, quando os funcionários da unidade de Assuntos Jurídicos receberam as senhas. “Vamos averiguar. Pode ser que tudo tenha se iniciado em 2006 ou 2007, por exemplo. As investigações vão nos mostrar”, explicou.
A CET agora aguarda a conclusão do inquérito policial para dar sequência ao processo, mas já estuda como efetuar as cobranças aos infratores, tendo em vista a possibilidade de muitos já terem trocado de veículo ou mudado de cidade.