Cidades da região voltam a obrigar uso de máscaras em escolas | Boqnews
Máscara de proteção facial. Foto: Divulgação
3 de junho de 2022

Cidades da região voltam a obrigar uso de máscaras em escolas

Após meses de diminuição de casos, internações e mortes, os índices da covid-19 voltaram a ter uma progressão nas últimas semanas. Logicamente que a vacinação em massa impede que a situação da pandemia volte aos patamares dos anos de 2021 e 2020.

Contudo, o alerta foi ligado, principalmente neste momento que as temperaturas tiveram uma queda, assim a gripe ou resfriado podem ser confundidos com os sintomas da covid-19.

Para se ter uma ideia, no dia 1 de maio, a média móvel de internações no Estado de São Paulo estava em 170, já no último dia do mês, o número pulou para 404, ou seja, o índice mais que dobrou. Em abril, a média chegou a 146 internações por dia, o menor número apresentado desde o início da pandemia.

Medidas

Diante do aumento expressivo no número de casos, isso sem levar em conta as subnotificações. O Comitê Cientifico do Estado de São Paulo sugeriu a recomendação do uso de máscaras em escolas e ambientes fechados. Vale destacar que o uso de máscaras é obrigatório no transporte público e nas unidades de saúde.

Santos

Após anunciar que iria estudar a recomendação do uso de máscaras nas escolas municipais durante o Jornal Enfoque – Manhã de Notícias de quinta (2), o prefeito de Santos, Rogério Santos, resolveu ir além. Ele publicou um decreto nesta sexta-feira (3), que torna obrigatório o uso de máscaras pelos profissionais e estudantes na rede municipal de ensino. E recomenda para as unidades particulares.

A medida vale a partir da segunda-feira (6). Em Santos, os casos de coivd-19 subiram de 598 em abril para 1343 em maio – alta de 125%. Além disso, os óbitos pela doença também cresceram: de 4 para 7 em 30 dias. No momento, a cidade tem 30% de leitos ocupados, sendo 23% em UTI. A medida, de caráter preventivo, vale para estudantes, servidores públicos, colaboradores, pais e responsáveis e outros frequentadores durante o trânsito ou permanência nos ambientes fechados das escolas.

Assim, o prefeito Rogério Santos justifica a decisão.“Santos acompanha os números da doença diariamente e sempre pauta suas ações com base na ciência. Neste momento, consideramos necessária a volta da obrigatoriedade das máscaras nas escolas e seguiremos com a atenção voltada ao avanço do número de casos, tomando as medidas necessárias diante de novos cenários”.

Outras cidades

Santos não foi a única cidade da Baixada Santista que obrigou o uso de máscaras em escolas municipais, Itanhaém tomou o mesmo caminho, com o decreto do prefeito Tiago Cervantes (PSDB) no último dia 24 de maio. Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe também optaram pela medida preventiva, a diferencia é que o uso do equipamento também é obrigatório nas escolas particulares.

Os três municípios também recomendaram as máscaras em ambientes fechados. Em Peruíbe, a medida foi mais rígida e a Prefeitura obriga a máscara em prédios públicos na cidade. São Vicente fez a opção de apenas recomendar o uso das máscaras nas escolas municipais e particulares.

O Poder Municipal informou que as instituições de ensino devem planejar e realizar atividades de modo que evite aglomerações.

Em Bertioga, a Prefeitura está avaliando se há necessidade do retorno do uso de máscaras nas escolas e em locais fechados. O mesmo ocorre com Cubatão que também está analisando a situação.

Já Guarujá continua com a mesma medida, ou seja, o uso de máscaras é facultativo no município. A Prefeitura de Praia Grande não respondeu a reportagem até o fechamento desta edição.

Especialista

A infectologista Elizabeth Dotti explica que a medida de liberar as máscaras em ambientes fechados foi um equívoco. “A gente ia chegar nesta fase de mudança de temperatura e as pessoas tem bronquite, rinite, sinusite, então a imunidade fica comprometida, ainda tem o vírus da gripe. Então não era o momento de liberar o uso das máscaras em ambientes fechados, era preciso se cuidar para enfrentar este período de junho e julho de uma forma melhor”, ressaltou a infectologista.

Elizaneth Dotti ainda alerta que as pessoas que não tomaram a dose de reforço têm uma possibilidade de adquirir um agravamento da doença, em caso de infecção. “Nós estamos em um momento melhor da pandemia, mas ainda está caindo um avião por dia no Brasil, as pessoas que estão morrendo em sua grande maioria, são aquelas com comorbidades ou que tem a vacinação incompleta”, salientou.

Neste momento, a maior preocupação da imunização é com a dose de reforço já que parta da população ainda não foi aos postos de saúde para receber o imunizante. No Estado de São Paulo, mais de 40 milhões de pessoas tomaram a segunda dose ou dose única.

Já na dose adicional, foram aplicadas um pouco mais de 28 milhões de vacina, isso unindo a terceira dose e a quarta para idosos com mais de 60 anos.

A situação é preocupante na imunização das crianças, apenas 60% da faixa etária de 5 a 11 completou o esquema vacinal no Estado.

Covid x gripe

Uma das maiores dúvidas da população continua sendo diferenciar o vírus da covid-19 e da gripe, afinal os sintomas são parecidos.

Elizabeth Dotti enfatiza que a gripe começa com uma febre alta, um mal-estar e três ou quatro dias depois, a doença perde força. Diferentemente do coronavírus, que começa com uma febre não tão alta e a partir do terceiro dia, os sintomas se agravam como a falta de ar. “É interessante, pois sintomas são parecidos, mas o período muda”, finalizou Elizabeth. Por falar em gripe, a campanha de vacinação no Estado de São Paulo foi prorrogada até o dia 24 de junho, assim como o sarampo.

 

 

 

Da Redação
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