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Espaço de contradição

É, ao menos, curioso observar ou usar como ponto de referência algumas praças de Santos e seus respectivos homenageados. Em…

31 de outubro de 2008 - 19:40

Da Redação

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É, ao menos, curioso observar ou usar como ponto de referência algumas praças de Santos e seus respectivos homenageados. Em alguns casos a confusão é garantida e com razão. O jurista Rui Barbosa observa o movimento das avenidas Ana Costa, Pinheiro Machado e Rangel Pestana da Praça Belmiro Ribeiro, que por sua vez, foi criada para imortalizar o ex-prefeito da Cidade e ex-presidente da Associação Comercial de Santos. Seguindo os mesmos passos, o ex-presidente Getúlio Vargas resolveu deixar seus traços sulinos e portugueses na Praça dos Andradas, em frente à Cadeia Velha no Centro, enquanto que os irmãos donos da linhagem Andrada colocaram os pés na Praça Independência,  no coração do Gonzaga.

Como não podiam ficar de fora, os fundadores do Porto de Santos e ex-dirigentes da Companhia Docas de Santos, Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée, descansam e admiram a paisagem oposta à  Igreja do Convento do Carmo,  na Praça Barão do Rio Branco, construída em homenagem ao jornalista e diplomata carioca, José Maria da Silva Paranhos Júnior. Um olhar mais atento aliado a um pouco de conhecimento histórico revela que as principais praças santistas entram nesta brincadeira ,  onde o fundador de Santos, o português  Brás Cubas,  aparece imponente na Praça da República enquanto o padre santista, Bartolomeu Lourenço de Gusmão,  que mostrou ao mundo a possibilidade de voar de balão, olha para o céu na Praça Rui Barbosa.

Segundo o historiador da Fundação Arquivo e Memória de Santos, José Dionísio de Almeida, não há critério na escolha do local e do personagem. “A Câmara aprova estas nomeações sem se prender a lógica de fazer a ligação entre o lugar e o homenageado. Geralmente isso acontece por ansiedade de mostrar serviço ou em razão de algum momento histórico especial”, diz.

Almeida explica que a confusão que surge no dia-a-dia é mais comum do que se imagina, o que não ocorre em diversas cidades onde já visitou “Quando alguém vem aqui na Fundação fazer trabalho sou questionado sobre este assunto. As pessoas se confundem mesmo, principalmente se usarem estes locais como ponto de referência. Não há muito o quê explicar, porque estas nomeações sempre foram feitas aleatoriamente. Acredito que esta mistura seja uma particularidade santista, uma vez que nunca vi isso em outras cidades por onde passei”, explica.

Mas nem todas as praças seguem esta falta de padrão. Conforme a explicação de Almeida estas escolhas são feitas por associação a algum fato relacionado ao personagem e ao local. “Como não há nenhuma justificativa para a decisão fica mesmo por conta da sorte. Às vezes, esta decisão é feita em razão de alguma ligação histórica, mas não é válida em todos os casos”, comenta.

Entre os exemplos de maior destaque está a Praça Mauá que traz o busto de Visconde de Mauá e a escultura (origem) Ninfa Náiada, a estátua do pintor Candido Portinari empinando pipa na infância na Praça Cândido Portinari e presença do político Luiz La Scala na praça ao lado do Aquário Municipal que recebe seu nome.

Significado

Mesmo sendo confusas, o contexto em que surgiram as primeiras praças permitia que as pessoas entendessem seu significado, pois como não existiam muitos locais de diversão, era nelas que aconteciam os mais variados tipos de encontros. Para o historiador,  muitos desconhecem a importância histórica dos locais e este é mais um dos motivos que provoca dúvidas.

Algumas delas permanecem como pontos estratégicos. É o caso da Praça Mauá, onde são realizados eventos culturais e sociais com freqüência, além de ser uma opção de descanso e lazer para quem trabalha no Centro Histórico. “Salvo casos que ainda mantêm destaque, algumas praças como a dos Andradas e a José Bonifácio são um pouco discriminadas”, completa Almeida.

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